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O são-paulino achava que tudo estava dando errado, até que esse gol fez tudo dar certo

O torcedor do São Paulo tem fama de ser blasé, variando entre a arrogância nos bons momentos e a desconexão nos maus. Mas o são-paulino sabe também ser corneteiro, e teve corneta soando para todo lado na capital paulista nos últimos sete dias. Parecia que a conjunção astral era negativa ao time do Morumbi.

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Veja só o que aconteceu nos últimos dias:

1) Time perde de forma contundente para o maior rival;
2) Derrota por 2 a 0 é tratada como a pior da história do futebol desde o 7 a 1, revelando tudo o que há de errado no clube;
3) O Danubio vencia o San Lorenzo, resultado ótimo para o São Paulo, até tomar a virada com dois gols nos minutos finais;
4) Surgem notícias de atrito entre Muricy Ramalho e Carlos Miguel Aidar;
5) Clube coloca preços caros para os ingressos da partida contra o Danubio;
6) O sistema pifa, e o São Paulo tem problema para fazer a venda online dos ingressos:
7) Torcida tem de ir às bilheterias do Morumbi para comprar os ingressos, mas lá também há problemas no sistema;
8) Cai uma chuva de encher o Cantareira (OK, nem tanto), deixando o trânsito um horror para quem ia ao Morumbi, e encharcando quem lá estava para a compra na bilheteria.

Todo corneteiro interpreta essa sequência de eventos como o sinal definitivo que uma derrota trágica contra um time mais fraco está à espera. Ou, no mínimo, como o acúmulo de azares justificava o temor por mais um tropeço. Uma sensação que, no caso são-paulino, demorou apenas quatro minutos. Foi o tempo necessário para Reinaldo fazer boa jogada pela esquerda e cruzar para Alexandre Pato fazer esse golaço.

Esse voleio definiu os rumos da partida, tirando um elefante das costas do São Paulo. Assim, o time venceu com naturalidade um jogo que acabou sendo até chato pela facilidade com que saiu o 4 a 0. Não serviu para expiar todos os problemas enfrentados pelo clube nos últimos dias (a derrota para o Corinthians ainda é sentida, e os erros na venda de ingressos precisam ser corrigidos), mas talvez tenha mostrado aos torcedores que o desespero era um pouco precoce.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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