Libertadores

Como o Peñarol anulou o Atlético-MG e impôs a primeira derrota de Gabriel Milito

Peñarol abdicou completamente de jogar para anular o jogo do Atlético e vencer através de sua principal arma

Depois de 12 partidas de invencibilidade, o Atlético-MG de Gabriel Milito conheceu sua primeira derrota na noite desta terça-feira (14), quando caiu diante do Peñarol por 2 a 0, pela Libertadores. O Galo teve um controle impressionante da posse de bola, mas não transformou isso em superioridade ofensiva, como fez em todos os outros jogos. Isso porque o time uruguaio soube muito bem como anular o time atleticano, e a Trivela examinou como eles fizeram isso.

O Atlético teve 80% da posse de bola contra o Peñarol. Número que já seria impressionante para um jogo em casa, e fica mais ainda quando o jogo é fora, já que não é normal o time da casa abdicar tanto do jogo. Mas, essa foi a exata estratégia dos uruguaios, que funcionou muito bem para anular as principais armas do time de Gabriel Milito e impor a ele a primeira derrota. A Trivela analisou com detalhes como o time de Diego Aguirre conseguiu parar o Galo no Campeón del Siglo.

Atlético teve a bola, mas não o espaço para trabalhar ela

O Peñarol iniciou o jogo com a formação de 5-3-2, justamente com o pensamento de anular a principal arma do Atlético que é a amplitude do campo e a força dos alas. Os cinco defensores se portavam em linha. Três pelo centro, fazendo as marcações de Hulk e Paulinho, e os laterais, com o auxílio de, pelo menos, um dos meias (e às vezes do zagueiro pelo lado) marcaram a amplitude atleticana. Mais a frente, os dois atacantes fechavam a saída de bola dos zagueiros a partir do meio-campo, muitas vezes auxiliando na marcação mais atrás, mas sempre prontos para uma possibilidade de contra-ataque.

O Peñarol simplesmente não teve vergonha de não jogar futebol. O time uruguaio não teve a bola, mas não ligou para isso, pelo contrário, soube jogar. Os Aurinegros deram a bola ao Galo, mas tiraram qualquer espaço do time no campo de ataque. A estratégia era buscar um contra-ataque, seja em erro atleticano ou na recuperação da bola, para tentar o gol.

Méritos do Peñarol, que nos neutralizou muito bem. Não deixava a gente ter profundidade, e, no futebol, se não pode ter profundidade, não consegue marcar. — Gabriel Milito

Outro ponto importante da obediência defensiva do Peñarol foi de sempre ter superioridade em número de jogadores. É comum que o Atlético, principalmente quando gira o jogo, encontre espaços de 1×1 ou 2×2 para seus jogadores. Mas, em Montevidéu, isso não aconteceu. Sempre havia, no mínimo, um jogador a mais dos Aurinegros em relação aos atleticanos próximos à bola.

Um lance que deixa isso evidente aconteceu ainda aos 12 minutos da etapa inicial. Fuchs carregou a bola pela direita e tinha Saravia e Zaracho próximo a ele, mas também quatro marcadores do Peñarol, fechando as possibilidades de passe. O zagueiro então encontra uma boa bola para Alan Franco do outro lado. Em outros jogos, o Galo passaria a ter superioridade nessa hora, mas, assim que domina, o equatoriano já tem um marcador em cima dele, e a única possibilidade de passe é para Arana, aberto na ponta, que também tem um marcador na cola, precisando assim recuar a Jemerson e iniciar a jogada de novo.

O lance que exemplifica como o Peñarol tirou amplitude do Atlético, além da superioridade numérica (Reprodução/ESPN)

Peñarol se descuidou em dois lances

Além de tirar a amplitude, o Peñarol também manteve a estratégia de se defender bem próximo a seu gol, tirando a possibilidade do Atlético encontrar espaços atrás da defesa, já que o Galo tem jogadores bem rápidos e já se beneficiou desse tipo de lance. Foi mais uma ideia de Aguirre que funcionou, mas houve descuido.

No fim do primeiro tempo, o Peñarol se lançou um pouco mais ao ataque e subiu um pouco as linhas. O resultado foi o Atlético criando duas chances. Na primeira, Fuchs lançou Hulk nas costas da defesa e o camisa 7 quase marcou, mas o impedimento milimétrico foi assinalado. No segundo, um contra-ataque, Arana chegou livre na linha de fundo, mas não tinha ninguém na área para finalizar a jogada.

Se o Peñarol se descuido com a questão das linhas altas, a superioridade numérica apareceu para resolver. No lance de Hulk, ele só não finalizou melhor, pois a cobertura apareceu bem. No de Arana, ele recebeu livre para cruzar, mas a área do Peñarol já tinha cinco defensores contra nenhum atacante atleticano.

Milito leu o jogo e povoou mais o meio, mas sem sucesso

No intervalo do jogo, Milito sacou o volante Alan Franco e colocou o atacante Eduardo Vargas. Para quem esperava que isso faria Battaglia, que estava de zagueiro, voltar a ser volante, e Saravia, então ala, fosse para a zaga, se enganou. Os dois seguiram em suas posições, e Zaracho foi deslocado para primeiro volante, enquanto Vargas entrou como uma espécie de segundo atacante, por trás de Hulk e Paulinho.

Como o jogo pelas laterais estava impossível, Milito entendeu que precisava povoar mais o meio, e colocou um jogador de mais qualidade para, quem sabe, ele encontrar algo diferente. Mas, o Peñarol, novamente sem medo de não jogar, se recuou mais ainda, e passou a jogar com uma linha de seis defensores, tirando o espaço do meio também.

Nem a estratégia de Milito em tirar um zagueiro e colocar o jovem Alisson fez efeito, pois o ponta não tinha espaço para driblar e muito menos para uma jogada em velocidade, que são seus dois pontos fortes.

Peñarol ganha o jogo nas bolas paradas

Sem conseguir (e querer) jogar, o Peñarol teve suas chances através da bola parada. Craque do time, Léo Fernandez é especialista no assunto, e o Atlético sabia disso, a final, além de estudar, ele também é velho conhecido do futebol brasileiro, pois atuou no Fluminense recentemente.

Mas, mesmo sabendo do poder de Léo Fernandez, o Atlético lhe deu não só uma, mas três oportunidades de usá-lo, e em todas ele levou perigo. Na primeira, exigiu defensa complicada de Everson. Na segunda, mandou no travessão e o Peñarol marcou no rebote. Já na terceira, o goleiro atleticano defendeu de novo, mas também novamente os uruguaios marcaram na sobra.

O Atlético não conseguiu fazer o seu jogo, e deu ao Peñarol tudo que ele mais queria. Os uruguaios sabiam que a bola parada era a melhor chances de marcara, e assim aproveitaram. Fora isso, criaram uma única vez, em um descuido da zaga atleticana que gerou uma possibilidade de 2×2 (algo que o Galo não conseguiu ofensivamente), com o atacante Sequeira desperdiçando a chance na marca do pênalti.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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