Brasil

Carlos Miguel no Palmeiras: O que a coletiva de apresentação revela sobre o novo reforço?

Novo camisa 1 do Palmeiras não hesitou na hora de encarar a imprensa pela primeira vez como jogador alviverde

Quem ouviu a entrevista do goleiro Carlos Miguel ao “PodPah”, há cerca de dois meses, teve a impressão de estar diante de um outro jogador nesta sexta-feira (22). O novo camisa 1 do Palmeiras foi apresentado à imprensa na Academia de Futebol, o CT do clube.

É evidente que os tons das entrevistas são completamente diferentes. Saem os entrevistadores descontraídos que mais conversam e abraçam do que de fato questionam ou interrogam. Entram jornalistas dos veículos tradicionais dispostos a arrancar declarações “manchetáveis”.

E o fato de Carlos Miguel ter respondido todas as perguntas sem titubear ressaltou duas características que o jogador sempre teve como suas maiores forças: capacidade de se adaptar e pouco temor de, como se diz na gíria, “meter as caras”.

Carlos Miguel enfrentou tragédias reais

Quem teve os pais assassinados no quarto ao lado, aos sete anos, e morou na rua por duas semanas, aos 16, no início de sua carreira, não vai mesmo se intimidar ao ter de explicar um vídeo cantando que o “Palmeiras não tem Mundial” em um pagode qualquer.

— A torcida do Palmeiras ficou muito feliz, ao contrário dos adversários que divulgaram o vídeo. Um vídeo que eu era imaturo, muito novo. Fiz na bobeira, zoação, coisa de moleque criança. O passado já foi, só tenho a agradecer o que vem pela frente.

Ainda que tal imaturidade tenha acontecido há muito pouco, quando ele já tinha 24 anos. E, mesmo que soe como afago e “media training”, conhecendo a história dele, dá para acreditar que ele é capaz de “virar a página” e aprender rápido com os erros.

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Sem pressa para ser titular do Palmeiras (ainda bem)

Um camarada de 2 metros de altura, que treinava apenas com tempero de miojo no estômago, enquanto tentava a sorte no Bonsucesso, não vai temer disputar posição com Weverton — como já não temeu Cássio e Mats Selz, o titular do Nottingham Forest, considerado o melhor da Premier League na última temporada.

— Vai jogar quem estiver melhor melhor. O Abel (Ferreira) já deixou claro que o Weverton é titular — afirmou.

— O Weverton todo mundo já conhece: a história dele, a carreira, e principalmente o ser humano incrível que ele é. Fui muito bem recebido por ele. A posição de goleiro é totalmente diferente da de jogador de linha. Já disputei de 28 a 30 jogos como profissional e mostrei a que vim. Chegar ao Palmeiras não foi por acaso. Não preciso de muitos jogos para provar meu valor, todos sabem do que sou capaz. Não tenho medo de fazer e nem de falar. Para mim, é um recomeço gigantesco.

Na entrevista coletiva após a classificação para as quartas de final da Copa Libertadores — empate sem gols com o Universitario — o técnico foi além e declarou que nem era para Carlos Miguel já ter chegado ao clube.

— Foi uma oportunidade de mercado que a Leila e o Barros foram buscar. Não era para ele ter chegado esse ano — disse o português.

Ser o melhor do mundo

Carlos Miguel também falou sem dar voltas sobre o retorno que pode ser considerado precoce para alguém que partiu do Corinthians há um ano com ambição de jogar na Premier League para ser o “melhor goleiro do mundo”, como também disse a Igão e Mítico no PodPah.

Até porque, garante Carlos, os ingleses não queriam que ele deixasse a agremiação.

— O clube não queria que eu fosse embora. Ao contrário do que dizem, foi difícil a liberação lá. A decisão foi instinto. Eu escuto muito as coisa. E ouvi: “Vai jogar no Palmeiras, vai ser feliz lá”. Sou capaz de voltar a Europa um dia, eu sou capaz — disse, muito autoconfiante.

— Não tive a oportunidade de jogar lá, apesar de ter recebido propostas de outros clubes da Inglaterra. Escolhi vir para cá. Eu quis o Palmeiras. Não sei se voltarei um dia, o futuro ninguém sabe. Mas quando surgiu a chance de vir para o Palmeiras, eu disse ‘sim’ de imediato, independente da minha história em outro clube. Sou profissional, atleta de alto nível, e quero escrever uma nova história aqui.

O começo, ao menos nas palavras, foi muito bom.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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