Queda do Botafogo na pré-Libertadores é reflexo de caos administrativo e elenco mal planejado
Crise fora do campo impactou formação do grupo de jogadores do Botafogo, eliminado pelo Barcelona de Guayaquil na Libertadores
O Botafogo está fora da Libertadores 2026. Nesta terça-feira (10), o time carioca perdeu para o Barcelona de Guayaquil, 1 a 0, no Nilton Santos e, como a ida terminou 1 a 1, acabou eliminado na última fase antes dos grupos. A queda do Glorioso é um claro reflexo do caos administrativo do clube, impactando diretamente no planejamento para este ano.
John Textor, administrando o clube por decisão judicial desde outubro do ano passado, pagou o preço por uma gestão sem responsabilidade financeira e o Bota se viu asfixiado financeiramente. Atrasos de salário, um transfer ban de mais de R$ 100 milhões (já derrubado), pressão política do associativo e dentro da SAF foram alguns dos fatos em poucos meses de 2026.
Tudo isso com a temporada iniciando mais cedo este ano, com o Brasileirão começando também em janeiro. O cenário turbulento trouxe ainda mais pressão aos jogadores e ainda atrapalhou a formação do elenco.
Sem opções, técnico do Botafogo precisa improvisar

Apesar de ter anunciado Martín Anselmi logo no fim de 2025, com tempo para entender o estilo de jogo, o treinador argentino precisou quase sempre de improvisações para poder implementar sua filosofia. Preferindo um atacante de velocidade, o comandante utiliza Matheus Martins, um ponta de origem, improvisado, em vez de Arthur Cabral, um camisa 9 mais fixo.
Martins muitas vezes se coloca em condições de gols por sua mobilidade, mas desperdiça as chances na mesma medida.
Adepto a uma linha de três zagueiros, mesmo sem ter três opções para a zaga disponíveis, o técnico opta por improvisar o lateral Mateo Ponte nesse trio, como fez frente ao Barcelona, ao ter que escalar uma linha com quatro defensores. Agora, com a chegada de Ferraresi após a queda do transfer ban, poderá, enfim, ter três zagueiros de origem.
Alex Telles, de ala, subindo para ficar bem aberto na ponta, também não é potencializado, pois tem características de qualidade no passe, não de velocidade ou mano a mano.
O ponto mais sensível, que não é culpa de Ansemi, é o gol. A gestão do Botafogo acreditou que Neto e Leo Linck dariam conta de serem os goleiros do time. Não deram. O primeiro, experiente, acumulou falhas até ser substituído pelo ex-Athletico, que também comete muitos erros, inclusive nesta terça.
Em um chute na meia-lua, com muito espaço dado pelos dois volantes, Linck aceitou um chute que dava para defender, afinal, tocou na bola antes que ela estufasse as redes.
Tudo isso também tem responsabilidade pelas dificuldades financeiras do clube, que planeja uma nova recuperação judicial pela SAF. O torcedor do Glorioso não tem culpa, mas, pelo dono do clube, precisará se contentar com a participação na Copa Sul-Americana nesta temporada.
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Botafogo sofre com retranca do Barcelona no 1º tempo
As estatísticas de 82% de posse de bola e 12 finalizações ao fim do primeiro tempo não ilustram exatamente como foi o período. Óbvio, o Glorioso ficou no campo de ataque a maior parte do tempo, com o adversário se fechando, mas a equipe mandante encontrou várias dificuldades para infiltrar em um time muito bem fechado.
Dos 12 chutes, só dois exigiram defesas do goleiro — um de fora da área de Alex Telles, encaixado, e outro de bico de Matheus Martins, dentro da área, espalmado. As jogadas que mais levaram perigo foram cruzamentos na segunda trave, que a defesa equatoriana foi bem em afastar.
O Barcelona, efetivo, marcou no único chute certo que teve. As outras tentativas, de fora da área, nem assustaram.

Glorioso melhora e peca na finalização
O Botafogo voltou com intensidade, personalidade e querendo mudar a realidade do jogo. Logo nos primeiros minutos, Alex Telles mandou uma falta no ângulo e o goleiro Contreras brilhou, iniciando uma série de defesas que o fizeram ser eleito o melhor do jogo. Depois, voltou a salvar chute de fora da área de Martins e cabeçada de Arthur Cabral na pequena área.
Ainda teve as tentativas fora do alvo, como Vitinho na frente do arqueiro por cima do gol e cruzamento de Martins com perigo que ninguém tocou. O Barcelona, que poderia ter ampliado com chute que Linck soltou, avançou pela força de sua defesa.



