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Corinthians se sufocou em seu desespero e reviveu os velhos pesadelos na Libertadores

De nada adiantou a boa campanha na fase de grupos ou o apetite na goleada sobre o Cobresal. O Corinthians se despede da Copa Libertadores de maneira melancólica, relembrando outras noites terríveis do clube na competição. Diante do ímpeto do Nacional, os alvinegros se perderam na Arena. Os descuidos permitiram que os uruguaios abrissem vantagem duas vezes e o desespero bateu na hora de buscar a virada. Obviamente, há méritos dos tricolores pelo empate por 2 a 2, em especial diante da solidez defensiva e da grande atuação do goleiro Esteban Conde. No entanto, os corintianos não podem se eximir dos próprios erros, deixando muito a desejar na somatória dos confrontos.

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A eliminação do Corinthians começou a ser escrita no jogo de ida, em Montevidéu. Por mais que muitos alvinegros tenham se contentado com o 0 a 0 no placar, a postura da equipe esteve aquém da ocasião. Contido na defesa, o time tomou sufoco do Nacional em certos momentos e não buscou o gol com contundência. A vitória simples já garantiria a classificação em Itaquera, mas o gol dos uruguaios complicaria a missão. Exatamente o que aconteceu, diante da desatenção logo de cara.

O gol de Nico López, aos cinco minutos, trouxe uma pressão que o Corinthians parecia não esperar para o início da partida. As brechas dadas na defesa permitiram ao Nacional saltar em vantagem e, mais do que isso, desenvolver a sua estratégia defensiva. O empate com Lucca, aos 14, recobrou rapidamente o prejuízo, mas não serviu para dar calma aos corintianos. Embora buscasse o ataque, o time tinha dificuldades em surpreender a zaga adversária e falhava demais nas finalizações. Enquanto isso, também se expunha. Não fosse Cássio, o segundo gol do Bolso teria vindo antes do intervalo.

Na volta ao segundo tempo, quando o Corinthians parecia ter consistência para a virada, a boa trama em velocidade do Nacional proporcionou o segundo gol, com Santiago Romero. Foi aí que os nervos alvinegros se perderam de vez. O Nacional se entrincheirava e conseguia neutralizar a maioria das tentativas dos paulistas, quase sempre buscando o jogo aéreo. Não havia as boas trocas de passes e as infiltrações, recorrentes em jogos menos importantes. Conde mantinha a segurança sobre sua defesa e evitou o novo empate com uma defesa incrível, após arremate de Romero. E o destempero dos corintianos se evidenciava, enquanto os jogadores tricolores gastavam o tempo e o árbitro Néstor Pitana deixava o jogo correr.

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O tempo parecia sufocar o Corinthians, até mesmo pela falta de chances claras. Somente nos 10 minutos finais é que os anfitriões pareciam ter força para balançar as redes. Depois de mais um milagre, Conde teve que enfrentar André na marca do pênalti. E o centroavante caiu no jogo mental do goleiro, em uma péssima cobrança. O suficiente para deixar o descontrole se apoderar. A pressa atrapalhava a pensar e Fagner desistiu do jogo ao receber cartão vermelho infantil. Nos acréscimos, ainda assim, ressurgiu a esperança. E, em nova penalidade, Marquinhos Gabriel desta vez converteu. Deixou os corintianos a um gol da classificação. Que não veio, desperdiçado na última oportunidade por Romero.

Alguns podem até reclamar de certas decisões da arbitragem ou do antijogo do Nacional. De qualquer forma, é impossível menosprezar os méritos os uruguaios no rigor tático. Da mesma forma como as deficiências alvinegras se evidenciaram. Que a organização seja uma força de Tite, a afobação dos jogadores não permitiu que ela prevalecesse. E faltou também capacidade individual de alguém que chamasse a responsabilidade. As mudanças no elenco desde 2015 não prejudicaram a estrutura coletiva, mas, quando ela não funcionou, faltaram desta vez os talentos que pudessem resolver.

A queda para o Nacional, em vários pontos, se assemelha com o que aconteceu diante do Guarani em 2015, bem como resgata memórias anteriores desagradáveis aos alvinegros. Tarimba e controle são essenciais na Libertadores, e o Corinthians parece ter desaprendido aquilo que fez em 2012. Agora, é saber lidar com outra eliminação dura para as expectativas do clube. E trabalhar para que ela não abale a continuidade do processo de renovação. Apesar disso, a displicência de alguns jogadores deve aumentar as cobranças.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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