Depois de nove jogos, Godín encerra sua esquecível passagem pelo Galo e assina com o Vélez
Godín não convenceu no Atlético Mineiro e procurará uma maior sequência no Vélez, às vésperas de sua última Copa
A passagem de Diego Godín pelo Atlético Mineiro, dentro de algum tempo, será uma boa questão para uma trivia. Afinal, não serão muitos os que se lembrarão da meteórica estadia do capitão da seleção uruguaia em Belo Horizonte. O veterano entrou em campo pelo Galo míseras nove vezes. Evidenciou as dificuldades físicas e a falta de velocidade para desempenhar seu papel na defesa. Nesta terça-feira, a jornada atleticana de Godín oficialmente chegou ao fim. O beque arruma as malas e atuará agora na Argentina, pelo Vélez Sarsfield.
A contratação de Godín tinha um impacto para o Atlético Mineiro. É um jogador de enorme importância para a seleção do Uruguai e, durante seu auge pelo Atlético de Madrid, esteve entre os melhores do mundo em sua posição. O Galo, porém, olhava mais para o xerife do passado do que para o veterano do presente. O nível de Godín caiu muito após sua transferência ao Cagliari e ele não conseguiu ser nem sombra de seu melhor na Serie A. Chegava ao Brasil para, em seu declínio, ainda exibir certo nível competitivo.
A liderança e a tarimba de Godín pouco serviram no Atlético. Ficou bem mais evidente a falta de ritmo do zagueiro e também as dificuldades para acompanhar os atacantes. E, se sua contratação foi acelerada pela venda de Junior Alonso, o retorno do ídolo após o início da guerra na Ucrânia custou espaço ao veterano. Godín disputou quatro partidas pelo Campeonato Mineiro, mas suas aparições se tornaram ainda mais escassas nas principais competições do calendário. Jogou uma partida pelo Brasileiro, uma pela Copa do Brasil e duas pela Libertadores. Despediu-se ao menos com dois títulos, no Mineiro e na Supercopa do Brasil.
Sem que Godín fizesse falta, o Atlético Mineiro abriu mão do veterano. É daqueles negócios que tinham condições de dar certo, mas que não surpreendem por naufragarem. Durante a despedida, o uruguaio se referiu ao clube com carinho e reconhecimento. Sabe o que faltou a si mesmo. Da mesma forma, a torcida atleticana reconhece o profissionalismo do atleta e compreende que o adeus é o melhor no momento. Valeu a tentativa, mas não que o uruguaio fosse se transformar nos próximos meses.
O Vélez Sarsfield ganha com a presença de Godín. É um ambiente mais modesto, numa liga de menor nível técnico e num clube sem tanta pressão. O uruguaio poderá disputar os mata-matas da Libertadores e buscará uma sequência de jogos para chegar bem na Copa do Mundo. Serão meses decisivos em sua carreira, pensando na Celeste, antes que resolva quando pendurará as chuteiras e se retornará ao futebol uruguaio para um último ato como profissional.
Godín chegou a um estágio de sua trajetória no qual o mais importante é mesmo a seleção. Sua história está consolidada, mas dá para viver mais um capítulo grandioso na Copa do Mundo. A influência do capitão nos vestiários da Celeste é evidente e ele ainda teve momentos de brilho nas Eliminatórias, dentro de uma equipe bem melhor adaptada às suas limitações. Aos 36 anos, será a sua última aparição no mais alto nível internacional. Melhor então que chegue com ritmo e sequência em campo, o que provavelmente não encontraria no Atlético Mineiro. Ao Galo, melhor também se livrar do salário do uruguaio e procurar novas alternativas, com a chegada de Jemerson já preenchendo a lacuna.
Hace unos meses llegué a una ciudad y un club donde me encontré con un montón de gente buena que me ayudó y facilitó mi día a día aquí. Por eso hoy quiero dar las gracias a todos los que trabajan en el Atlético Mineiro y hacen de éste un gran club. pic.twitter.com/LsaDZRcTOm
— Diego Godín (@diegogodin) June 20, 2022



