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Diante do brilho da Venezuela, a Argentina ficou satisfeita em arrancar o empate

A Argentina estava ciente dos perigos. Na campanha nas Eliminatórias da Copa de 2014, a Albiceleste sofreu apenas duas derrotas, ambas fora de casa: contra Uruguai e Venezuela. Por mais que a Vinotinto tenha começado mal na competição rumo ao Mundial de 2018, os três pontos em Mérida não estavam garantidos. E, no fim das contas, Edgardo Bauza deve ter ficado satisfeito por arrancar um empate como visitante. Os venezuelanos abriram dois gols de vantagem, mas acabaram sucumbindo a pressão e cederam o 2 a 2. Com o tropeço, os argentinos deixam a liderança das Eliminatórias para o Uruguai.

Sem o suspenso Paulo Dybala e o lesionado Lionel Messi, Bauza compôs o quarteto ofensivo com Erik Lamela e Ever Banega, ao lado de Lucas Pratto e Ángel Di María. Não funcionou na primeira etapa. Di María servia como principal válvula de escape, mas a Albiceleste falhava em concluir suas jogadas. Já a partir dos 20 minutos, a Venezuela começou a crescer. E saiu em vantagem com um golaço de Juanpi Añor, aos 36. O jogador do Málaga recebeu na entrada da área e soltou um chutaço, no ângulo, sem chances de defesa para Sergio Romero.

Na volta para o segundo tempo, a Argentina até demonstrou vontade. Contudo, uma pane geral da defesa permitiu o segundo gol da Vinotinto. Rondón fez a jogada e, com Romero caído, Josef Martínez ampliou para a Venezuela. Era preciso correr contra o tempo. Por sorte, a reação veio rapidamente. Cinco minutos depois, Lamela iniciou o lance e Lucas Pratto finalizou duas vezes para descontar aos argentinos. Foi quando começou a pressão. Bauza trocou Biglia e Lamela por Alario e Ángel Correa, tentando aumentar a capacidade ofensiva do time. O problema é que, do outro lado, a defesa não transmitia firmeza e Peñaranda incomodava nos contra-ataques.

Por fim, a Argentina conseguiu a igualdade aos 38 minutos. A partir de um escanteio cobrado por Di María, Otamendi desviou dentro da área. Os venezuelanos até assustaram na tentativa do terceiro, mas já não havia mais tempo. Para uma seleção que ocupa a lanterna e vinha de uma acachapante derrota para a Colômbia, o resultado não é ruim. O momento promete melhores resultados, com o bom início de trabalho do agora técnico Rafael Dudamel desde a Copa América, além de opções como Juanpi e Peñaranda despontando.

Já à Argentina, resta olhar para a sequência. Alguns podem até falar sobre a ausência de Messi, e é fato que, nas três vezes em que o camisa 10 esteve em campo pelas Eliminatórias, a Albiceleste venceu. No entanto, mais do que a falta do craque no ataque, pesou a desatenção na defesa. Custou dois pontos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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