Com um a menos, Palmeiras empata, mas fica o gostinho amargo de poder ter vencido
O Palmeiras estreou empatando por 1 a 1 com o Atlético Tucumán, na Argentina, onde venceu apenas uma vez em toda a história da Libertadores. Na cartilha da competição sul-americana, voltar de viagem com um ponto é (quase) sempre um resultado positivo, mas a equipe de Eduardo Baptista chega ao fim da primeira rodada da fase de grupos com um gostinho amargo na boca porque, mesmo com a expulsão de Vitor Hugo, ainda no primeiro tempo, controlou a partida e criou oportunidades para vencê-la.
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Ajudou – bastante – a qualidade técnica bem inferior do Atlético Tucumán, que insistiu em cruzamentos e levou pouco perigo ao gol de Fernando Prass. Enquanto isso, abriu o campo para o Palmeiras contra-atacar, e Miguel Borja teve três oportunidades claríssimas para marcar e as desperdiçou, sem contar as jogadas de bola parada, frequentemente ameaçadoras. E isso com 11 homens dos anfitriões contra dez dos visitantes. Sem a expulsão de Vitor Hugo, teria grandes chances de sair da Argentina com dois pontos a mais.
Os primeiros 20 minutos de partida foram travados, “estudados”, como gostam de dizer, e serviu apenas para Vitor Hugo levar o seu primeiro cartão amarelo. Em bela escapada pela esquerda, Keno entrou na área, pedalou, foi à linha de fundo e cruzou para trás. Borja emendou de primeira, Lucchetti defendeu e, de repente, a partida em a qual o Palmeiras estava começando a se acomodar, mudou completamente.
No minuto seguinte, o zagueiro palmeirense levou outra advertência, em dividida de cabeça no meio-campo. Eduardo Baptista fez a única coisa que poderia fazer: recompôs a defesa com Antonio Carlos no lugar de Michel Bastos. Mas, logo na sequência, enquanto o Palmeiras ainda tentava se reorganizar, o Atlético Tucumán abriu o placar. Evangelista cruzou da esquerda, Zampedri dividiu com Edu Dracena, conseguiu tocar a bola, que fez uma parábola até cair no ângulo de Prass.
Se o Palmeiras não tivesse sofrido o gol naquela momento, provavelmente não sofreria mais, porque logo em seguida a equipe ajustou-se à inferioridade numérica e passou a controlar a partida, sofrendo pouquíssimos riscos. No primeiro tempo, a única oportunidade do Tucumán foi um chute de Canuto de fora da área, que Prass defendeu com o braço esticado.
Alguns minutos antes, Borja perdeu sua segunda chance clara na partida. E o colombiano até que fez tudo direitinho. Recebeu dentro da área e poderia ter batido de canhota, mas estava livre e preferiu dominar, puxando para a perna direita. Buscou o espaço entre a trave e o goleiro, mas parou na defesa de Lucchetti. O empate chegou em jogada de bola parada. Dudu cobrou, Thiago Santos desviou e Keno estufou as redes. Poderia ter ampliado antes do intervalo, em outra cobrança de falta, que Borja cabeceou, Lucchetti defendeu e quase deu rebote para Edu Dracena, que avançava em direção à bola.
O segundo tempo foi ainda mais tranquilo para o Palmeiras, apesar de a bola ter ficado nos pés do Tucumán o tempo inteiro. Mas, novamente, bastou a defesa ficar esperta nos cruzamentos para afastar o perigo, com alguns lapsos de concentração que cederam escanteios de graça para os argentinos. Até a vitória ficou alcançável porque Dudu puxava os contra-ataques e, com um pouco mais de capricho algumas vezes, ou um pouco mais de calma outras, teria criado mais oportunidades de gol. Criou uma, em jogada individual que terminou nos pés de Borja, pela direita. O chute chapado e cruzado do colombiano passou rente à trave.
Nos 15 minutos finais, depois que Keno e Borja já haviam sido substituídos com câimbras, o Palmeiras achou melhor contentar-se com o pássaro que tinha na mão a ver três voando. Travou a partida, enrolou, deu chutões e garantiu o empate. Não era necessário, diante da facilidade do jogo, mas a cautela é compreensível, ainda mais para uma equipe que ano passado não conseguiu passar da fase de grupos e para um treinador que – de maneira chocante – já é contestado pela torcida, na oitava partida oficial da temporada.
Na Libertadores anterior, o Palmeiras falhou ao não conseguir nenhuma vitória fora de casa e ao não fazer a sua obrigação no Allianz Parque (perdeu do Nacional, do Uruguai). Desta vez, a chave é mais acessível e a equipe mostra bons sinais, apesar do imperdoável tropeço para o Corinthians, duas semanas atrás. A defesa está sólida e sofre poucos gols. O ataque ainda precisa encaixar melhor, o que é natural, com a mudança constante de peças, resultado de muitas contratações e algumas lesões. Nessa toada, porém, tem tudo para se classificar.