Numa fase demolidora, Roque Santa Cruz renovou a dinastia do Olimpia, tetracampeão paraguaio

Roque Santa Cruz retornou ao Olimpia quando tinha 35 anos, em 2016. O centroavante mexia com o coração dos torcedores alvinegros, mas muitos poderiam duvidar de seu real rendimento, em claro declínio no futebol europeu. No entanto, o prodígio que alimentou os sonhos franjeados quando estourou na virada do século, quase duas décadas depois, conseguiu superar as próprias marcas para se recolocar como o símbolo de uma era vitoriosíssima. Mais do que sua liderança, Santa Cruz ofereceu um enorme poder de decisão. E, pela quarta edição consecutiva do Campeonato Paraguaio, a lenda ergue a taça. O camisa 24 atravessou uma reta final de Clausura doutrinadora e neste domingo fez os gols do tetracampeonato nacional olimpista, que não vinha desde 2000.
Recontratado pelo Olimpia no segundo semestre de 2016, após deixar o Málaga, Santa Cruz não emplacou de imediato. Caiu nas preliminares da Copa Libertadores em duas oportunidades, também não foi longe na Copa Sul-Americana de 2017 e, no Campeonato Paraguaio, viu a taça trocar de mãos três vezes em suas três primeiras campanhas. O Olimpia amargava uma era de vices, até o jogo começar a virar a partir de 2018.
A conquista do Apertura 2018 já era marcante a Santa Cruz. O centroavante não seria tão preponderante naquela campanha, mas terminou homenageado no jogo do título. Completou 100 partidas com a camisa franjeada e até virou mosaico, antes de erguer a taça. O veterano, às vésperas de completar 37 anos, voltava a faturar a liga após 19 anos. E o mais impressionante é que não pararia ali. O camisa 24 seria um dos artilheiros do time no bicampeonato, durante o Clausura 2018. Anotou nove gols, incluindo quatro tentos num mesmo jogo.
A temporada de 2019 seria promissora ao Olimpia, com o retorno à fase de grupos da Libertadores. Os paraguaios avançaram aos mata-matas na liderança da chave, mas caíram nas oitavas diante da LDU Quito. Assim, o consolo veio com o tricampeonato no Apertura. E com um desempenho ainda mais espetacular da equipe. Os franjeados garantiram o feito com uma campanha invicta. Santa Cruz também elevou seu rendimento. Foi artilheiro geral do torneio, com 11 gols. O capitão balançou as redes nos duelos decisivos contra Libertad e Cerro Porteño, além de deixar sua marca no jogo do título. Como ocorrera no início de sua carreira, de 1997 a 1999, sagrou-se três vezes campeão paraguaio.
A diferença em relação ao passado é que, quando emendou o tetra em 2000, o Olimpia não contava mais com Santa Cruz. O fenômeno havia sido vendido ao Bayern de Munique. Desta vez, o centroavante permaneceu para completar a façanha. Capitão, pela quarta vez recebeu o troféu. E se superou. O camisa 24 de novo lidera a tábua de artilheiros, com 14 gols. Anotou 10 tentos apenas nos últimos quatro jogos, vivendo um momento arrasador. Somando Apertura e Clausura, são 25 gols em 32 partidas, na temporada mais prolífica de sua extensa carreira.
Nem parecia a melhor fase de Santa Cruz. O veterano atravessou sete partidas em jejum, até balançar as redes contra o Sol de América no fim de setembro. Três rodadas depois, definiria a vitória sobre o River Plate. E o ponto de virada aconteceria no clássico contra o Cerro Porteño. Insaciável, o camisa 24 balançou as redes quatro vezes no triunfo por 4 a 2. Seria só o começo. Ele também garantiu o 1 a 0 sobre o Deportivo Capiatá na semana seguinte e, depois, fez três nos 4 a 1 sobre o San Lorenzo. Já neste domingo, pela penúltima rodada, aconteceu o duelo contra o Guaraní. Um empate poderia ser suficiente à conquista antecipada. Santa Cruz buscou o placar.
Segundo colocado, o Libertad fazia sua parte e vencia o Deportivo Santaní neste domingo. Uma derrota do Olimpia poderia manter vivas as chances de título dos perseguidores e, de fato, os franjeados perdiam para o Guaraní. O Cacique abriu dois gols de diferença no início do segundo tempo, até Santa Cruz descontar aos 16. Já o gol do título, o do empate por 2 a 2, só aconteceu aos 47. O capitão aproveitou o cruzamento e acertou uma cabeçada cruzada, fatal. O gol do título, que fez tremer o Estádio Manuel Ferreira – a casa olimpista, conhecido tradicionalmente como El Bosque Para Uno, onde o clube não dava uma volta olímpica desde 1959.
O Olimpia faz outra campanha notável no Clausura 2019. Os franjeados somam 51 pontos, com 16 vitórias em 21 rodadas. A definição do título só demorou porque o Libertad também vai bem, com 47 pontos. Em compensação, o terceiro colocado Cerro Porteño possui apenas 34 pontos. Além de Santa Cruz, o técnico Daniel Garnero é mais um símbolo do tetra, presente em todas as campanhas. Já dentro de campo, vale mencionar a importância de veteranos como Alfredo Aguilar, Alejandro Silva, William Mendieta, Nestor Camacho, Rodrigo Rojas e Tabaré Viudez. Contribuem bastante na atual hegemonia olimpista, ainda que o protagonismo seja mesmo do capitão.
O último tetracampeonato no Paraguai tinha acontecido na década passada, registrado pelo Libertad, entre 2006 e 2008. A dinastia foi constituída com duas edições anuais da liga e outras duas semestrais. Que o antigo formato com um campeão por ano exigisse mais continuidade, o atual modelo de torneios curtos acaba se tornando suscetível às variações momentâneas. Fato é que, nestes dois últimos anos, o momento franjeado é excepcional – e mesmo contra equipes qualificadas do Libertad e do Cerro. No geral, os alvinegros chegam ao 44° troféu nacional, contra 32 do Cerro Porteño. Seis deles vieram nesta década, após uma seca que durou 11 anos, de 2000 a 2011.
Aos 38 anos, Santa Cruz soa como um Dom Sebastião olimpista, que retornou para coroar um dos maiores momentos da história do clube. Pronto para renovar por mais uma temporada, o centroavante terá a Libertadores 2020 como próximo desafio. E não parece nem um pouco surreal pensar no penta, por tudo aquilo que a lenda faz em Assunção.
https://www.youtube.com/watch?v=uNfH1mvEdhY
Si.
Hay una explicación
La más sencilla,
Es que son unos MONSTRUOS.
Con un apetito voraz
No se conforman ganar.
Ni necesitan “polvos mágicos”
No corren, vuelan.
La única explicación que tenemos:
SON OLIMPIA.
Y NO SON DE ESTE PLANETA.#TETRATERRESTRES#TeApuestoAQueEstoSiQuePica pic.twitter.com/JwFVdUNRNV— Club Olimpia (@elClubOlimpia) December 8, 2019



