Libertadores

Abel Ferreira precisa escolher quais brigas quer comprar no Palmeiras

Técnico do Palmeiras tem muitos elementos para colocar na balança antes de definir quem joga contra o Independiente del Valle

Dependendo do time que levar a campo para enfrentar o Independiente del Valle, no Allianz Parque, às 21h30 desta quarta-feira (15), Abel Ferreira já vai começar o jogo em desvantagem emocional.

Se Rony começar o jogo pela fase de grupos da Copa Libertadores como titular, não é improvável que Abel ouça até alguns indefectíveis gritos de “burro”, algo que nunca aconteceu com ele desde sua chegada ao clube.

A impaciência de parte da torcida com o camisa 10, que já era grande, cresceu desde a segunda-feira (13), quando o atacante disse ao UOL que os torcedores que o criticam não são palmeirenses de verdade. E se tem uma coisa que o palmeirense não tolera é alguém questionando seu sentimento pelo clube.

Quanto vale a hierarquia?

Entre muitas razões, Abel tem o elenco do Palmeiras nas mãos porque respeita a hierarquia dentro do grupo e coloca todos os atletas para jogar, de um jeito ou de outro. Para um jogador importante deixar o time e dar lugar a um Cria da Academia ou reforço, algo muito fora da curva precisa acontecer.

No ano passado, mesmo com Endrick à espera, Rony só foi para o banco depois da queda na Copa Libertadores, diante de um Boca Juniors muito mais fraco. Neste ano, o treinador se aproveitou de lesões de Ríos, Menino e Zé Rafael para firmar Aníbal Moreno, muito embora o futebol do argentino tenha sido impecável desde o primeiro minuto.

Foi assim também com Luan, que só virou titular quando Gómez se lesionou, embora o paraguaio viesse rendendo pouco. E assim que reuniu condições, o capitão voltou ao time.

De cara, entrou como titular na segunda partida final do Campeonato Paulista, que o Verdão conquistou. Veiga saiu do time em um jogo, mas logo retornou, sem passar pelo banco, mesmo jogando muito mal.

Somente com alguns

Todo esse cuidado, porém, vale só para os homens de extrema confiança do técnico. Flaco López, por exemplo, mesmo artilheiro do Paulista, perdeu lugar na primeira necessidade de alteração da formação tática.

Lázaro também perde espaço com facilidade depois de qualquer jogo mediano. E, normalmente, é Rony, que vem em fase complicada tecnicamente desde meados de 2023, quem ganha lugar na equipe. Essa é a hierarquia que o técnico costuma citar em entrevistas ao explicar suas decisões.

Quem está no dia-a-dia do clube é Abel. Quem tem todos os relatórios de desempenho e desgaste físico e emocional é o técnico. De modo que não existe ninguém mais gabaritado que o português para fazer as melhores escolhas. O que não significa que ele as faça sempre ou que seja à prova de falha.

Porque Abel é inteligente e hábil o suficiente para dominar quase todos os processos do futebol do Palmeiras. Mas ainda não entendeu totalmente, tampouco domina, os anseios da arquibancada.

Vide os reiterados pedidos para que a torcida compareça aos jogos em Barueri, que não são atendidos pela maior parte dos palmeirenses habilitados para assistir às partidas in loco.

Torcida é 30%?

Depois da derrota para o Athletico-PR, na mesma entrevista em que disse que não pode ser cobrado por títulos se o time não tiver o Allianz Parque sempre à disposição, Abel exaltou muito a torcida.

Afirmou que o time joga mal em Barueri, entre outras razões, pela falta da energia que vem das arquibancadas. Disse ainda que 30% das vitórias vem dos palmeirenses que vão ao estádio.

É esse o cálculo que Abel tem que fazer, então. Se quer a integralidade do percentual da torcida para as vitórias, é bom avaliar qual é a briga que quer comprar. A esta altura, vale mais a pena descontentar alguns jogadores ou perder parte do apoio?

Abel sempre diz que não pensa em A ou B quando define quem vai jogar.

— Está escrito lá na minha sala, na parede. E nem está ‘equipa’, está ‘time’ mesmo: ‘O que é melhor para o time?’ — disse ele, após a vitória sobre o Botafogo-SP (2 a 1), pela Copa do Brasil.

A escalação titular para a partida desta quarta-feira pode dar muitas respostas sobre o que é “melhor” na visão do treinador.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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