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A derrota do Galo é até compreensível, mas a apatia do time não

Victor falhou feio no gol que abriu o caminho para a vitória do Colo-Colo. O erro do goleiro, entretanto, não evitaria a derrota em uma noite para o Atlético Mineiro esquecer. Ou melhor, se lembrar, e tentar não repetir os vacilos nesta Libertadores. Por mais que os alvinegros tivessem vários desfalques, esta justificativa não é suficiente para a atuação apática contra o Cacique. Os chilenos anotaram 2 a 0 em Santiago e até poderiam ter feito mais, diante da facilidade que encontraram. Um jogo que os atleticanos esperam ser um ponto fora da curva, diante da qualidade que o elenco possui, bem como pelas atuações vistas no final de 2014. Sem vibração, o Galo esteve irreconhecível.

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A gorda lista de desfalques do Galo para a visita no Chile incluía Marcos Rocha e Douglas Santos nas laterais, Carlos no meio-campo e Lucas Pratto no ataque. Tantas ausências que conseguiram ser contornadas pelos atleticanos no início da partida, com o ataque se movimentando e ameaçando a meta de Villar. Contudo, os muitos espaços deixados facilitaram a vida de um adversário tão tarimbado, em que apenas três titulares tinham menos de 30 anos. Os albos aproveitaram principalmente a qualidade ofensiva pelas laterais, com Fierro e Beausejour, que se aproveitaram da fragilidade de Patric e Pedro Botelho na marcação.

O jogo já entrava sob o domínio do Colo-Colo quando Flores abriu o placar, aos 39 minutos. O meia se aproveitou da enorme liberdade para arriscar de longe. Além de contar com a ajuda do morrinho, também teve a ajuda de Victor. O Atlético não conseguiria se recobrar do golpe. E o segundo só não saiu no primeiro tempo ainda por causa do travessão, que barrou o chute de Paredes. Do outro lado, o setor ofensivo desapareceu. Maicosuel era nulo na armação, o que dificultava também a vida de Jô. Dátolo era o mais lúcido, responsável pelos melhores lances, enquanto Luan se esforçava para dar velocidade nas pontas.

De qualquer forma, a partida seguia nas mãos do Cacique na segunda etapa, especialmente pelos erros dos brasileiros nos passes. E a alteração de Levir Culpi deixou os atleticanos ainda mais expostos, ao trocar Rafael Carioca por Dodô. Enquanto os mineiros sofriam com as subidas dos chilenos pelas pontas, Beausejour cruzou e a dupla de zaga se esqueceu de marcar Paredes, livre para cabecear às redes. No final, a saída de Jô para a entrada de Cesinha até deu um pouco mais de mobilidade ao Galo, mas era muito pouco.

Perder para o adversário mais tradicional do grupo, fora de casa, não é o pior dos mundos para o Atlético Mineiro. Dá para recuperar, ainda que os outros rivais não deem tanta margem aos erros. A questão maior para as próximas rodadas é se tranquilizar e contornar tantas falhas. O retorno dos titulares, bem como a chegada de Sherman Cárdenas, certamente melhorar a força do Galo para a sequência de jogos. Só não dá para titulares incontestáveis, como Victor e a dupla de zaga, ou mesmo Levir Culpi, esconderem também os seus próprios problemas nos companheiros ausentes. Para um time tão vibrante nos últimos mata-matas, os atleticanos deixaram muito a desejar. Não dá para esperar por milagres sempre sem cumprir os sacrifícios.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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