A Espanha sufocou o Brasil, mas há soluções dentro e fora da lista de convocados
Pressão dos pontas e de Olmo dificultaram saída de bola do Brasil no primeiro tempo; mudanças de Dorival no meio e na lateral-direita corrigiram o problema
Uma vitória contra a Inglaterra em Londres e um empate sofrendo dois pênaltis questionáveis frente a Espanha. Em dois jogos bastante disputados, já dá para dizer que a estreia de Dorival Júnior como técnico da seleção brasileira tem um saldo bastante positivo. Mesmo com desfalques importantes como Marquinhos, Gabriel Martinelli, Alisson e Casemiro, a equipe se portou bem, e mostrou resiliência contra duas das maiores seleções da atualidade. Apesar disso, é possível ver margens para melhora, principalmente, com base no que aconteceu na última terça-feira (26), no empate por 3 a 3, no Estádio Santiago Bernabéu.
Se na vitória por 1 a 0 contra a Inglaterra o confronto foi muito mais vertical, com o Brasil não só jogando melhor, como também criando mais oportunidades e chutando mais na direção do gol, não foi bem assim contra a Roja. Dorival escalou o mesmo time titular da partida do último sábado, mas por atuar de forma muito diferente da Inglaterra, a Espanha evidenciou mais falhas do Brasil, principalmente no sistema defensivo.
Com um meio de campo forte e controla a posse de bola, a Espanha teve também em Lamine Yamal e Nico Williams dois pontos muito fortes. E não só pelas jogadas individuais em velocidade de ambos os pontas, mas também pela forte pressão feita na saída de bola brasileira. Wendell sofreu muito contra o atacante do Barcelona sem a bola, mas também com, assim como Danilo. Mas os maiores problemas na saída de bola também aconteceram por conta do desempenho aquém de ambos os volantes. Bruno Guimarães auxiliou menos do que o esperado na saída de bola brasileira, assim como João Gomes, que ainda fez o contestável pênalti em Yamal para a Espanha abrir o placar.
Aqui, também cabe destacar Dani Olmo. Além de ter feito um golaço, o meio-campista mais adiante lia muito bem os espaços e as jogadas, dificultando ainda mais o desempenho dos volantes brasileiros, que com justiça, deixaram a partida já no intervalo.
Por que o Brasil teve dificuldades contra a Espanha?
Em entrevista coletiva após o jogo, o técnico Dorival Júnior creditou esse problema ao cansaço dos atletas, já que a equipe foi a mesma da partida contra a Inglaterra, e também à viagem para Madri. Para corrigir a situação, o treinador voltou com André e Andreas Pereira, além de Yan Couto, muito mais agudo, na vaga de Danilo.
E foi a partir daí que de fato o Brasil cresceu na partida, e passou a mostrar mais competitividade e bloquear o domínio espanhol. André, mais defensivo, fechava bem os espaços e rodava a bola, enquanto Andreas, que joga mais adiantado no Fulham, deixou a Canarinho muito mais a vontade para chegar à segunda metade do gramado. A entrada de Douglas Luiz posteriormente na vaga de Vinicius Júnior também deu ainda um gás novo e mais qualidade nos passes brasileiros.
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Trocas mostram um caminho a seguir
Por mais que o pisca alerta esteja ligado para a saída de bola do Brasil, ainda há muito o que fazer e testar. O desgaste e a desatenção de Bruno Guimarães e João Gomes estavam evidentes, como dito por Dorival, que poderia ao menos ter testado outro jogador ao menos na função, já que estava ciente disso. Douglas Luiz vem sendo um dos principais jogadores do Aston Villa na temporada, e assim como Andreas Pereira, melhoraria a saída de bola com passes mais verticais ou até mesmo diagonais para laterais mais ofensivos como o próprio Yan Couto.
Vale lembrar que Casemiro, uma das principais lideranças da equipe e com problemas de lesão ao longo da temporada, também poderá ser importante na leitura de espaços com base na sua experiência e na saída qualificada.
Apesar do bom jogo contra a Inglaterra, Danilo também não teve o mesmo desempenho contra uma seleção mais propositiva e rápida. Com 32 anos e atuando como zagueiro na Juventus, o lateral-direito brasileiro precisará não só do apoio dos volantes, como também dos zagueiros, e do próprio goleiro, para desafogar.
Se Bento foi muito bem e justificou a confiança de Dorival embaixo das traves, com a bola nos pés ele ainda não tem a mesma qualidade de saída de Alisson e Ederson, os dois principais nomes da posição na seleção, e que apresentam mais segurança e confiança do que o goleiro do Athletico Paranaense.
Apesar de ter feito um dos pênaltis e tomado um lindo drible de Olmo, Beraldo sai pelo menos de sua primeira data Fifa com a Seleção Brasileira com mais moral. Mesmo participando de lances que deixaram o Brasil em desvantagem, o zagueiro, já treinado por Dorival no São Paulo, seguiu mostrando personalidade e os motivos de mesmo tendo somente 20 anos, estar jogando com frequência também no Paris Saint-Germain.
Quais opções podem surgir nas próximas convocações?
É justamente na zaga onde o Brasil poderá ter mais mudanças e por consequência, ter sua saída de bola afetada. Marquinhos e Gabriel Magalhães, que teoricamente seriam os zagueiros titulares da convocação de Dorival, precisaram ser cortados por lesão. Além deles, o treinador poderá contar com o rápido Éder Militão a partir das próximas convocações e caso queira, finalmente levar Murillo, que vem chamando atenção no Nottingham Forest também pela criação de jogadas individuais, abertura de espaços e passes certos.
Por mais que o Brasil viva atualmente um momento de transição de atletas e afirmação de jogadores ainda em busca de espaço em certas posições, há opções que demonstram em seus clubes motivos para serem chamados. Dorival terá dor de cabeça para melhorar a saída de bola e escalar o melhor time. Cabe ao técnico não só melhorar isso, como também, entender a disponibilidade e disposição dos atletas para não prejudicar a equipe e seus próprios convocados para a Copa América e as Eliminatórias da Copa do Mundo.



