Frustrações, insistência e o acaso formaram Palmeiras que desafia o River Plate
Palmeiras chegou a um time-base usando quatro dos 12 reforços deste ano
O Palmeiras flertou com crises profundas em mais de um momento nesta temporada. Mas nem perder uma final estadual e uma vaga para o Corinthians na Copa do Brasil foram suficientes para matar o time em 2025.
Mesmo frustrada e protestando intensamente, a torcida aos poucos foi tendo de se render a um pensamento que parecia lógico: com jogadores chegando, a tendência era o time se encaixar e melhorar.
E quando ficou claro para os detratores que o técnico Abel Ferreira também não iria deixar o clube, uma trégua se estabeleceu, os xingamentos cessaram e o Allianz Parque voltou a jogar junto.
A mudança no estilo, valorizando aproximação e troca de passes constantes, também foi começando a ganhar forma, deixando para trás o jogo centrado nas individualidades de Estêvão e Ríos.
E foi mudando a escalação, apostando em soluções pouco óbvias e encontrando um ataque no segundo tempo de um jogo esvaziado que o Palmeiras se transformou para chegar em alta ao confronto com o River Plate nesta quarta-feira (17) em Buenos Aires, pela Copa Libertadores.
Hoje, Abel tem até um time-base ideal:
Weverton; Khellven, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Aníbal Moreno e Lucas Evangelista; Facundo Torres e Felipe Ânderson; Flaco López e Vitor Roque.
Defesa estável ganhou novidade
É no setor defensivo que estão os três jogadores inquestionáveis de Abel Ferreira: Weverton, o capitão Gustavo Gómez e o lateral-esquerdo Piquerez. Carlos Miguel chegou ao clube para disputar lugar com Weverton. Mas não por enquanto.
Na lateral-direita, após as saídas de Marcos Rocha e Mayke, Giay vinha dando conta do recado e fazendo um bom ano. Mas, aos poucos, Abel foi dando espaço para Khellven, que se firmou.
Com atuações convincentes em apenas seis jogos com a camisa do time (quatro como titular) e só 17 minutos jogados na Libertadores, Khellven vai começar o jogo no Monumental.
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Saída de Ríos e perdão formaram dupla de volantes

Para 2025, o Palmeiras foi buscar Emi Martínez, um jogador da seleção uruguaia. As saídas de Zé Rafael, Gabriel Menino e Ríos demandaram investimento. O único que parecia certo no setor era Aníbal Moreno.
Ao contrário de 2024, porém, o argentino fazia uma temporada irregular, perdendo espaço para Martínez em mais de um jogo. Até a fatídica cabeçada em Martínez, do Corinthians, no segundo jogo das oitavas da Copa do Brasil.
Poderia ter sido o fim da linha para o camisa 5. Mas Abel o manteve. E com quatro boas atuações seguidas, incluindo contra o mesmo Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, ele se garantiu.
Já Evangelista veio como substituto para a saída de Ríos, que era pedra cantada desde o ano passado. E, desde o fim do Mundial, vinha jogando um futebol correto, mas nada para encher os olhos.
Até que o Palmeira contratou Andreas Pereira. Foram dois jogos de Lucas com a sombra do ex-jogador do Fulham. Coincidentemente, os dois melhores do volante no clube: Corinthians e Internacional.
Meio se valeu de lesões para se formar
Hoje, dá para dizer que os dois meias do Palmeiras serão Felipe Ânderson e Facundo Torres. O ex-Menino da Vila é incontestável, mas penou para achar um lugar.
Entre lesões, desgaste físico e um sumiço mal-explicado durante o Mundial — jogou na estreia e, depois, nem um minuto mais — ganhou a vaga ao fazer o gol da vitória sobre o Botafogo há um mês. Desde então, foi titular em cinco dos seis jogos do time, e apenas sobe de produção.
Já Facundo entrou no vácuo deixado pelas contusões de Veiga e Maurício. Com sua boa recomposição, é a opção segura de Abel para a partida, embora possa perder a vaga no futuro. Deu assistência na goleada sobre o Inter.
Uma dupla pouco imaginada

No Palmeiras desde 2022, Flaco López vem se tornando uma opção consistente desde 2024. Mas sempre esteve à sombra de atacantes com mais moral, como Rony e Endrick. O argentino não se ajudava. Tropeçava na bola, perdia gols fáceis e não se tornava confiável como o último finalizador, o camisa 9.
Neste ano, contudo, vinha crescendo de produção, mesmo como 9, chamando a atenção de Lionel Scaloni, na seleção argentina. Mas, mais uma vez, Flaco estava à sombra de um colega mais badalado: Vitor Roque. Não ameaçava o recém-chegado, mesmo evoluindo.
Roque, por sua vez, se aclimatava, mas não chegava ao patamar imaginado. Até o segundo tempo de um Palmeiras X Ceará em um Allianz gelado e esvaziado, há um mês e uma semana. Quando Flaco entrou como segundo atacante, fazendo dupla com o camisa 9.
Naquele dia, nascia a dupla Flaco-Roque, que já entrou junta em campo seis vezes e nunca perdeu: ganhou quatro e empatou dois, com dez gols (seis de Roque, quatro de Flaco) e quatro assistências (todas de Roque).



