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Libertadores durante o ano todo e com final única pode acontecer, e por pressão dos clubes

A Conmebol sempre foi uma instituição muito fechada ao debate externo. Com a chegada do paraguaio Alejandro Domínguez ao cargo mais importante da confederação, no início do ano, parece que as coisas neste quesito estão começando a mudar. Durante uma conversa com o jornal colombiano El Tiempo, o dirigente assumiu que a organização do futebol sul-americano não está a altura dos excelentes jogadores que aqui são formados. Além disso, ele se mostrou disposto a modificar regulamentos e competições com a finalidade de melhorar a gestão da entidade máxima do futebol no continente.

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Antes rejeitada pela antiga dirigência, a ideia de estender a duração da Copa Libertadores voltou a ser discutida. Domínguez disse que há um planejamento sendo debatido para que o torneio passe a durar um ano, assim como acontece na Champions League (e, na verdade, em quase todas as competições continentais). Segundo ele, a sugestão não foi da Conmebol em si, mas que a possibilidade o interessa. “Esse é o lado bom de se ter abertura”, afirmou. Ter dois semestres de disputa pelo título mais importante da América do Sul seria bom não somente para os torcedores, como também para os atletas e as delegações, que teriam mais tempo entre uma partida e outra.

“Nunca estive de acordo com esse formato de calendário que a competição tem, porque ela é interrompida em um momento muito importante e acaba se estendendo muito. Além do mais, há modificação nos jogadores de cada equipe”, disse, referindo-se às paradas que o torneio sofre no meio do ano, normalmente por causa de competições como a Copa América ou mesmo Copa do Mundo. Os times ficam parados por um tempo longo e voltam já para disputar as semifinais. A ideia, que partiu dos clubes, é ter a disputa do torneio até o final do ano.

“Por isso temos que redesenhar tudo e fazer isso em conjunto. Não só levar em consideração o ponto de vista da Conmebol e ‘fim de papo’, como foi ano passado, em que os clubes tinham que se adequar às normas e não tinham outra opção. Temos que abrir as portas, sentar com os protagonistas e pensarmos todos juntos”, continuou Domínguez. O dirigente foi além de dizer que a entidade está aberta a ideias e já falou sobre estudar as modificações.

“A possibilidade de, em pouco tempo, termos uma final única que possa ir se movendo dentro de 10 países (filiados à Conmebol) me agrada muito. Vamos avaliar maneiras de substituir esse valor arrecadado com a bilheteria dos jogos de ida de volta, porque haveria uma licitação e cada país teria que projetar uma cidade e trabalhar para que esses valores fossem compensados. O valor dos prêmios dos clubes também seria aumentado”, explicou o dirigente. 

Ter jogo na final do torneio parece uma medida pouco inteligente pensando na América do Sul. A ideia esbarra em muitas questões, principalmente pros torcedores de futebol. O meio de locomoção mais viável entre os países da América do Sul é o avião, e o preço médio das passagens aéreas entre um país e outro é muito alto. Mesmo quem opta por se locomover por terra tem dificuldades.

Isso dificulta a questão da logística dos torcedores, que usualmente já comparecem em pequeno número em partidas fora de seus países. Além disso, os clubes poderiam perder a maior chance que têm de uma grande arrecadação sem poder usar o seu estádio na maior competição do continente.

Já a ideia de jogar o ano todo tende a ser positivo. A Copa Libertadores tem o mesmo número de partidas que a Champions League, mas é disputada em um espaço de tempo muito mais curto, de fevereiro a julho ou agosto. O novo formato permitiria a parada no meio do ano e a continuação do torneio no segundo semestre com tranquilidade, sem encavalar as datas. A demanda é dos clubes e, em um momento que a entidade sul-americana anda tão abalada por escândalos, tende a ser aceito. Assim, ao menos, esperamos.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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