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Nilmar enfim mostrou a que veio, mas êxtase da virada não pode ofuscar erros do Inter

A Libertadores é uma competição que não permite erros. O Internacional, bicampeão do torneio nos últimos 10 anos, sabe bem disso. Entretanto, a competição sul-americana também costuma premiar a vontade dentro de campo. E, por mais que os colorados tenham errado muito nesta quarta, sua garra (e também um bocado de sorte, convenhamos) garantiu uma vitória heroica no Beira-Rio. Em noite de duas viradas no placar, os gaúchos conseguiram bater o Emelec por 3 a 2. Jogaço estrelado por Nilmar, que relembrou o ídolo de outros tempos, ainda que tenha suscitado a velha desconfiança.

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O atacante teve a sua melhor atuação desde o retorno ao Inter. Comandou um ataque bastante jovem e leve, tendo o apoio de Eduardo Sasha e Vitinho. Mais do que isso, assumiu o papel de protagonista, diante da pressão pela virada no segundo tempo e da lesão de D’Alessandro no final do primeiro. Apareceu muito bem para aproveitar a jogada do argentino e abrir o placar aos 11 minutos, arrancando como em seu auge.

Nilmar também teve todos os méritos no lance do segundo gol, o de empate, quando deu um passe espetacular para Alex apenas estufar as redes. E poderia ter anotado um lindo gol de cobertura para virar o placar, impedido por uma grande defesa de Dreer. A torcida colorada sabe que não contará mais com o atacante fulminante de tempos atrás em sua totalidade. Mas o poder de decisão do camisa 7 já basta, e era isso que faltava a ele demonstrar no retorno a Porto Alegre. A dúvida, como sempre, está na capacidade física do jogador. E, neste ponto, ele voltou a preocupar, sentindo uma lesão durante os minutos finais.

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Outro problema do Inter é que só a estrela de Nilmar não serviu, diante da partida pavorosa de seu sistema defensivo. O Emelec finalizou metade das vezes no primeiro tempo, mas marcou o dobro de gols. Aproveitou a frouxidão da proteção na cabeça de área, assim como os enormes espaços da linha de zaga. Burbano empatou o jogo após driblar Alisson, enquanto uma bobeira de Alex, frio demais após substituir D’Alessandro, permitiu o contra-ataque do gol de Mena, já nos acréscimos da primeira etapa.

A desvantagem no placar deixou o Inter mais aceso para o segundo tempo. A vibração começava no banco de reservas, onde D’Alessandro empurrava o time, mesmo sem poder ter a bola. A insistência valeu o terceiro gol, nascido a partir de um escanteio, com Réver aproveitando a sobra aos 37 do segundo tempo. Porém, o Inter continuou falhando na defesa durante toda a etapa complementar. Tanto que Alisson, com uma grande intervenção, e os erros de arremate dos equatorianos impediram o Emelec de anotar o terceiro gol bem antes da virada.

No fim das contas, o Inter segurou a excelente virada. De uma partida que, em certo momento, parecia custar pontos vitais, os colorados conseguiram dar um passo importante rumo à classificação. Mas o êxtase do ótimo resultado não pode tirar a lucidez da equipe. Por mais que tenha as suas virtudes, o Emelec está longe de ser um dos adversários mais temíveis, ainda mais longe do George Capwell. E, dando muita sopa ao azar, o time de Diego Aguirre se safou de não sofrer mais gols. A raça no ataque faltou na defesa, exposta e pouco concentrada. Pelo que fez no segundo tempo, Alisson foi essencial.

Dever de casa feito, o Internacional tira grande parte do peso que poderia ter sobre as costas. Agora precisa dar o troco no The Strongest dentro do Beira-Rio, além de tentar arrancar o máximo de pontos nas visitas a Santiago e Guayaquil. Sua principal missão agora, contudo, é tentar reduzir ao máximo seus erros, para que sue menos e também dependa menos da sorte.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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