Noite de devoção: Messi voltou como salvador e decidiu o clássico contra o Uruguai

Não foi uma partida brilhante. Mas se transformou em uma noite de Messi. Na volta de quem mal deixou a seleção, a Argentina contou com o poder decisivo de seu craque para conquistar três pontos importantes. Se o camisa 10 explicou que o carinho das pessoas teve grande peso para demover a ideia de se aposentar da Albiceleste, pôde sentir isso na pele em Mendoza. O atacante ouviu seu nome gritado em vários momentos do clássico contra o Uruguai. Principalmente, quando marcou o único gol na vitória por 1 a 0. Embora o jogo tenha ficado nas mãos dos argentinos durante a maior parte do tempo, a bola nas redes tornou-se um evento raro. Que serviu para deixar a equipe na liderança das Eliminatórias Sul-Americanas ao término da rodada, um ponto à frente de Uruguai, Colômbia e Equador.
Edgardo Bauza não fez mistérios sobre a sua primeira escalação à frente da Argentina. Trouxe Lucas Pratto como homem de referência e confiou em Paulo Dybala na articulação. Ainda assim, o time orbitou ao redor de Messi. E o clima parecia preparado para recepcionar o camisa 10. Se a torcida era bastante calorosa no Estádio Malvinas Argentinas, se tornava ainda mais quando o atacante recebia a bola. As arquibancadas até ensaiaram gritos de olé, por mais que o volume de jogo da Albiceleste não resultasse em tantas ocasiões de gol.
O confronto começou a se abrir a partir dos 30 minutos. Messi atuava mais como um organizador, buscando a bola e ajudando a criar. Enquanto isso, Dybala se destacava brigando demais e ameaçando, a ponto de carimbar a trave. O gol parecia questão de tempo. Até sair, aos 42. Acompanhado por sete marcadores, Messi conseguiu um ótimo domínio e encontrou espaço para arrematar. A bola bateu em Giménez, responsável por um desarme salvador pouco antes, e tirou Muslera da jogada.
Os problemas, no entanto, começariam antes do intervalo. O excesso de vontade de Dybala se misturou com imprudência e o novato foi expulso com o segundo amarelo. Saiu de campo às lágrimas, mas bastante aplaudido. A desvantagem numérica fez a Argentina se retrair, dependendo ofensivamente da individualidade de Messi, Di María e Pratto. Não funcionou tanto. Enquanto isso, o outro dono do time começou a se sobressair. Mesmo tentando pressionar, o Uruguai era pouco efetivo. Luis Suárez e Cavani não tinham brechas. Méritos da defesa coordenada por Javier Mascherano, em noite estupenda na combate e também na saída de jogo – como na própria jogada do gol, iniciada por ele. Segurança imensa, que perdurou até o apito final.
A vitória argentina vale bastante pela história do clássico, pelo emparelhamento na tabela das Eliminatórias. Mas o maior significado vem para o início do novo ciclo. Independente da bagunça em que se encontra a AFA, a Albiceleste retoma os seus rumos. Tenta se refazer de mais uma decepção em finais, confiando em suas velhas referências, em novas promessas e em um novo treinador. E, ao contrário do que poderia indicar depois da derrota nos Estados Unidos, Messi não vai se esconder. Nesta quinta, ele comprovou que volta com força.
Pela América do Sul
No restante da rodada das Eliminatórias, além da vitória do Brasil, o destaque fica com o Paraguai. A Albirroja precisou de apenas 10 minutos para resolver o duelo com o Chile, vencendo por 2 a 1 no Defensores del Chaco e mantendo a invencibilidade em casa. Os guaranis estão com os mesmos 12 pontos dos brasileiros, atrás apenas no saldo de gols. A Colômbia fez sua parte contra a cambaleante Venezuela, liderada por James Rodríguez. O camisa 10 abriu o placar e ainda serviu a assistência para fechar a conta em 2 a 0. Já a Bolívia, apesar dos 93 nomes convocados inicialmente, conseguiu derrotar o Peru sem maiores sobressaltos, por 2 a 0 em La Paz.



