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Coadjuvante em 2015, Pity Martínez amadureceu e se coloca entre as referências do River

Dois anos depois do título histórico, Marcelo Gallardo permanece como o timoneiro. Contudo, o River Plate que sonha em reconquistar a Copa Libertadores da América é bastante diferente do time que colocou os Millonarios no topo do continente em 2015. Dos 18 jogadores que participaram das finais contra o Tigres, apenas três enfrentaram o Lanús nesta terça, no primeiro duelo das semifinais, realizado no Monumental de Núñez: Leonardo Ponzio, Jonathan Maidana e Pity Martínez. Enquanto Ponzio e Maidana permanecem como esteios da equipe, Pity ganhou importância. Reserva naquela época, o jovem agora assumiu o protagonismo que se espera de um camisa 10, amadureceu o seu jogo e se tornou titular absoluto do River. Tão notável que, nesta noite, foi vital para garantir a vitória por 1 a 0 sobre o Lanús.

Antes que a bola rolasse, o Monumental de Núñez entrou em erupção. A goleada sobre o Jorge Wilstermann nas quartas de final parece ter despertado toda a paixão da torcida do River Plate e sua ambição por reconquistar a Libertadores. Algo que esteve latente nesta terça, especialmente no recebimento, com a torcida fazendo um espetáculo impressionante. A saída dos times contou com mosaico, trapos, fogos e fumaça, colorindo as arquibancadas gigantescas em vermelho e branco.

O duelo, entretanto, foi bem mais estudado do que muitos poderiam esperar. A intensidade se vivia pela pegada de ambos os times, mas nem tanto pelas chances de gol, raras ao longo dos 90 minutos. A iniciativa era do River Plate, que dominava a posse de bola e se impunha no campo de ataque. Cabia ao Lanús se defender, mas os grenás cumpriam bem o seu papel, fechando os espaços e dificultando as finalizações dos anfitriões. Nas poucas vezes em que acabou sendo exigido, o goleiro Esteban Andrada correspondeu com segurança. Já do outro lado, os visitantes conseguiam vez por outra dar uma escapada, também sem criar grandes oportunidades.

E neste jogo travado é que Pity Martínez demonstraria o seu valor. O camisa 10, atuando aberto pelos lados e se alternando nas duas pontas, chamava a responsabilidade para si. Aparecia bastante para tentar romper as linhas de marcação do Lanús, demonstrando sua habilidade e sua velocidade. Enquanto Leo Ponzio e Enzo Pérez ditavam o ritmo na organização, o meia-atacante surgia como uma válvula de escape. Nem sempre acertava, mas não deixava de arriscar as jogadas. Além disso, era caçado pelos adversários. O homem da noite no Monumental, oferecendo muita energia e vontade, como já tinha feito contra o Jorge Wilstermann.

Durante o início do segundo tempo, o River Plate voltou aceso para o campo. Passou a martelar bem mais e perdeu as ótimas ocasiões que não havia gerado na primeira etapa. Scocco chegou a ser travado dentro da área, enquanto Javier Pinola acertou a trave. No entanto, a partir dos 15 minutos o jogo voltaria a cair de ritmo. O Lanús parecia confortável com o empate na visita a Núñez. Para que o zero saísse do placar, era necessário um lampejo. E ele veio aos 36, com contribuição de Martínez, assim como do jovem Nicolás de la Cruz, irmão caçula de Carlos Sánchez, que saiu bem do banco. Após passe do uruguaio, Pity chutou cruzado, o goleiro Andrada defendeu parcialmente e a bola sobrou para Scocco guardar. No restante do tempo, os Millonarios ainda reclamariam de um pênalti. Usado pela primeira vez na América do Sul, o VAR não foi acionado na noite.

A vitória oferece uma vantagem oportuna ao River Plate para visitar La Fortaleza. E deixa em evidência a qualidade de Pity Martínez. Durante a janela de transferências, o camisa 10 chegou a ser sondado pelo Sporting, mas foi mantido em Núñez. Os Millonarios sabiam de sua importância na empreitada em busca do quarto título na Libertadores. O meia corresponde à confiança. Aos 23 anos, está bem mais consciente de suas ações e preparado para se colocar entre as referências da equipe. Difícil dizer o que o futuro reserva ao jovem. Mas o torneio continental serve como um enorme trampolim ao seu talento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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