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Bobinas, fogos, festa: Nacional e River fizeram uma final digna da tradição sul-americana

A entrada dos times em campo dimensionou a grandeza da ocasião. Pela primeira vez em 12 anos, o Estádio Atanásio Girardot recebia uma decisão continental. Não podia se esperar menos da torcida do Atlético Nacional: bobinas, papel picado, fogos e fumaça tomavam as arquibancadas pintadas de verde. Festa digníssima para receber o River Plate no primeiro jogo da final. Uma decisão de Copa Sul-Americana que vai além das limitações que o torneio pode sugerir. Afinal, são dois gigantes que buscam o título internacional que não conquistam desde os anos 1990. Prometeram para o Monumental de Núñez outro espetáculo nas arquibancadas, com o bom empate por 1 a 1 adiando as definições para a próxima semana.

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Não há dúvidas sobre o tamanho de Atlético Nacional e River Plate. O primeiro colombiano a ter conquistado a Libertadores contra o maior campeão da história do Campeonato Argentino. Duas camisas pesadíssimas, valorizando uma taça que costuma ser boicotada por muitos times e pela própria (des)organização da Conmebol em seu calendário. O torneio vale vaga na Libertadores? Bem, um prêmio ao qual os finalistas não dão a mínima, classificados em seus países. O que importa mesmo é o título. A glória de retornar ao topo do continente, nem que seja em um campeonato secundário. Um resgate da tradição dos dois clubes. E a vontade em campo deixou isso evidente.

Como era de se esperar, a partida contou com um ótimo futebol. O Atlético Nacional fez valer a pressão da apaixonada torcida colombiana para dominar o primeiro tempo. Tirando um lance de perigo dos argentinos, todos os outros melhores momentos foram Verdolagas. O goleiro Marcelo Barovero não estava tão confiante e chegou a rebater uma bola na trave. Mas nada pôde fazer quando Orlando Berrío aproveitou o excelente passe de Edwin Cardona para fuzilar e abrir o placar aos 34 minutos.

A intensidade e a qualidade técnica são características do Atlético Nacional nos últimos anos, um clube que merece um reconhecimento internacional por tudo o que já vem fazendo no seu país. Dono dos últimos três títulos do Campeonato Colombiano, o time chegou a pintar como favorito em certo momento da Libertadores deste ano, especialmente depois de eliminar o Atlético Mineiro. Entretanto, tirar os milagreiros pesou contra e, diante do Defensor, o imponderável fez com que os Verdolagas perdessem gols inacreditáveis, caindo nas quartas de final. Penitência paga, a final da Sul-Americana é o prêmio.

O Atlético Nacional teve a chance de ampliar no segundo tempo, mas esbarrou na trave. Em contrapartida, o River Plate começava a responder à altura, exigindo duas grandes defesas do goleiro Armani. Que acabou entregando o ouro em um chute de longe de Leonardo Pisculichi, o mesmo herói das semifinais contra o Boca. Restavam 25 minutos, mas os Verdolagas apagaram e os Millonarios poderiam até ter virado. No entanto, o empate acabou sendo justo em um duelo no qual os domínios se alternaram.

Orlando Berrio

O River Plate terá a chance de decidir no Monumental, em um clima espetacular como de praxe. A tentativa de referendar o excelente trabalho de Marcelo Gallardo à frente do clube, que deu continuidade aos feitos de Ramón Díaz e alcançou a maior série invicta da história do clube. Elenco de qualidade, que definitivamente expulsa os resquícios do “fantasma de la B” de Núñez. Os Millonarios querem olhar para frente, e o continente é o horizonte.

A luta pela taça da Copa Sul-Americana poderá ajudar o River a superar até uma possível frustração, em muito influenciada pelo torneio continental. Pensando nos clássicos contra o Boca Juniors, Gallardo preferiu rechear o time de reservas no confronto direto com o Racing pelo Campeonato Argentino, o que acabou tirando os Millonarios da liderança. Um episódio que simboliza a forma como a Sul-Americana vem sendo tratada nesta temporada. Em um ano no qual a Libertadores foi recheada de novatos nas fases decisivas, o peso da copa secundária é bem maior em termos de tradição. Irá referendar um grande time, como fez algumas vezes nos últimos anos. Atlético Nacional ou River Plate, quem seja o campeão, o troféu estará em mãos memoráveis.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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