Copa América

Numa partida eletrizante, a Colômbia virou e garantiu o terceiro lugar da Copa América com gol no último minuto

Luis Díaz brilhou pela Colômbia, com dois gols, inclusive a pintura que definiu o placar nos acréscimos

Decisões de terceiro lugar no futebol geralmente são supérfluas, mas a falta de tensão também proporciona bons jogos. E foi exatamente isso que se viu no Mané Garrincha, numa partidaça entre Colômbia e Peru. Os dois times buscaram o resultado e queriam a medalha de bronze da Copa América, o que rendeu 90 minutos bem divertidos, especialmente a partir do fim do primeiro tempo. Os peruanos saíram em vantagem e buscaram o empate no fim. Porém, a noite seria mesmo colombiana. Depois da virada no início da segunda etapa, os Cafeteros confirmaram a vitória por 3 a 2 no último minuto dos acréscimos. Um dos melhores jogadores da competição, Luis Díaz gastou a bola e decidiu com uma pintura para brindar sua seleção com a terceira posição.

Os primeiros minutos de jogo permaneceram sob controle da Colômbia. Os Cafeteros rodavam a bola no campo de ataque, mas sem ameaçar tanto. A resposta do Peru teve início depois de 15 minutos, quando a equipe passou a escapar mais vezes ao ataque em velocidade. Entretanto, os peruanos tiveram que lidar com a lesão de Renato Tapia aos 23 minutos. Depois disso, o duelo pegou fogo de vez. Após uma boa jogada de Christian Cueva, Gianluca Lapadula quase marcou na saída do goleiro. A resposta colombiana viria com Luis Díaz, que exigiria uma defesa em dois tempos de Ricardo Gallese.

Depois de um momento superior da Colômbia, o Peru se aproximou do gol e quase viu Sergio Peña anotar uma pintura aos 40. O meia fez fila e driblou em sequência quem aparecesse pela frente. Passou até pelo goleiro Camilo Vargas, mas perdeu o ângulo e bateu para fora. Já aos 45, viria o primeiro tento da Blanquirroja, em outra jogadaça. Peña de novo apareceu e deu um chapéu em Gustavo Cuéllar, antes de acionar Cueva com um lançamento que atravessou o campo. O meia deixou o marcador no vácuo e achou um passe excepcional em direção a Yoshimar Yotún, que entrou livre na área. Diante do goleiro Vargas, o volante deu um leve toque no canto e completou o golaço, que levou os peruanos em vantagem para o intervalo.

A Colômbia precisava voltar para o segundo tempo com uma postura mais agressiva e conseguiu o empate cedo, aos quatro minutos. Numa cobrança de falta na beira da grande área, a barreira abriu e Juan Guillermo Cuadrado aproveitou o buraco para mirar no canto inferior, vencendo o goleiro Gallese. Os colombianos cresceram e quase Luis Díaz anotou uma obra de arte, num voleio lindo que Gallese defendeu no susto. Porém, quando o Peru respondeu, Lapadula limpou bem a marcação e, com pouco ângulo, mandou o tiro no travessão. O duelo pegava fogo.

Apesar do susto, a Colômbia jogava melhor e mereceu a virada aos 21 minutos. Num contra-ataque, o goleiro Camilo Vargas lançou Luis Díaz e o ponta dominou tirando da marcação, antes de fuzilar no canto de Gallese. O jogo esfriaria um pouco depois disso, mas o Peru precisava tomar a iniciativa e começou a arriscar mais. Conseguiria o novo empate aos 37, a partir de um escanteio. Raziel Cruz fez a cobrança e Lapadula subiu sozinho, para escorar de cabeça. Neste momento, os pênaltis pareciam mais prováveis.

Reinaldo Rueda ainda botou a Colômbia para frente, ao trocar Cuéllar por Rafael Santos Borré. O time voltou a apertar no ataque, sem tantas chances. Já nos acréscimos, Wilmar Barrios deu lugar a Luis Muriel, no que parecia ser a aposta num bom cobrador de pênaltis. Longe disso. O atacante se tornaria decisivo ao gol da vitória, no último lance dos descontos dados pelo árbitro. Muriel iniciou o lance com um passe de calcanhar. Luis Díaz conseguiu ser mais brilhante na sequência, ao abrir o caminho em velocidade e desferir um chutaço de fora da área, que Gallese não conseguiu pegar. Desfecho dourado à partidaça, à vitória colombiana e à grande competição do meia.

Apesar da derrota, o Peru voltou a fazer uma campanha maiúscula na Copa América. É uma das equipes mais regulares no torneio continental: desde 2011, foram quatro desempenhos entre os quatro primeiros. O ápice aconteceu na final de 2019, mas esta edição valeu para permitir o crescimento do time de Ricardo Gareca e mostrar como a Blanquirroja tem gás para brigar pela vaga na Copa de 2022. Lapadula fez boas partidas, embora Yotún e Peña mereçam também destaque pelo desempenho acima da média.

Já a Colômbia emplaca sua campanha mais expressiva na Copa América durante a última década. Os Cafeteros vinham de bons momentos nos anos recentes em Eliminatórias e mesmo nas duas últimas Copas do Mundo, mas não corresponderam tanto no torneio continental. No máximo, ficaram no terceiro lugar em 2016, mas longe do encanto atual. Os colombianos se mostraram uma equipe competitiva e de bons valores individuais, que esteve a um triz de eliminar a Argentina na semifinal, despachou o Uruguai nas quartas e deu muito trabalho ao Brasil na fase de grupos. Reinaldo Rueda eleva seu moral neste retorno à equipe nacional.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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