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Não existe formato misto: ou é pontos corridos ou é mata-mata

As conversas de bastidores estão vindo a público, e os cochichos são cada vez mais altos. Os clubes discutem a volta do mata-mata para salvar o Campeonato Brasileiro. Mas parece que resolveram dar um novo nome para ele. Falam em criar uma comissão para estudar um formato “misto” com pontos corridos antecedendo fases eliminatórias. Ou seja, um pouquinho de cada um para todos ficarem felizes. O problema é que isso não existe.

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A ideia foi verbalizada pelo presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro de Barros Carvalho, ao site da ESPN Brasil. Depois de exagerar, – “é um consenso que ninguém mais quer que seja assim (pontos corridos)” -, contou que “está em pauta uma mistura de pontos corridos com mata-mata no final” e ainda acrescentou o detalhe que transforma a história em obra de arte: “apenas o Grêmio e mais uns dois preferem só o mata-mata”.

Presidente, não há distinção. Se existe a necessidade de partidas decisivas depois de todos os clubes jogarem entre si, em um, dois ou três turnos, então o sistema de disputa é mata-mata. Como era, aliás, em 2002: 25 rodadas de “pontos corridos”, depois oitavas de final, quartas, semis e a grande decisão. O Campeonato Paulista de 1987 tinha 20 clubes, que disputavam dois turnos (isso, 38 rodadas) e, no final, os quatro primeiros na classificação geral foram para as semifinais (se um time ganhasse os dois turnos, era campeão direto, mas isso não ocorreu). Ninguém disse que era “um formato misto” ou um “retorno aos pontos corridos” após mais de uma década e meia de mata-mata.

A realidade é que os dirigentes perceberam o quanto é difícil vencer um Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Talvez não tenham precisado de todos os 12 anos para concluírem isso, mas já sabem que não vão conseguir o título sem organização e planejamento – o Flamengo de 2009 foi a exceção que confirma a regra. Nos pontos corridos, ficar o torneio inteiro entre a oitava e a décima posição significa fracasso para os grandes; no mata-mata, a possibilidade de se classificar às fases decisivas mascara os erros, e se tudo der certo, a história pode até terminar em título. Em 38 rodadas e premiando quem soma mais pontos, o fator sorte, ou mesmo aquele empurrão da torcida em partidas decisivas, contam muito menos.

O mata-mata é uma ideia absolutamente defensável. Se os dirigentes acharem que um debate amplo sobre o assunto é necessário, nada nos impede de tê-lo. Trocar ideias não machuca ninguém. Mas serão necessários argumentos melhores do que dizer que “é uma forma de dar mais emoção à competição, com mais gente no estádio, mais audiência”. Até porque, um terço disso não é verdade e os outros dois são absolutamente discutíveis. Sem contar que deveriam pelo menos ter a honestidade de chamar as coisas pelo nome ao invés de tentar dourar a pílula: querem a volta do mata-mata e não um meio termo. Não existe um meio-termo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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