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Libertadores: Olha o contra-ataque!

O resultado da partida no Engenhão entre Fluminense e Grêmio passa muito pela postura dos dois times. Abel Braga pretendia manter o espírito tricolor que foi campeão brasileiro em 2012, onde a paciência e as bolas alçadas para Fred fizeram sucesso, ainda que dependessem exclusivamente disso para vencer seus compromissos. Wanderley Luxemburgo, consciente de que precisava provocar uma reação nos gremistas, armou um esquema que priorizava os contragolpes e o controle da bola, ao contrário do proposto pelo Flu, que foi burocrático demais.

Com posse de bola superior (55% x 45%), o Grêmio forçou pela direita e adiantou sua marcação no círculo central, barrando o avanço do meio campo de Abel. Nessa onda que um cruzamento caiu no espaço dividido entre Barcos e o lateral Bruno, que tocou contra a própria meta e abriu o placar para os gaúchos.  Na maioria dos fundamentos, o tricolor imortal prevaleceu. Passes, lançamentos, finalizações e dribles foram os pontos fortes dos visitantes.

Aos poucos a atuação exuberante de Barcos ia construindo uma vantagem incontestável em campo. Deco e Sóbis bem que tentaram ajudar na armação, mas a defesa gremista funcionou muito bem. Ao proteger bem seu território e saber usar bem o tempo com a bola, a formação de Luxemburgo se tornou mais perigosa a cada lance que pegava o Fluminense desmontado lá atrás. O lance do segundo gol foi a prova cabal de que Abel se precipitou demais e não enxergou a margem e o setor onde o Grêmio estava sendo mais eficaz. Barcos não teve dificuldades em entortar Bruno, antes de a bola sobrar para André Santos (impedido) completar.

Ligado e entrando com mais força nas divididas, os visitantes ampliaram com Vargas, em mais uma descida venenosa arquitetada por Barcos, de longe o melhor em campo. Restou ao chileno vindo do Napoli apenas tocar na saída de Cavalieri, que ainda tocou na bola antes de sofrer o terceiro.

Rendido com pouco tempo na etapa complementar, o Fluminense só aguardou o apito final e dobrou a atenção para não levar mais um e tornar o vexame ainda maior. Vitória do lado de Luxemburgo, que teve mais aptidão para resolver o jogo enquanto esteve com a bola nos pés. Dor de cabeça para Abel, que se encontra num esquema deficiente para suportar a pressão de outras equipes sul-americanas. Talvez seja a hora de observar melhor os adversários e não só se limitar a prestar o papel de  “adversário a ser batido”.

Posteriores análises podem revelar que sim, o Grêmio compensou a péssima exibição na sua estreia, tal como os cariocas apresentaram algo na contramão do realizado em Caracas, quando venceram o Caracas. Até aqui, a festa tem sido da visita no grupo 8.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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