América do SulLibertadores

Estreantes e indolentes

Um time tem 66 anos de existência, é o maior campeão de seu país, já chegou a três semifinais de Copa Libertadores e foi vencedor de uma Copa Merconorte. O outro tem três anos de idade, ganhou apenas uma copa nacional e faz em 2013 a sua estreia em uma competição no continente. A diferença tão grande de currículos só é comparável à disparidade do que estas duas equipes apresentam na Libertadores. Enquanto o vitorioso Millonarios da Colômbia patina, o novato Real Garcilaso do Peru empilha bons resultados.

Em sua primeira participação na Libertadores, La Máquina Celeste corre “sérios riscos” de já avançar ao mata-mata. Em um grupo no qual teoricamente é o pior time, a equipe está invicta e faturou sete pontos em três jogos, sendo seis deles conquistados fora de casa. Ou seja: no segundo turno do grupo 6 a agremiação de Cuzco terá mais dois jogos em seus domínios para, quem sabe, conquistar uma vitória e o avanço.

A verdade é que, mesmo sem experiência alguma, o Real Garcilaso tem dado uma aula de como jogar uma competição deste nível. Ciente de suas limitações e com uma gana invejavél, o time do técnico Fredy García joga num 4-4-1-1 com compactação extrema, marcação intensa e contragolpe rápido. No gol o argentino Carranza é essencial com seu bom posicionamento e reflexo veloz. Nas laterais, Herrera na direita e Santillán na esquerda, auxiliam a experiente dupla de zaga formada pelo paraguaio Bogado, de 28 anos, e “El Cuto” Guadalupe, de 36 anos. Na linha da frente Gamarra na direita e Vildoso na esquerda primeiro acompanham os laterais e meias adversários e depois tentam alguma coisa, enquanto Retamozo e Ortíz defendem a zaga.

Os únicos dois jogadores que têm algum pensamento ofensivo são o meia Ramos e o atacante Ferreira. Os paraguaios são os alvos dos chutões dados pela zaga. Ramos é rápido e também aperta o volante adversário, enquanto Ferreira corre de um lado para o outro tentando marcar presença e tirar o time lá de trás. Nas duas vitórias fora de casa o enredo foi o mesmo: pressão adversária o tempo todo e gol no final. Gols, aliás, dos reservas Ramuá e Salazár. Já em casa a equipe quis propor jogo, mas não foi bem sucedida, o que poderia se tornar um problema nas próximas partidas. O bom é justamente isso: mais à frente os outros é que terão que buscar o resultado e o Garcilaso pode se aproveitar.

Agora… Toda essa garra, aplicação tática e consciência das limitações parece inexistir no experiente e laureado Millonarios. Os colombianos fizeram dois jogos na competição e perderam ambos. Os resultados seriam até aceitáveis, posto que o Millos é inferior tecnicamente ao Xolos de Tijuana e ao Corinthians, mas a forma como a equipe cafetera tem encarado a competição é digna de embaraço.

Nos dois jogos o Millonarios, talvez de ego inflado pelo 14º título nacional e boa participação na Sul-Americana, se limitou a jogar o seu futebol, sem se importar com espírito, luta e o adversário. Desta forma perdeu para o Xolos de Tijuana em casa. E desta forma teve uma atuação vergonhosa diante do Corinthians em um Pacaembu vazio. Não que se esperasse uma vitória colombiana, longe disso, mas o mínimo que um time que enfrenta o atual campeão do mundo precisa fazer é ralar para impedi-lo de jogar. Não foi o que aconteceu. O Corinthians atuou como quis, onde quis e quando quis. O 2 a 0 no placar foi pouco perto da pasmaceira do Millonarios, que só assistiu o adversário.

No 4-4-2 do técnico Hernán Torres, Mayer Candelo, Harrison Otálvaro, Freddy Montero e Wason Rentería foram símbolos da péssima atuação. Caberia ao quarteto criar alguma chance de risco contra o time brasileiro ou então apertar a saída de bola dos volantes ou laterais corintianos. Nada. Nenhum dos quatro fez nada. Paulinho e Ralf jogaram fácil, assim como Danilo e Renato Augusto deitaram pra cima dos laterais e Paulo André e Gil foram soberanos. Não houve um carrinho de Candelo. Não houve um recuo inteligente de Wason. Não teve pressão de Montero e nem posicionamento de Otálvaro. Foram 11 contra 7 e o treinador pouco se incomodou. Assim fica complicado.

Libertadores não é policial com escudo na linha de fundo, nem apedrejamento de ônibus na saída de estádio. É sim, no entanto, um torneio em que garra e aplicação contam demais. Até porque, apesar da diferença técnica ter aflorado mais entre os brasileiros nos últimos anos, em geral todas as equipes têm níveis semelhantes. Um carrinho bem dado, uma colocação acertada, um passo à frente no escanteio… Tudo isso conta. Por isso o Garcilaso consegue uma campanha incrível até aqui. Por isso o Millonarios passa vergonha…

Tuitadas da Libertadores 2013

Grupo 1: O Barcelona até começou melhor, mas o Boca Juniors foi crescendo e no fim acabou sendo mais efetivo. O 2 a 1 contra deixa o time de Guaiaquil em apuros. Nacional, Toluca e Boca devem brigar pelas vagas.

Grupo 2: O Libertad foi absoluto como era esperado e despachou o Palmeiras com segurança. No outro jogo da chave o Sporting Cristal mostrou futebol condizente com a campanha no Peruano 2012. O Tigre parece fora da briga.

