Libertadores

Goleada do Botafogo dá real dimensão do fracasso de Tite e Flamengo na Libertadores

Alvinegro conseguiu cinco vezes em 45 minutos aquilo que os rubro-negros não conseguiram nenhuma vez em 180

O Botafogo passou por cima do Peñarol na última quarta-feira (23), no jogo de ida da semifinal da Libertadores. O 5 a 0 foi construído em apenas 45 minutos, com a equipe do português Artur Jorge mostrando um futebol vistoso. Bem diferente do que aconteceu com o Flamengo de Tite no duelo contra os uruguaios.

O rival carioca quintuplicou a quantidade de gols marcados em cima do Carbonero. A diferença de minutagem só mostra o quão preparado o Botafogo estava para o encontro, mas, também, aumenta o tamanho da derrota rubro-negra.

Diferença de repertório assusta

Os alvinegros tiveram mais chances claras de gol só no segundo tempo, do que o Flamengo teve ao longo dos dois jogos contra o Peñarol. É apenas uma das estatísticas que mostram como o Botafogo foi mais eficiente, incisivo e, acima de tudo, mostrou um repertório ofensivo muito acima do clube da Gávea.

Em Montevidéu, precisando do resultado, a ausência de finalizações perigosas deixou o Flamengo em apuros e consagrou um Aguerre que já tinha sido fundamental no Maracanã. No Nilton Santos, o Botafogo fez com que o mesmo goleiro do Peñarol fosse vazado cinco vezes, mesmo número de toda a Libertadores.

O jogo de volta, precisando do resultado, assim como o glorioso no Nilton Santos, faz com que a diferença seja ainda maior. As 13 finalizações, sendo apenas duas no gol, mostram um pouco disso.

E o Flamengo teve uma posse de bola ainda maior em Montevidéu, ou seja, um indicativo de como o time não conseguia transformar domínio em volume de jogo e, como consequência, em gols.

Peñarol e Flamengo, por Libertadores
O Flamengo foi eliminado pelo Peñarol e está fora da Libertadores (Foto: Divulgação/CAP)

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Gramado e parte mental

Um ponto importante, citado pelos jogadores do Peñarol, foi a grama sintética do Nilton Santos. Gastón Ramírez, por exemplo, explicou que a questão atrapalhou bastante os uruguaios. Ainda que não seja uma desculpa, sua ação foi inegável contra a equipe de Diego Aguirre.

— Não gosto desse gramado. Não vejo nada de positivo nesse campo. Não é desculpa. Até eles em certo momento se sentiram incomodados com o gramado, porque não é um gramado para praticar esse esporte. E agora vamos seguir. Seguir honrando a camisa, seguir lutando por nossos sonhos e, bom, no futebol tudo pode acontecer — disse.

De fato, o gramado sintético é muito diferente do Maracanã ou do Campeón Del Siglo, porém, o Peñarol tinha ciência disso desde que se classificou para a semifinal da Libertadores.

Mais importante que isso foi a fala de Diego Aguirre, sobre a partida. O treinador viu um Peñarol controlando o jogo no primeiro tempo, mas, depois do primeiro gol do Botafogo, a partida desandou de vez.

— Foram dois tempos bem distintos. Um primeiro tempo em que não sofremos muito e o jogo esteve muito controlado. Depois, com o gol deles, tivemos alguns minutos de descontrole e desordem. Mérito deles, que se soltaram e mostraram sua melhor versão. Terminamos sofrendo uma derrota muito dolorosa, porque podíamos perder, mas era inesperada essa diferença. Temos que seguir e nos preparar para o jogo de volta — analisou.

É curioso, pois foi justamente o que aconteceu com o Flamengo nas quartas de final. Se faltou cabeça ao Peñarol quando o Botafogo abriu o placar, o mesmo aconteceu com a equipe de Tite depois do tento uruguaio no Maracanã. O que se viu foi um time inseguro e com dificuldade de concentração para buscar a possível virada. O nervosismo se transmitiu para as arquibancadas e minou de vez as chances de vitória em casa.

Aumenta a decepção do trabalho de Tite

Poderia até ter perdido para o Botafogo na semifinal, como nas duas partidas do Campeonato Brasileiro, teria sido mais digno do que ter sido eliminado por esse Peñarol. No fundo, o alvinegro fez o esperado: amassou um adversário de menor investimento e, como consequência, nível técnico.

As reações nas redes sociais mostra como a passagem do melhor treinador brasileiro dos últimos anos não deixou boas lembranças no Flamengo.

Por mais que ainda tenha a Copa do Brasil para tentar salvar o ano, o Flamengo decepcionou mais uma vez na sua maior obsessão. Nesse ponto, precisará tirar lições do rival, que se reestruturou com seriedade e montou um time extremamente competitivo, muito por conta dos investimentos altíssimos de John Textor.

E quem diria, já que há quatro anos, o Botafogo era rebaixado para a Série B, enquanto o Rubro-Negro era atual campeão da América e se sagraria bi do Brasileirão. O futebol é cíclico, se mantém no topo quem aprende com os erros — e acertos — dos adversários.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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