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O Uruguai vai mesmo à Copa. E a boa notícia está no gol

A torcida do Uruguai já pode comemorar. Nem se Óscar Tabárez resolver escalar o time do Miramar Misiones, lanterna do Campeonato Uruguaio, a Celeste perde a vaga na Copa do Mundo de 2014. Os charruas sabiam dos problemas que poderiam ter pela frente, enfrentando a Jordânia em casa e depois uma longa viagem. Por isso mesmo é que os uruguaios levaram tão a sério o compromisso e acabaram premiados com a goleada por 5 a 0, que já prepara uma festa gigantesca para o Estádio Centenário no jogo de volta.

Além da vitória elástico, outra boa notícia para a Celeste esteve no gol. Lesionado, Fernando Muslera deu a chance para que Martín Silva ocupasse a vaga de titular. Apesar do que o placar possa indicar, a Jordânia tentou buscar a vaga inédita no Mundial e pressionou os uruguaios, especialmente no segundo tempo. Embora muitas finalizações tenham ido para fora, o arqueiro do Olimpia demonstrou segurança, especialmente nas bolas alçadas a sua área. Como Muslera oscila entre defesas espetaculares e falhas bisonhas (um homem simples a quem disseram certa vez que era goleiro, como bem definiu o Impedimento), não seria surpreendente se Tabárez começasse a analisar uma mudança no posto até a Copa. Silva está gabaritado para tanto.

Enquanto isso, os jogadores de linha do Uruguai sobravam pela eficiência. Era praticamente um gol por ataque dos sul-americanos. A defesa jordaniana abusava dos espaços dados, enquanto Mohamad Shatnawi mostrou-se tão capacitado quanto um goleiro amador. No primeiro tempo, Maxi Pereira e Cristian Stuani abriram a margem. Na segunda etapa, Nicolás Lodeiro e Cristian Rodríguez tranquilizaram ainda mais a vida dos viajantes. E, nos acréscimos, ainda deu tempo para Edinson Cavani dar o golpe fatal, em uma belíssima cobrança de falta. Inapelável triunfo por 5 a 0.

Na próxima quarta-feira, os jordanianos entrarão em campo no Centenário com moral zeroo. A equipe sabia que poderia perder, mas não esperava um vexame tão grande contra seus compatriotas. Nunca em sua história a seleção do país venceu um jogo como visitante por cinco ou mais gols de diferença – quando isso aconteceu, três vezes, não foi com o time principal e as partidas eram disputadas em campo neutro. Se nem a história ajuda, o jeito é fechar a retranca para salvar um pouco da honra.

Do outro lado, o Uruguai pode até poupar esforços e escalar um time misto, mas nada faz crer que mesmo os astros do elenco vão querer perder a oportunidade de estar em campo diante da comemoração de milhares em Montevidéu. Mesmo que uma nova goleada não venha, os uruguaios já podem arrumar as malas. A presença na Copa de 2014, ainda por cima como cabeça de chave, é mais do que concreta.  E como é importante contar com os bicampeões mundiais e donos do título em 1950 novamente no Brasil.

Maxi Pereira celebra com Cavani e Suárez o primeiro gol uruguaio (AP Photo/Hassan Ammar)
Maxi Pereira celebra com Cavani e Suárez o primeiro gol uruguaio (AP Photo/Hassan Ammar)

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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