América do Sul

Fim de carreira discreto não apaga o que foi Godín para Atlético de Madrid e Uruguai

Aos 37 anos, Diego Godín se aposentou jogando pelo Vélez, mas deixa uma história de muito sucesso no futebol, especialmente pelo período no Atlético de Madrid e com a camisa do Uruguai

Um dos principais zagueiros do futebol mundial na última década pendurou as chuteiras. Neste domingo (30), o uruguaio Diego Godín disputou sua última partida como jogador profissional na derrota do Vélez Sarsfield para o Huracán por 1 a 0, pelo Campeonato Argentino.

O defensor de 37 anos teve um fim de carreira discreto, mas entrou para história como o coração de uma vitoriosa geração do Atlético de Madrid e ídolo da seleção uruguaia. Os gols decisivos, títulos, participações em Copas do Mundo e muitos jogos eternizam o zagueiro, que foi sinônimo de capitão.

Início de carreira e trajetória no Atlético de Madrid

Diego Godín iniciou sua trajetória no futebol no modesto Club Atlético Cerro, em 2003. Após quatro temporadas, continuou atuando em Montevidéu, mas em um dos grandes clubes da América do Sul: o Nacional. O bom desempenho em seis meses com a camisa tricampeã mundial lhe rendeu uma transferência ao Villarreal no meio de 2007.

Com o Submarino Amarelo, Godín disputou 116 partidas e marcou gols em três temporadas, sendo vice-campeão do Campeonato Espanhol de 2007/2008. Em agosto de 2010, o Villarreal anunciou sua venda ao Atlético de Madrid, onde faria história e se tornaria um dos melhores zagueiros do mundo. Logo em seu primeiro jogo pelo clube da capital espanhola, participou dos 90 minutos da decisão da Supercopa Europeia, vencida por 2 a 0 sobre a Inter de Milão, que meses antes havia conquistado uma inédita tríplice coroa.

A estreia foi só um aperitivo do que estava por vir. Com a camisa colchonera, o uruguaio faturou oito título, marcou 27 gols e entrou em campo 389 vezes em nove temporadas, se tornando o 11º jogador com mais partidas pela equipe. O defensor foi o pilar de um Atleti que deixou de ser coadjuvante na Espanha para virar protagonista na Europa.

Em seu segundo ano no clube, conquistou a Liga Europa, novamente como titular. No seguinte, ganhou mais uma Supercopa Europeia e a Copa do Rei, que não era vencida pelo Atlético desde 1996.

Já em 2013/2014, foi fundamental naquela que foi uma das melhores temporadas da história do Atlético de Madrid. Godín ajudou os rojiblancos a levantarem a taça do Campeonato Espanhol depois de 18 anos, com direito ao gol do título no empate em 1 a 1 com o Barcelona na última rodada, no Camp Nou.

Também em 2013/2014, quase foi o herói na que seria a conquista inédita da Liga dos Campeões. Na decisão contra o grande rival Real Madrid, o zagueiro até abriu o placar no primeiro tempo, mas viu Sergio Ramos empatar nos acréscimos da segunda etapa. Na prorrogação, os merengues garantiram o título com um triunfo por 4 a 1.

Na temporada seguinte, deu o troco no Real Madrid com o título da Supercopa da Espanha. A próxima conquista seria novamente a Liga Europa, em 2017/2018. Em seu último ano no Atleti, Godín ainda usou a braçadeira de capitão e faturou pela terceira vez a Supercopa Europeia, dando uma assistência na decisão vencida por 4 a 2 sobre… o Real Madrid, claro.

Godín está eternizado como uma lenda colchonera, sendo o segundo estrangeiro com mais jogos na história e tendo participado de 72% das conquistas do clube neste século.

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Sucessor de Lugano e recordista pelo Uruguai

Já a trajetória de Diego Godín pela seleção uruguaia começa em 2005, quando ainda defendia o Cerro. Dois anos depois, esteve no grupo semifinalista da Copa América, mas foi titular apenas uma vez, entrando nos minutos finais em outras duas partidas.

Aos poucos, Godín ganhou a confiança do técnico Óscar Tabárez com as boas performances por Uruguai e Villarreal. A premiação viria com a convocação para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Titular em cinco jogos do torneio, o zagueiro foi peça importante na campanha que terminou com a quarta colocação, a melhor do país em mundiais desde 1970.

Já em 2011, a geração de Godín ficaria para sempre no coração dos uruguaios com a conquista da Copa América, na Argentina. O defensor, no entanto, foi para o torneio lesionado, entrando somente na reta final da decisão contra o Paraguai.

Depois de ser quarto colocado na Copa das Confederações de 2013, participou da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Com a eliminação nas oitavas de final, o Uruguai não conseguiu repetir o feito de quatro anos antes, mas o torneio foi especial para o zagueiro. Com a contusão de Diego Lugano no primeiro jogo, Godín utilizou a braçadeira de capitão da seleção pela primeira vez, além de marcar o gol da vitória sobre a Itália na última rodada da fase de grupos.

Lugano nunca mais foi convocado por Tabárez, e Godín virou seu sucessor como capitão. Com a faixa, disputou outras duas Copas Américas e mais duas Copas do Mundo, mas não obteve tanto sucesso. Sua última partida com a camisa celeste foi no Mundial do Catar, na derrota por 2 a 0 para Portugal.

Números e recordes de Godín pelo Uruguai

  • Jogador com mais jogos pelo Uruguai: 161
  • Segundo jogador com mais jogos pelo Uruguai em Copas do Mundo: 16
  • Mais jogos como capitão do Uruguai em jogos de Copa do Mundo: 10
  • Jogador mais velho a disputar um jogo de Copa do Mundo pelo Uruguai: 36 anos e 284 dias
  • Gols: 8

Fim de carreira discreto

Após deixar o Atlético de Madrid, Diego Godín foi para a Inter de Milão. O zagueiro até foi importante na campanha vice-campeã da Liga Europa, marcando um dos gols da equipe na derrota por 3 a 2 para o Sevilla na final, mas a queda de rendimento fez com que sua passagem pelo clube durasse apenas uma temporada. Depois de 36 partidas com a camisa nerazzurri, passou um ano e meio no Cagliari, onde disputou 40 jogos e acabou afastado.

No início de 2022, Godín foi contratado pelo Atlético-MG para substituir Junior Alonso, que tinha acabado de ser vendido ao Krasnodar, da Rússia, na época. O uruguaio estreou com gol e conquistou o Campeonato Mineiro e a Supercopa do Brasil, mas não teve o mesmo desempenho de outros tempos no futebol europeu. Após nove jogos, assinou com o Vélez Sarsfield.

A passagem pelo clube argentino também não foi marcante. Foram somente 22 partidas em pouco mais de um ano no Vélez, com três vitórias, dez empates e nove derrotas. A reta final de carreira pode ter sido esquecível, mas Godín está para sempre na história do Atlético de Madrid e do Uruguai, além de ficar marcado para o futebol como um dos melhores zagueiros do mundo no início deste século.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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