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Favorito no papel, o Grêmio não soube ser uma equipe

O Grêmio montou um elenco para reconquistar a América. Ganhou a queda de braço por Eduardo Vargas, tirou Barcos do Palmeiras, confiou no currículo de Dida, Cris e André Santos. Uniu as novas peças ao talento de Fernando, à experiência de Elano, à estrela de Zé Roberto. No papel, havia tarimba suficiente para chegar ao menos às semifinais. Entretanto, o Tricolor deixou de lado o mais importante: não montou uma equipe. O quarto dos seis brasileiros que sucumbiram nas oitavas, desta vez para o Independiente Santa Fe.

Por duas vezes, os gremistas conseguiram jogar como reais favoritos ao título: contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, e contra o Caracas, em Porto Alegre. Duas vitórias contundentes, com um futebol envolvente e o melhor de seus astros. Mas foi só. No restante das partidas, Vanderlei Luxemburgo comandou um amontoado de medalhões tentando dar sua contribuição individual. Muito pouco para o nível de exigência da competição.

E isso porque o caminho do Grêmio na Libertadores não foi dos mais rigorosos. Depois de passar pela LDU, o clube foi sorteado em um clube com duas forças evidentes, mas se complicou. Classificado no sufoco, pegou o Santa Fe. Invicto na primeira fase, é verdade, mas nada além de uma equipe bem montada. Justamente o que o time de Luxemburgo não é e que, no fim das contas, demonstrou-se bem mais preponderante para a vitória por 1 a 0 do que colocar vários jogadores de renome em campo.

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O desastre parecia prenunciado desde que a bola começou a rolar em Bogotá. O Grêmio era improdutivo, covarde. Exceção a uma tentativa de Eduardo Vargas, não criou mais lances de perigo no primeiro tempo. Permaneceu retraído, pensando na vantagem obtida em Porto Alegre. Era a deixa para que o Santa Fe se encorajasse e passasse a buscar de maneira mais firme a vaga nas quartas de final.

Na volta do intervalo, contornos ainda mais dramáticos ao Tricolor. Dida era um monumento debaixo das traves, relembrando a forma que o tornou um dos melhores goleiros do mundo na virada do século. Defendeu uma cabeçada inacreditável, demonstrando um reflexo incomum neste fim de carreira mediano. Os gremistas jogavam pelo 0 a 0.

Tamanha falta de coragem não foi perdoada. A pequenez do Grêmio ante a vontade do Santa Fe era evidente. E a fatalidade se deu por consumada a dez minutos do apito final. Wilder Medina colocou em sua mente que ninguém o pararia e rumou em busca do gol. Trombou com a defesa toda dos gaúchos e só se satisfez quando encontrou as redes. Uma cena simbólica pela persistência, que nem de longe foi vista entre os tricolores.

Nos últimos lances da partida, o golpe fatal sobre o Grêmio veio de si mesmo. Sem repertório no ataque, o time de Luxemburgo atacava por desespero. Teve a chance da classificação nos acréscimos, nos pés de Vargas, um dos poucos jogadores de linha que produziu algo no El Campín. Com o gol vazio, o chileno emendou o chute de primeira e mandou a bola nas arquibancadas. O imortal Grêmio definhava na Libertadores.

Peças para se recuperar da queda e ter sucesso na Libertadores, o Grêmio tem. Resta saber como Luxemburgo fará frutificar um trabalho estéril em 2013. Já está mais do que claro que talento e experiência não são, sozinhos, premissas para vitórias. Os tricolores descobriram isso da forma mais dura possível, com a eliminação na competição pela qual mantêm tanto apreço. E de uma maneira que não poderia ter sido mais decepcionante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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