Libertadores

O que está por trás do maior all-in de Abel em cinco anos de Palmeiras?

Técnico do Palmeiras mostrou discurso com evidencia de confiança incomum para seu feitio

Abel Ferreira nunca promete títulos no Palmeiras. Em nome dos atletas, garante dedicação e máximo grau de competitividade. Conquistas e vitórias, consequentemente, não.

Depois do empate sem gols contra o Cruzeiro no domingo (26), já quase segunda-feira adentro, o treinador fez mais do que isso. Prometeu “magia“.

90 minutos é muito tempo, preparem-se para uma noite mágica. Convoco nossos torcedores, há muito tempo não peço nada. Do primeiro ao último segundo que não parem de cantar e puxar pelo time. Somos a equipe da virada e do amor. Mais do que nunca precisamos de ajuda. Acredito e tenho fé que algo mágico vai acontecer quinta-feira. Não perguntem como e nem quando, mas é o que eu acredito.

A fala de Abel, sobre a semifinal da Libertadores, tem pinta de papo motivacional, o que é comum em momentos como o atual. Mas, tanto a intensidade, quanto a forma do discurso destoam. Em especial, vindas de Abel.

Para além da necessidade de insuflar o ânimo geral do grupo e da torcida, porém, o discurso do técnico tem lastro em análise.

Em cima de falas e gestos do treinador desde o jogo no Equador, fica claro que a comissão técnica avalia saber por que o time perdeu em Quito (0 a 3). E que entende saber também como e por quais motivos vai virar a eliminatória.

Palmeiras não terá percalços físicos e geográficos

Embora menos alardeada que em outras oportunidades, a altitude de Quito pesou no Palmeiras. Também não ajudaram o time a duração da viagem e as poucas horas de sono.

Abel confidenciou que, exausto, não conseguiu dar o treino da tarde de sexta-feira (24). Tendo chegado ao meio-dia no Brasil, depois de passar a madrugada no avião, o técnico capotou em seu quarto na Academia.

— Se, para mim, que não entro em campo, pesou dessa forma, imagina para os jogadores?

Com três dias de descanso, o técnico está certo de que terá a integridade física dos atletas para o jogo.

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Abel já sabe quais peças trocar

O técnico foi direto: indagado sobre as atuações de Raphael Veiga e Emi Martinez contra a LDU, não titubeou para dizer que Veiga estava em campo para acompanhar Quiñonez. E que o uruguaio estava em Villamil (que fez dois gols).

Ambos perderam suas posições contra o Cruzeiro. O técnico preferiu Fuchs de camisa 5. Se Moreno não voltar, deve seguir titular. E Maurício ocupou o posto que Veiga não conseguiu cumprir.

Ao longo do jogo com a Raposa, o terceiro elo fraco do time no jogo de ida foi identificado. Um cansado e pouco eficiente Khellven deu lugar a Giay, em uma tendência bem cotada para quinta-feira.

Palmeiras terá o esquema “prime”

Ao contrário do que fez na semana passada, o Palmeiras vai jogar em casa ao seu melhor modo. O esquema que venceu Internacional, Juventude, Fortaleza e São Paulo será repetido.

A marcação alta e a blitz nos quinze minutos iniciais são certezas — algo que o Palmeiras não teve caixa para fazer no Estádio Casa Blanca.

A torcida virá junto

A tendência de carga praticamente máxima de ingressos vendidos é grande. Mais de 40 mil pessoas já acompanharam o empate com o Cruzeiro, com apoio ininterrupto.

Abel sabe que o peso da arquibancada é enorme. Não à toa, chamou a Mancha Verde pelo nome após vencer o Juventude, conclamando-os a serem “diferentes”.

Pelo que se viu, será atendido. Todos os jogadores, além de Abel, tiveram seus nomes gritados — algo que não vinha acontecendo sempre, desde a eliminação na Copa do Brasil.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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