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Grondona banca uma Copa “de raiz” em 2030. Então tá…

A Fifa está às portas de decidir qual país sediará a Copa do Mundo de 2030, que celebrará o centenário da competição. E, segundo Julio Grondona, o eterno presidente da Associação de Futebol da Argentina, não há mais discussão. O cartola afirmou que está tudo certo na entidade internacional para que o Uruguai e a Argentina recebam o torneio.

“A Fifa deseja festejar os 100 anos da Copa do Mundo na Argentina e no Uruguai. Isso eles confirmaram, está firmado”, afirmou o dirigente. Além de ser presidente da AFA, Grondona também é vice-presidente da Fifa e titular da Comissão de Finanças. Cargos que, no entanto, não tiram a impressão de que o cartola foi extremamente populista em sua afirmação. Afinal, por mais suspeitas que isso gere, ainda existe um processo de escolha das sedes do Mundial.

Vale lembrar que a Copa do Mundo de 1930, longe de contar com o exigente “Padrão Fifa”, contou com estádios apenas em Montevidéu: o Centenário, o Gran Parque Central e Pocitos. E é difícil imaginar que o Mundial de 2030 possa contar com palcos em outros municípios uruguaios. Segundo o último censo, a única cidade além da capital com mais de 100 mil habitantes é Salto, com 104 mil. Atualmente, as únicas cidades do interior com times na primeira divisão uruguaia são Melo (51 mil habitantes) e Las Piedras (71 mil).

Na Copa América de 1995, por exemplo, Maldonado, Paysandú e Rivera também receberam a competição, todas com populações entre 75 mil e 85 mil habitantes, além de estádios com capacidade de 22 mil torcedores a 27 mil. Uma opção extra seria Punta del Este, cidade turística que forma área urbana de 135 mil habitantes com Maldonado e San Carlos. Falta, porém, um clube de nível que justifique um “elefante branco” por ali.

No fim das contas, a grande vantagem fica com a Argentina, que poderá receber praticamente sozinha a Copa e dará fluxo a uma política comum com os Kirchner nos últimos anos: a de construir ou reformar estádios em diferentes regiões do país. San Juan e Resistência ganharam novas praças, enquanto Mendoza, Santa Fé, La Plata e Jujuy tiveram seus estádios reformados.

A princípio, a ideia de ter a Copa do Mundo de volta ao Uruguai e à Argentina em seu centenário é animadora, embora custe a acreditar que possa sair do papel. No momento, as economias de ambos os países não parecem fortes o suficiente para sediarem um Mundial sem que o dinheiro público seja despejado na construção de estádios.

Ao menos fica o sonho de uma Copa fiel às suas raízes, dando ainda um tapa com luva de pelica no COI – que preferiu os milhões da Coca Cola ao levar as Olimpíadas de 1996 a Atlanta, e não a Atenas. Isso, é claro, se a Fifa não der ouvidos a Adidas, Sony, Visa ou qualquer outro de seus patrocinadores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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