Medo e indignação: os bastidores da épica noite do Botafogo na Libertadores
Tensão e alívio marcaram a classificação do Botafogo no estádio Centenário
O Botafogo viveu uma noite épica para garantir a classificação para a final da Copa Libertadores. No Centenário, palco histórico do futebol sul-americano e mundial, o time de Artur Jorge perdeu para o Peñarol por 3 a 1, mas avançou para a sua primeira decisão pela competição continental.
E isso tudo em meio a um misto de emoções dentro e fora de campo.
O que começou com apreensão e tensão na chegada ao Centenário, passou por um certo drama e medo durante o jogo e se transformou em alívio e festa após a confirmação da vaga na Copa Libertadores.
Violência no pré-jogo
Mesmo com o reforço na segurança do próprio clube e com o esquema organizado pelas autoridades do Uruguai, com quase mil policiais trabalhando na operação do jogo, o Botafogo, assim como a sua torcida, foram alvos da violência de torcedores do Peñarol, que apedrejaram quatro ônibus na chegada ao Centenário. Foram dois ônibus da delegação do Botafogo e dois de torcedores.
Apesar de ninguém ter ficado ferido, o fato gerou indignação no técnico Artur Jorge. Enquanto Adryelson tentou minimizar a situação e reforçar que o elenco estava focado no jogo, o treinador fez questão de ressaltar que a violência fora do estádio afeta, sim, os jogadores.
– Não é fácil fazer essa blindagem. Chegamos no estádio com vidros quebrados e jogadores atingidos por pedras no ônibus. Temos que afastar isso e olhar para aquilo que é o jogo, porque nós viemos aqui para disputar e vencer o jogo e avançar na eliminatória. Mas a verdade é que os ataques têm impacto. As pedras que entraram no ônibus mexem no subconsciente dos atletas, portanto não podemos abdicar de falar sobre isso – disse Artur Jorge.
Em campo, a tensão também ficou visível, com jogadores nervosos no banco de reservas e os seguranças a postos perto do gramado do Centenário.
No intervalo da partida, após um princípio de confusão entre os jogadores dos dois times, que acabou gerando a expulsão do goleiro Aguerre, do Peñarol, sete seguranças do Botafogo entraram em campo para proteger os atletas alvinegros.

A Trivela apurou que, geralmente, o Botafogo viaja para jogos fora de casa com quatro ou cinco seguranças particulares. Pelo clima criado para a partida da última quarta-feira, o clube veio para Montevidéu com mais de 12 seguranças.
Além dos jogadores e dirigentes, até a equipe de scout do Botafogo, que ficou alocada na tribuna de imprensa do estádio, também contou com seguranças.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O medo de Barboza no Centenário
Com a classificação encaminhada com a goleada no jogo de ida, o técnico Artur Jorge deixou quatro dos cinco jogadores pendurados no banco de reservas. Apenas o goleiro John foi titular.
No entanto, com a pressão do Peñarol durante o segundo tempo, Artur Jorge se viu obrigado a colocar em campo o zagueiro Alexander Barboza, que poderia perder a final da Libertadores caso levasse um cartão amarelo.
Barboza, no entanto, conseguiu passar ileso. E ainda foi importante para o Botafogo nos minutos finais de jogo, com ótima atuação, principalmente no jogo aéreo. Depois da partida, ele admitiu o receio com a possibilidade de receber um amarelo.
– Quando o Artur me chamou, eu fiquei com muito medo. Eu queria entrar, ajudar meus colegas, meu time, mas também tinha medo de tomar um amarelo e perder a final. Tratei de jogar com calma, e acho que o terceiro gol deles, olhando a jogada de novo, eu modero a minha velocidade e meu ímpeto para chegar na bola, e o jogador encontra um espaço para colocar a bola por cima. Eu acredito que, se eu não tivesse dois amarelos, essa jogada seria outro contra-ataque para gente – afirmou Alexander Barboza.
A tensão também se viu em uma discussão entre jogadores do Botafogo na reta final da partida. Perto da linha lateral, o zagueiro Adryelson, que estava em campo, discutiu com Marçal, que estava no banco de reservas. O episódio foi minimizado depois do jogo.
– Ele estava só orientando alí. A gente se desentendeu um pouco, mas era só para orientar a linha defensiva. Mas está tudo certo, faz parte do contexto do jogo, ele só estava querendo ajudar – disse Adryelson.

Artur Jorge tem festa com a torcida do Botafogo
O apito final da partida, em meio a pressão do Peñarol, que, vale ressaltar, nunca chegou perto de reverter o placar do jogo de ida, gerou um alívio para os jogadores e torcedores do Botafogo, que comemoraram muito a classificação ainda no campo.
Após a coletiva do técnico Artur Jorge, já com o estádio praticamente vazio, apenas com a torcida do Botafogo, que ainda aguardava a liberação para deixar o local, o treinador voltou ao gramado do Centenário para comemorar a classificação com os alvinegros e tirar fotos com a sua comissão técnica.
Artur Jorge, é claro, foi muito celebrado pela torcida do Botafogo. E o treinador respondeu reverenciando a torcida.
A torcida do Botafogo segue comemorando aqui no Centenário! Estavam cantando junto com os dirigentes quando o técnico Artur Jorge voltou ao gramado e foi muito celebrado pelos torcedores botafoguenses. @trivela pic.twitter.com/FRQ3XKptYu
— Gabriel Rodrigues (@gabrielcsr) October 31, 2024
Quem também comemorou a classificação com a torcida do Botafogo foi John Textor. Mesmo à distância, o dono da SAF alvinegra esteve “presente” através de uma chamada de vídeo com Thairo Arruda, CEO da SAF. Pelo celular, Textor viu a torcida alvinegra gritando o seu nome.



