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Mergulhado em um caldeirão de Libertadores, o Botafogo lutou, sofreu e venceu o Colo-Colo

O Estádio Nilton Santos pulsava. O palco dos Jogos Olímpicos há alguns meses se transfigurou para a Libertadores. Assumiu completamente a alma do Botafogo, em busca de vida longa na competição continental. O compromisso era difícil. Os alvinegros recebiam o Colo-Colo, pedreira logo na segunda fase preliminar. Mas não houve adversário de peso do outro lado que colocasse em xeque a empolgação dos botafoguenses. Afinal, eles estavam lá para ver o time do coração se impondo. Desejo cumprido, apesar das dificuldades. O Botafogo suou um bocado e levou muitos sustos, mas bateu os albos por 2 a 1, com destaque ao golaço de Aírton. Vitória importante para o reencontro na próxima semana, em Santiago.

O espetáculo se deu nas arquibancadas antes do início do jogo. Os mais de 38 mil presentes fizeram um belíssimo mosaico 3-D, com a imagem de um pitbull (releitura do clássico Biriba) e o alvinegro se alastrando pelo estádio. No alto, lia-se a mensagem: “Lutem por nós”. Pedido atendido, diante do clima contagiante.

Quando a bola começou a rolar, o botafoguense precisou esfriar os seus ânimos. O Colo-Colo demonstrava uma consistência maior e levava alguns perigos. Enquanto isso, o Botafogo era puro ímpeto. Oferecia muita energia em campo, apesar dos erros cometidos. A passagem do tempo foi importante para que os alvinegros acertassem seus ponteiros e começassem a trabalhar melhor a bola. O primeiro gol acabou saindo aos 29, de maneira inesperada: Aírton, que fazia grande partida na marcação, apareceu decisivamente no ataque. Matou no peito e soltou um balaço de fora da área, vencendo o goleiro Justo Villar. O jogo se abriu aos cariocas, que ampliaram 11 minutos depois, em chute de Pimpão que rebateu na zaga e acabou entrando.

A partir do segundo tempo, o Botafogo começou a enfrentar problemas. Primeiro, com a saída de Aírton, lesionado. Depois, pelo gol do Colo-Colo, já aos seis minutos. O chute de Esteban Paredes saiu manso, mas morreu no cantinho, depois de triscar no marcador. O Cacique tinha mais posse de bola, pressionando em busca do empate. Conseguia fazer boas jogadas de ataque, a partir das trocas de passes. E ia criando oportunidades, embora esbarrasse nas defesas de Gatito Fernández. Fisicamente, a queda de desempenho dos cariocas foi notável.

A aflição aumentava. Aos 30 minutos, Jair Ventura decidiu tirar Camilo, que jogava mais recuado e fazia partida bastante voluntariosa. Manteve Montillo, que entrou na posição de costume do próprio Camilo e rendeu pouco. Então, os alvinegros só torciam para o tempo passar. Gatito errou uma saída de bola que quase complicou sua equipe. O Colo-Colo insistia, mesmo sem ser tão efetivo. O jovem Marcelo, um leão no miolo de zaga, se desdobrava para manter a diferença no placar. Já nos instantes finais, os chilenos reclamaram de um pênalti não marcado pela arbitragem. Tiveram que engolir a derrota.

O gol marcador fora de casa dá certa esperança ao Colo-Colo. A vitória mínima será suficiente em Santiago. E, por aquilo que se viu no Rio de Janeiro, os albos contam com uma equipe muito mais pronta, tanto pelo domínio quanto pelo repertório. Independente disso, o que vale é o placar. Neste ponto, o Botafogo foi superior. Na próxima semana, os alvinegros precisam demonstrar o mesmo empenho visto no primeiro tempo para segurar a vantagem. Terão mais uma batalha pela frente.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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