Grupo 3: O Atlético Mineiro teve frente ao Arsenal a melhor atuação coletiva da competição. O 5 a 2 foi justo e mostrou o que o Galo tem a oferecer. Já o São Paulo sofreu contra o The Strongest, mas venceu. Os dois brasileiros devem ficar com as vagas

Grupo 4: Um irreconhecível Emelec perdeu por 2 a 0 para o Deportes Iquique e se complicou. Principalmente porque o Vélez venceu o Peñarol fora de casa e se consolidou na ponta. Os dois times têm 6 pontos contra 3 de Iquique e Emelec.

Grupo 5: O Xolos de Tijuana mostrou um futebol maiúsculo contra o San José e venceu por 4 a 0 exibindo muita velocidade e compostura tática. O Corinthians teve uma vitória tranquila frente a um passivo Millonarios.

Grupo 6: A façanha do Garcilaso frente ao Tolima coloca a equipe como a de melhor pontuação entre as que já fizeram três jogos. Uma vitória nos próximos três jogos deve bastar para a classificação.

Grupo 7: Não tivemos jogos nesta semana

Grupo 8: O Fluminense complicou bastante a própria vida, mas no fim acabou vencendo o esforçado time do Huachipato. O grupo segue aberto, mas brasileiros começam a confirmar o favoritismo.

Mais peruanas

No campeonato peruano o Alianza Lima lidera com sete pontos em três jogos após a vitória por 2 a 0 contra o Melgar. Na sequência aparecem Sporting Cristal – que venceu o Cienciano por 5 a 0 -, Real Garcilaso – que não jogou – e Sport Huancayo – que fez 3 a 2 no Universitario. Todos têm seis pontos.

Mais colombianas

– Na Colômbia o Santa Fe venceu o Quindío por 2 a 0 e chegou a dez pontos em cinco jogos, liderando a competição. O Deportivo Pasto, que fez 1 a 0 no Junior, também tem dez pontos, mas em quatro jogos. O Atlético Nacional empatou por 1 a 1 com o Itagüí e agora ocupa a terceira posição.

– O Millonarios é o sexto, com sete pontos em seis partidas após derrota por 1 a 0 para o Once Caldas.

Chilenas

– No Transición do Chile a Universidad Católica ganhou da Unión La Calera por 4 a 0 e se manteve na liderança, agora com 13 pontos em cinco jogos. Os Cruzados são seguidos pela Unión Española, que tem 12 pontos após vitória contra o Huachipato, e pelo Everton, que fez 2 a 1 no Antofagasta e tem 11 pontos.

– O Colo-Colo ocupa a quinta posição com nove pontos após vitória contra o Palestino. Já a Universidad de Chile jogou duas vezes nesta semana: a vitória por 6 a 1 contra o San Marcos de Arica e a derrota por 2 a 1 para o Santiago Wanderers deixam os azules na nona posição com sete pontos em cinco partidas.

Uruguaias

– Na abertura do Clausura 2013 apenas Fénix e Peñarol empataram – 1 a 1 – de forma que há sete líderes com três pontos: River Plate, El Tanque Sisley, Progreso, Wanderers, Danubio, Defensor Sporting e Racing.

– O Nacional não está entre eles porque perdeu por 1 a 0 para o Defensor.

Paraguaias

– No Apertura paraguaio o surpreendente General Díaz lidera a competição com 100% de aproveitamento após vitória por 1 a 0 contra o Sportivo Luqueño e nove pontos em três jogos. O Nacional, que venceu os reservas do Libertad por 1 a 0, tem seis pontos.

– O Cerro Porteño venceu o xará de Presidente Franco por 4 a 2 com o interino Roberto Torres no comando e chegou à sétima posição. O clube procura um substituto para Jorge Fossati, que pediu demissão. Os favoritos são Chiqui Arce, do Rubio Ñu, e Gustavo Costas, hoje no Barcelona de Guaiaquil.

– O Olimpia por sua vez fez 2 a 1 no Guaraní e é o sexto, com quatro pontos em três jogos.

Venezuelanas

– Na Venezuela o Deportivo Anzoátegui tem seis jogos, mas lidera o torneio com 16 pontos após vitória por 2 a 1 contra o Zulia. O Trujillanos é o segundo, com 15 pontos em oito jogos depois de empatar por 1 a 1 com o Táchira. O Zamora é o terceiro com 12 pontos, seguido por Deportivo Táchira, Caracas, Mineros e Real Esppor. Todos têm 11 pontos e todos fizeram sete jogos.

Equatorianas

– Apesar da atuação “floja” na Libertadores, o Emelec lidera o campeonato equatoriano com 100% de aproveitamento. Os Eléctricos fizeram 2 a 1 no Nacional e agora têm 15 pontos em cinco jogos. O Deportivo Quito fez 1 a 0 no Barcelona e é o segundo, com 11 pontos. O Independiente José Terán ganhou do Macará por 3 a 0 e é o terceiro, com 10.

– Com a derrota o Barcelona é o penúltimo colocado, com dois pontos em cinco jogos. A LDU, por sua vez, ficou no 0 a 0 com o Deportivo Quevedo e ocupa agora a sexta posição com oito pontos.

Bolivianas

– O Oriente Petrolero lidera o Clausura da Bolívia com 19 pontos em nove jogos após empate por 1 a 1 com o Nacional Potosí. O Bolívar, no entanto, segue forte na briga. Depois de empatar por 1 a 1 com o Universitario, La Academia também tem 19 pontos, mas em oito jogos. O Jorge Wilstermann é o terceiro, com 18 pontos após fazer 6 a 0 no Aurora fora de casa.

– O The Strongest venceu o La Paz por 2 a 1 e ocupa a oitava posição, com 11 pontos e oito jogos. Já o San José tem 12 pontos também em oito jogos e é o sexto.

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