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O que o Galo mais precisa é de calma, ainda que o momento não sugira isso

A primeira derrota dava até para entender. Deixar passar. Enfrentar o Colo-Colo em Santiago não é mesmo das tarefas mais fáceis, ainda mais com tantos desfalques. Mas o segundo tropeço consecutivo do Atlético Mineiro na Libertadores serve para acender o sinal de alerta. Especialmente, porque faltou paciência ao time de Levir Culpi no Estádio Independência. Desesperado demais para marcar um gol, o Galo tomou, e perdeu para o Atlas por 1 a 0. Agora, precisa entrar nos trilhos para buscar os pontos perdidos e buscar a classificação que começa a se dificultar.

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Outra vez sem peças importantes, o Atlético Mineiro não fez um jogo tão ruim. Faltou um pouco mais de qualidade nas conclusões, mas os alvinegros criaram boas chances. No primeiro tempo, inclusive, André poderia ter aberto o placar, mas perdeu a bola de vista e não marcou o gol que parecia certo. Porém, o ímpeto ofensivo dos anfitriões deixava algumas brechas aos mexicanos, com a meta de Victor ameaçada algumas vezes. Para piorar, Leonardo Silva saiu de campo machucado, substituído por Edcarlos, o que deixou os atleticanos preocupados.

Para o segundo tempo, Levir Culpi mandou para Sherman Cárdenas para campo, no lugar de Leandro Donizete, o que aumentou a pressão do Atlético. O problema é que o volume de jogo dos mineiros não se transformava em qualidade, com muitos cruzamentos a esmo. Pior, também aumentava o espaço para o Atlas atacar. Os mexicanos, inclusive, chegaram a reverter o jogo durante parte da etapa complementar, mais ativos no ataque e até mesmo carimbando a trave de Victor. Nada que fizesse o Galo se resguardar.

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Quando os atleticanos tinham novamente a iniciativa, veio o golpe fatal. Sobrava desespero no ataque alvinegro, com muitos erros de passe e de conclusão. E um contra-ataque bastou para que o Atlas saísse com a vitória aos 42 minutos. Após passe de Medina, o colombiano Christian Suárez arrancou e finalizou na saída do goleiro. O Galo ficou ainda mais nervoso e Victor chegou a subir para a área adversária, na tentativa de buscar um gol salvador. Em vão. O camisa 1 não conseguiu nada mais do que um cartão amarelo por tentar cavar um pênalti.

Após três jogos, o Atlético Mineiro é o único clube do Grupo 1 a não pontuar. A equipe tem duas semanas para tentar recuperar parte dos desfalques e se estruturar para o primeiro jogo decisivo, contra o Independiente Santa Fe em Belo Horizonte. Precisando de planos mais bem traçados para buscar a vitória. O Galo já deve ter percebido que sair com tudo para o ataque não é a melhor das soluções, especialmente diante de adversários armados para aproveitar os deslizes. É preciso pensar um pouco mais com a bola nos pés. E, se for com os jogadores mais inteligentes que estão no departamento médico, melhor.

O sangue frio vai ser necessário de agora em diante. Nada da apatia da estreia ou do nervosismo desta quarta. Se os atleticanos ainda estão longe de necessitar de um milagre, como tanto gostam, é preciso mostrar que não depende apenas dos momentos de maior risco para fazer o seu jogo acontecer. Não há motivos para o time se sentir tão desesperado pela vitória. Ainda que a pressão comece a se criar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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