América do SulCopa do MundoEliminatórias da Copa

Irresponsabilidade sem fim: Ainda sem quitar pensões, Valencia foi proibido de deixar o Equador

O episódio insólito à beira do gramado do Estádio Atahualpa pode ter sua dose de comédia pastelão, mas não exime Enner Valencia do papel que vem se prestando. O atacante da seleção equatoriana foi irresponsável o suficiente para não cumprir suas obrigações como pai, atrasando o pagamento das pensões alimentícias a sua filha de cinco anos. Que o valor seja alto, está proporcionalmente dentro do que ganha o jogador do Everton. E a dívida só aumenta: nas últimas horas, o débito na justiça ultrapassou os US$ 22 mil, com a pensão de outubro se somando a outras quatro anteriores. Algo inaceitável, ainda mais para quem ganha a cada quatro semanas um salário cem vezes maior que o compromisso mensal com a filha.

VEJA TAMBÉM: Acredite: Acusado de não pagar pensão, Enner Valencia fugiu da polícia no carro-maca

E, apesar da carta apresentada pelo advogado Valencia na última quinta, afirmando que a juíza responsável pelo caso aceitou o imóvel dado como garantia financeira e retirou o mandado de prisão, o imbróglio está longe de ser resolvido. O documento não tinha sido oficializado pelo Sistema Único de Pensões Alimentícias até esta sexta e a polícia seguia atrás do atacante. O jogador permaneceu internado por mais de 24 horas em um hospital de Quito, ao qual foi encaminhado após a partida. Só recebeu a visita de familiares e de seus representantes, enquanto o seu quarto era resguardado por forças policiais incumbidas de cumprirem a detenção.

Valencia só ganhou alta na noite desta sexta, coincidentemente logo depois que o documento judicial foi validado e se retirou a custódia policial. Segundo o informe médico publicado pela Federação Equatoriana de Futebol, o atacante “apresentava sintomas compatíveis com uma síncope”, com perda brusca e transitória do conhecimento, além de taxas baixas de oxigênio e taquicardia. O documento também afirma que o jogador teve uma diarreia nos três dias anteriores ao jogo da seleção, e a desidratação causou a síncope. Ele teria permanecido por tanto no hospital para realizar exames e tomar a medicação pertinente.

Neste sábado, Valencia se juntou à seleção. Entretanto, restam dúvidas sobre a sua presença em La Paz, para o jogo contra a Bolívia na próxima terça. Apesar de retirar o mandado de prisão, a juíza responsável pelo caso comunicou ao departamento de migração que o atacante está proibido de deixar o país. Contudo, na página da polícia federal, ainda não consta o impedimento determinado pela justiça. O advogado de Valencia entregou um cheque de US$ 10 mil como garantia para que ele possa viajar, enquanto a própria federação equatoriana se prontificou a quitar os débitos. Todavia, a permissão depende dos trâmites do processo.

Chamada Trivela FC 640X63

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo