Berço da ola e casa de uma torcida fanática: El Volcán, o desafio do Inter no México

O Internacional terá um desafio e tanto na noite desta quarta, pela Copa da Libertadores. Por mais que os colorados tenham a vantagem do empate, o Tigres já demonstrou no Beira-Rio o seu potencial. E, além do bom time do técnico Tuca Ferreti, os visitantes precisarão encarar nas arquibancadas um adversário também temido: a ensandecida torcida do Tigres, conhecida por ser uma das mais vibrantes do México. É praxe ver o Estádio Universitário de Nuevo León com mais de 95% de sua ocupação. Mas, para a inédita aparição nas semifinais do torneio continental, a expectativa é de lotação máxima. Um total de 42 mil vozes para empurrar os felinos e, talvez, reproduzir o grande legado local para os esportes. Afinal, as arquibancadas do estádio teriam abrigado a criação da “ola”.
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Obviamente, não há unanimidade sobre a invenção do movimento. Entre aqueles que brigam pela paternidade, também estão torcedores de duas universidades americanas e um líder de torcida do beisebol. Mesmo em Monterrey há versões conflituosas. Alguns afirmam que a brincadeira nasceu nos anos 1970, durante o intervalo de um clássico entre Tigres e Monterrey. Enquanto os times demoravam a voltar para campo, os funcionários do estádio começaram a entreter a torcida. E assim alguém teve a ideia de criar a onda que atravessasse as arquibancadas. No entanto, a versão oficial do próprio clube é outra.
O momento histórico teria acontecido em setembro 1984, no amistoso entre México e Argentina. Segundo o Tigres, os torcedores começaram a fazer a brincadeira em massa durante o empate por 1 a 1, em que Burruchaga e Negrete fizeram os gols. No entanto, um mês antes, o movimento já tinha sido registrado no jogo entre Brasil e França, na final do futebol nos Jogos Olímpicos de 1984.
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Fato consumado é que a moda se popularizou mesmo durante a Copa do Mundo realizada no México, dois anos depois daquele jogo. O Estádio Universitário recebeu quatro partidas do Mundial, incluindo a eliminação dos mexicanos diante da Alemanha Ocidental, nas quartas de final. Já a taça acabou justamente nas mãos de Argentina, que bateu os alemães na final. Não à toa, a partir daquele momento, a ola se tornou conhecida em alguns países como “mexican wave” – a onda mexicana.
Dentro do México, contudo, a fama do Estádio Universitário é outra. “El Volcán” é conhecido assim por conta de seu formato, como se fosse a cratera de um vulcão. E a atmosfera ferve a cada atuação do Tigres, pela forma como a torcida costuma botar pressão. A rivalidade local muito arraigada com o Monterrey ajudou a criar uma das regiões de maior fanatismo por futebol no país. O que se traduz em decibéis e números. A média de público dos felinos nos dois últimos anos do Campeonato Mexicano se manteve acima de 40 mil pessoas por partida, a segunda maior da liga. Perderam apenas para o América (45 mil), com o detalhe que a taxa de ocupação dos aurinegros passa dos 97%, contra pouco menos de 49% da equipe da capital.
Já nesta Libertadores, as marcas do Tigres caem um pouco. A média é de 39 mil pessoas por partida, a quarta maior do torneio – atrás apenas de River Plate, Boca Juniors e Internacional. Porém, com a melhor média de ocupação de todo o torneio. E a presença massiva dos torcedores tem se justificado, com os felinos ainda invictos como mandantes, acumulando três vitórias e dois empates. Nesta quarta, a expectativa é que o ambiente motive os jogadores trazidos a peso de ouro antes das semifinais e que os altos investimentos se justifiquem. Para que o Volcán entre em erupção na sonhada final.




