O Sporting Cristal surpreendeu o Racing na Argentina e conquistou um feito raro

O Racing começou a Libertadores com pinta de favorito. Por mais que os seus primeiros adversários fossem fracos, os atuais campeões argentinos impuseram respeito com duas grandes goleadas. Mas a terceira rodada serviu para que La Academia diminuísse um pouco a empolgação. Com vários desfalques, entre eles Diego Milito, os racinguistas perderam dentro do Estádio El Cilíndro lotado para o Sporting Cristal. Decisivo, o capitão Carlos Lobatón comandou o triunfo por 2 a 1 ao marcar os dois gols, o segundo aos 36 do segundo tempo. Um tropeço dos anfitriões, mas também um feito enorme do clube de Lima, que serve de orgulho para o futebol peruano.
Afinal, raríssimas foram as vezes que um clube do país venceu na Argentina pela Libertadores. Tudo bem que, até 2000, a divisão dos grupos entre dois países dificultavam os cruzamentos. De qualquer forma, espanta que, em 56 edições da competição, esta seja apenas a quinta vitória dos peruanos em território argentino.
As três primeiras aconteceram ainda na década de 1960, quando o Peru começava a formar sua geração mais forte. O Alianza Lima bateu o Boca Juniors em 1966, enquanto o Universitario de Chumpitaz derrotou Racing e River Plate na fase semifinal – e, mesmo assim, ficou de fora da decisão por causa de um gol de saldo. Já em 1997, o Sporting Crital eliminou o Vélez de Chilavert nas oitavas de final graças à vitória no Estádio José Amalfitani. E aquele time, que também derrubou os próprios racinguistas nas semifinais, foi vice-campeão.
Se o Racing tiver alguma superstição, entretanto, talvez até possa renovar algumas esperanças com esta derrota. Afinal, mesmo perdendo em casa para um peruano em 1967, La Academia conquistou seu único título continental naquele ano. Foram os argentinos que eliminaram o Universitario por um gol de saldo, e ficaram com a taça após derrotar o Nacional do Uruguai no jogo de desempate da decisão, disputado em Santiago.
A queda em casa diminui um pouco as credenciais do Racing, ainda que os desfalques tenham feito bastante falta. Já o Sporting Cristal comemora mais do que a aproximação dos líderes, apenas um ponto atrás, mesmo depois de empatar com os fracos Guaraní e Deportivo Táchira. Mais além é o peso histórico de um resultado que seu país não conquistava há 18 anos.



