Copa América

Neymar x Messi pelas seleções tem duas vitórias para cada lado, com atuações memoráveis dos craques

Pela primeira vez no Maracanã, Messi e Neymar farão seu duelo mais importante, após cinco anos sem se encararem pelas seleções

A decisão da Copa América terá dois protagonistas bem claros: Lionel Messi e Neymar. A competição apresenta momentos espetaculares dos velhos amigos e pode ter uma representatividade imensa à carreira de quem levantar o troféu. Messi, cujas conquistas pela Albiceleste são restritas ao seu ouro olímpico e a um título mundial sub-20, sabe que o torneio continental é uma das últimas chances da carreira de preencher a cobrada lacuna pela seleção. Enquanto isso, Neymar tenta buscar uma taça que ainda falta à sua galeria, diante da ausência na Copa América de 2019. O atacante possui também um ouro olímpico na sua conta, mas sua única comemoração pela seleção principal se restringe à Copa das Confederações de 2013.

Curiosamente, os encontros de Messi e Neymar pela seleção são bastante restritos. Por mais que Brasil e Argentina tenham se enfrentado em repetidos amistosos ao longo da última década, bem como pelas Eliminatórias da Copa, nem sempre as equipes principais estiveram presentes e os craques também não coincidiram em campo durante outras tantas oportunidades. São somente quatro partidas de Neymar x Messi pelos países, a última há quase cinco anos, em novembro de 2016. E o retrospecto é equilibrado, com duas vitórias para cada lado.

O primeiro duelo aconteceu em novembro de 2010, no Catar. Messi tentava refazer seu nome da apagada participação na Copa do Mundo, embora já se encaminhasse para a segunda Bola de Ouro da carreira. Já Neymar ainda tinha 18 anos e era uma das apostas na renovação da Seleção, em sua segunda aparição com a camisa amarela. O time de Mano Menezes tinha um trio ofensivo com Robinho e Ronaldinho, além do prodígio santista. Enquanto isso, a Albiceleste de Sergio Batista restringia o camisa 10 à ponta direita, em tempos nos quais Gonzalo Higuaín aparecia como homem de referência.

Seria uma partida aberta em Doha, com chances às duas equipes. Neymar não apareceria tanto na conclusão das jogadas pelo Brasil, mas Messi era um dos mais ativos da Argentina. E o camisa 10 definiu o placar em 1 a 0, nos acréscimos do segundo tempo. O erro do meio-campo brasileiro ficaria marcado por uma bronca enorme de Mano em Douglas, que substituíra Ronaldinho. Messi armou o contragolpe e recebeu a devolução de Ezequiel Lavezzi antes de acelerar. Fez fila e tocou no cantinho do goleiro Victor para definir o marcador.

O Brasil pegou a Argentina duas vezes em 2011, pelo Superclássico das Américas. Com os elencos restritos aos jogadores em atividade no país, só Neymar jogou, anotando um dos gols que valeram o triunfo por 2 a 0 em Belém e o troféu da antiga Copa Roca. O reencontro com Messi ficou marcado para junho de 2012, no Estádio MetLife, nos Estados Unidos. Naquele momento, Mano Menezes seguia à frente do Brasil e Alejandro Sabella já dirigia a Argentina. La Pulga fez uma de suas melhores partidas pela Albiceleste, com três gols e uma coleção de jogadas plásticas na vitória por 4 a 3.

Neymar daria a assistência para o primeiro gol do Brasil, em cruzamento para Rômulo marcar. A resposta de Messi viria em menos de dez minutos, com dois gols. No primeiro, lançado por Higuaín após roubada de bola contra Sandro, o camisa 10 disparou nas costas da zaga e deu um toque na saída do goleiro Rafael Cabral. Já no segundo, Messi tabelou com Ángel Di María e escapou com enorme facilidade. Driblou Rafael, antes de tocar às redes vazias.

Na volta ao segundo tempo, o Brasil conseguiu a virada. Neymar participou da construção de ambas as jogadas. Na sobra de seu lance é que Oscar tabelou com Leandro Damião para empatar. Depois, o camisa 10 cobrou um escanteio que Sergio Romero não afastou e Hulk completou na sobra. Só que Messi estava inspirado do outro lado e não deixaria barato. A Argentina voltou a igualar aos 31 minutos, num escanteio cobrado por Agüero que Federico Fernández cabeceou. Já aos 40, Messi fez mágica no quarto gol. Aproveitou o clarão na intermediária, limpou a marcação e botou a bola na gaveta, sem qualquer chance a Rafael Cabral. Depois disso, os brasileiros não mais reagiriam. Lavezzi e Marcelo ainda foram expulsos por um entrevero nos acréscimos.

