Libertadores

Tite perde a oportunidade de abrir o jogo sobre Gabigol, mas compensa com Allan

Treinador do Flamengo desconversou ao ser perguntado sobre sequência do atacante e falou sobre outros temas na coletiva

A coletiva do professor Tite após a vitória por 3 a 0 sobre o Millonarios, pela Libertadores, contou com emoção, ao revelar os passos de Allan rumo à recuperação e volta por cima no Flamengo. Acompanhado do atleta, ele também deu declarações importantes sobre as nuances da equipe dentro e fora de casa. Na hora de tirar o dez e abrir o jogo sobre Gabigol, contudo, ele desconversou.

O que Tite disse durante a coletiva?

  • Se emocionou com a recuperação de Allan, que também explicou sobre todos os passos do processo;
  • Desconversou sobre Gabigol, que reencontrou a torcida do Flamengo pela primeira vez desde o incidente da foto vazada com a camisa do Corinthians;
  • Elogiou David Luiz, que deve ser mais utilizado com a saída de Fabrício Bruno;
  • Explicou, em três oportunidades, as principais diferenças entre o Flamengo que joga no Maracanã e fora de casa.

E o Gabigol, Tite?

— O mesmo processo, o mesmo trabalho. São características diferentes, mas o Gabi está sendo preparado para voltar ao mais alto nível.

Se Tite preferiu não falar sobre Gabigol, abriu totalmente o jogo com a recuperação de Allan. Ao lado do volante, que também se mostrou emotivo com a volta por cima, o treinador explicou que fez trabalhos específicos com o atleta antes do retorno em definitivo aos gramados.

— É um conjunto da obra, não é uma coisa isolada. Se ele não tivesse a grandeza moral de a gente mostrar para ele, eu, o preparador físico. A gente dizia assim: “ó, a gente quer esse Allan, o Allan de hoje não é o Allan que conhecemos”. Nós temos que recuperar. Sermos francos, sinceros e dizer do jeito que nós falamos. Se não tiver a grandeza, não flui. É aquela situação atrás dos panos, que às vezes os caras pensam que ser técnico ou ter uma comissão técnica é escalar e treinar. Ela tem uma série de fatores, a gente quer a excelência — explicou.

— E trouxe pra ele, a gente quer esse Allan. O Allan do Atlético-MG que fazia essa recuperação, que tinha essa marcação… Aí ele olhou e ele se emocionou. Humanamente ele se emocionou. Mas ele teve a hombridade. Dissemos assim: “ó, nós vamos te tirar 15 dias, vamos fazer um trabalho específico”. Porque é performance, porque é a exigência do Flamengo. Tem essa exigência, nós temos. O técnico cobra, nós todos, mas foi a consciência que ele teve também — analisou.

Tite e Allan durante a coletiva do Flamengo (Foto: Gui Xavier/Trivela)

Léo Ortiz, Fabrício Bruno e os sonhos

Além de David Luiz, muito elogiado por Tite, Léo Ortiz também parou para falar com a imprensa na zona mista. Perguntado sobre a saída de Fabrício Bruno, o defensor foi sincero ao afirmar que as oportunidades aparecem a vão embora.

— Com o Fabrício, sobre a negociação, eu falei muito pouco, é uma coisa dele, também acredito que nesses momentos muita gente pergunta, muita gente fala, então a cabeça do cara às vezes fica muito cheia, então eu procuro não falar tanto para também não atrapalhar em relação a isso até — disse.

— Vivi uma negociação recentemente e durou, então sei como muita gente fala e mais torço para que seja para o bem dele. Se for um sonho para ele também, ele já deixou claro isso, já externou isso, então a gente sabe que sonhos às vezes não batem a porta duas vezes. Então torço pela felicidade dele, se for o melhor para ele que ele vá, e a gente vai ficar na torcida sempre se isso acontecer — disse.

O camisa 3 ainda falou sobre a questão da competitividade na zaga com a saída de Fabrício Bruno. Agora Léo Ortiz será titular, mas vê David Luiz e o jovem Cleiton fortes na briga, ainda mais enquanto o xará Pereira está entregue ao departamento médico.

— E sobre a disputa pela vaga, mesmo com o Fabrício já seria uma disputa muito boa com quatro, cinco jogadores, até o Cleiton também, que é um jogador da base que tem muito futuro também. Então, vai ser uma briga boa onde todos vão dar conta do recado, independente da competição que for — finalizou.

O próximo desafio do Flamengo será pelo Campeonato Brasileiro, no próximo domingo (02), quando Tite e companhia enfrentarão o Vasco da Gama, pela sétima rodada. A bola vai rolar no Clássico dos Milhões a partir das 16h (de Brasília), no Maracanã.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Elogios a David Luiz

— O David dispensa comentários, pela história, a carreira que tem. Nos ajuda muito dentro e fora de campo. Isso agrega, ele é um dos líderes desse elenco. Grande atleta. Jogou muito hoje. O Flamengo está acima dos nossos nomes, é deixar o atleta mais confiante.

Momento do Flamengo e desempenho do jogo

—  É um calendário apertado e tem uma série de jogos que eles tiveram com detalhes importantes. A responsabilidade que poderíamos ter classificado em primeiro, mas tem toda uma circunstância em torno disso.

— O desempenho do jogo, tua pergunta sintetizou, (teve) supremacia, da posse, do número de finalizações, marcação agressiva leal, antecipações. Uma consistência num 2, 3 de construção e finalização. O adversário tentou fechar a defesa e ainda assim conseguimos colocar o volume. Com participações estratégicas efetivas importantes, como foi o Allan. Sabíamos que ele ia articular. A iniciação de fazer essa fluidez maior e teve essa consistência na vitória.

Mais sobre a parte tática

— Tem duas formas. Ela (a equipe) pode jogar com dois velocistas do lado ou pode jogar com um jogador de articulação. O momento é de um jogador de articulação. O momento é Gerson do lado e fazer essa composição no quarteto de meio de campo que te dá muita posse. Eu não quero usar um termo de boxe, mas ele fica “jabeando” o adversário. Inverte o lado e posse, aí o adversário corre para o lado e aí incha a perna, vai para o outro. E aí trabalha curto e vai criar oportunidades. Então é esse o momento dessa equipe.

É melhor como mandante?

— Ela (equipe do Millonarios) não quer jogo, mas quer contra-atacar, e nós criamos. Um psicólogo pode falar isso melhor, e todas as equipes quando jogam em casa, perto do torcedor, elas têm um índice de aproveitamento, de performance melhor. É uma coisa pra psicologia explicar, mas é um aspecto de confiança e do carinho que o torcedor tem. É um componente. Então, daquela situação (jogo na Colômbia, com altitude) Para essa… Havia umidade, eu soava sentado, então não dá para contextualizar. Um gramado, aqui flui. Lá (a grama) tranca a jogada de velocidade, quando a bola chega nos meias, vem pipocando. Você recebe uma bola de costas e ela vem viva. Tu trabalha em dois, três tempos, tira a velocidade do jogo. Então é uma série de aspectos.

Carinho da torcida

— Às vezes, a gente pontua isso e muitas pessoas acham que é desculpa, mas não. É complicado jogar num gramado diferente, calor, enfim, linha baixa. E aqui é diferente. O carinho da torcida empurra a gente, é como ele falou, vai ficar repetitivo aqui.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.
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