Copa América

A maestria de Guerra e a fúria de Suárez: Venezuela empurrou o Uruguai ao precipício

A derrota para o México nos minutos finais, por mais que fosse um jogo difícil, teve um alto custo para o Uruguai. Afinal, a Celeste se aproximou do adeus na Copa América ao perder outra vez, agora para a Venezuela. A Vinotinto fez por merecer os três pontos, com uma atuação aplicada e que poderia até ter ido além do 1 a 0 no placar. Os charruas, contudo, também perdoaram demais. Edinson Cavani viveu uma tarde terrível e os seus gols perdidos fizeram muita falta. Restou aos comandados de Óscar Tabárez amargarem o fracasso. Nem mesmo Luis Suárez deve salvar: caso o México garanta ao menos um ponto contra a Jamaica, na noite desta quinta, os uruguaios estarão eliminados – o que acabou se consumando.

A Venezuela teve uma partida digna de muitos elogios. Na frente, Peñaranda deu trabalho aos uruguaios, com seu repertório de dribles. Já os principais astros da Vinotinto botaram o talento para decidir. O gol saiu aos 36 minutos, em um chutaço de Alejandro Guerra, que viu Muslera adiantado e tentou marcar do meio de campo. O goleiro salvou e a bola ainda bateu no travessão, mas Salomón Rondón não desperdiçou o rebote. E, antes do intervalo, Muslera ainda parou outro bom lance de Guerra.

Já no segundo tempo, depois de poucas e desperdiçadas oportunidades na etapa inicial, o Uruguai partiu para a pressão, mas tinha dificuldades para encontrar espaços na zaga comandada por Ángel e Vizcarrondo. E, quando conseguia, falhava. Pior, os charruas davam enormes brechas para os contra-ataques. Não fosse Muslera, a Venezuela já poderia ter matado o jogo naquele momento.

Relacionado para a partida, apesar de sua lesão, Luis Suárez não entrou em campo. E se revoltou quando Tabárez realizou a terceira substituição. O camisa 9 jogou o colete longe e socou a lateral do banco de reservas. A decisão, ao que tudo indica, seguiu orientações médicas. O diagnóstico inicial apontava que Luisito só voltaria na última rodada da primeira fase.

No fim, o desespero empurrou o Uruguai para frente. Foram duas oportunidades claríssimas. E, em ambas, Cavani não demonstrou o seu poder de decisão, perdendo a chance de arrancar ao menos um ponto. Pior, a Celeste quase tomou o segundo tento, em uma saída desesperada de Muslera para a área. Com o gol aberto, Otero errou o alvo por centímetros.

De péssima campanha nas Eliminatórias, a Venezuela surpreende e avança aos mata-matas da Copa América. Enquanto isso, ao Uruguai resta lamentar. Suárez terá viajado aos Estados Unidos à toa. A maior seleção dos 100 primeiros anos de Copa América fará o maior fiasco na edição de Centenário.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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