Neymar ainda pegou a Argentina por duas vezes no Superclássico das Américas de 2012, com gol e assistência no triunfo por 2 a 1 em Goiânia, antes que o título fosse confirmado nos pênaltis dentro da Argentina. Depois disso, o clássico só ocorreu em outubro de 2014, na China. O Brasil vinha com o orgulho ferido pelo vexame na Copa, sob as ordens de Dunga. A Argentina também mudara após o vice no Maracanã, dirigida por Tata Martino. Foi quando Neymar teve sua primeira vitória no confronto direto com Messi, ainda que sem exercer influência direta. A Canarinho ganhou por 2 a 0.

Os dois gols do Brasil surgiram com a mesma combinação, em cruzamentos de Oscar e definições de Diego Tardelli. Neymar teve duas chances de ouro, mas desperdiçou diante de Sergio Romero – em uma delas, inclusive, destruiu a defesa argentina e quase anotou um gol espetacular, pecando no arremate para fora. A frustração do capitão brasileiro, porém, seria menor que a do capitão argentino. Quando a diferença no placar ainda era mínima, Messi poderia ter empatado cobrando pênalti. Jefferson acertou o canto e realizou sua defesa mais importante pela seleção brasileira.

Em novembro de 2015, aconteceu o primeiro Brasil x Argentina pelas Eliminatórias da Copa de 2018. Neymar estava em campo, mas não o lesionado Messi. A Seleção voltou para casa com o empate por 1 a 1, graças ao gol de Lucas Lima. O quarto e último embate de Neymar x Messi ocorreu no returno das Eliminatórias, em Belo Horizonte, em novembro de 2016. Já sob as ordens de Tite após o fracasso na Copa América Centenario, a Seleção fez uma de suas maiores atuações naquela arrancada rumo ao Mundial e amassou a Albiceleste de Edgardo Bauza por 3 a 0. Messi acabaria se tornando coadjuvante, diante do show protagonizado por Neymar.

No primeiro gol, Neymar deu um toque sutil para habilitar Philippe Coutinho, que partiu em diagonal e mandou um balaço no ângulo. Neymar acertou a trave, até ampliar ainda no primeiro tempo. Gabriel Jesus enfiou e o camisa 10 arrancou, tocando na saída de Romero. Na segunda etapa, Paulinho fechou a contagem. Neymar estava inspirado e distribuiu dribles no Mineirão. Já Messi faria uma exibição pouco notada, sem sequer dar muito trabalho a Alisson na meta contrária.

Desde então, Brasil e Argentina se enfrentaram mais quatro vezes. Messi e Neymar não coincidiram em campo. O argentino esteve presente na vitória por 1 a 0 em 2017, gol de Gabriel Mercado em Melbourne. Um ano depois, foi a vez do brasileiro ser o único dos craques no gramado, no troco da Seleção por 1 a 0 em Jeddah, tento de Miranda. Já em 2019, o lesionado Neymar perdeu os dois compromissos. Viu das tribunas do Mineirão a vitória do Brasil por 2 a 0 na semifinal da Copa América, com Gabriel Jesus liderando o ataque e Alisson fazendo grandes defesas contra Messi. Já em agosto, num amistoso realizado em Riad, a Argentina ganhou mais uma por 1 a 0. Alisson pegou um pênalti de Messi, que se redimiu ao marcar no rebote.

Sem contar jogos de seleções olímpicas e menores, Messi disputou apenas um clássico a mais que Neymar, com a vantagem de que o brasileiro esteve mais vezes presente nos duelos restritos as jogadores das ligas locais. Neymar venceu cinco embates contra a Argentina e perdeu três, num total de dez partidas, com três gols e quatro assistências. Já Messi pegou o Brasil 11 vezes, com cinco vitórias e cinco derrotas, além de cinco gols marcados. Vale lembrar que o camisa 10 esteve presente nos 3 a 0 da final da Copa América de 2007, embora tenha se dado melhor nos 3 a 0 da semifinal olímpica de 2008 – que não entra para as estatísticas. No tira-teima deste sábado, dentro do Maracanã, ocorrerá o maior duelo entre os símbolos de suas seleções. E só haverá lugar para um no lado vitorioso dessa história.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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