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O Inter retomou o gosto de jogar, e 10 minutos valeram por 90 para vencer o Tigres

Em um confronto no qual os prognósticos mantinham muitas incertezas, o jogo foi franco. Internacional e Tigres fizeram uma partida aberta no Beira-Rio, de três gols, mas que poderiam ter sido bem mais. Se as últimas sete semanas mantiveram os adversários como verdadeiras incógnitas, a bola rolando ressaltou qualidades e defeitos de ambos os lados. Os colorados mostraram que a motivação é outra na Libertadores, mas também repetiram alguns erros dos últimos jogos do Brasileirão. Já o Tigres se satisfez com a noite de seus reforços, mesmo que a falta de ritmo tenha atrapalhado. No fim das contas, a vitória do Inter por 2 a 1 sai na conta, por tudo o que aconteceu em campo. Embora mantenha a briga ainda aberta para o reencontro das equipes no México.

Contar com o time completo, inclusive com a volta de Nilmar, que era dúvida, empurrou o Internacional. O Beira-Rio, em seu recorde de público desde a reinauguração do estádio, fazia uma festa imensa. E a equipe de Diego Aguirre aproveitou o embalo para ensaiar um massacre. Como de praxe nos últimos tempos, os colorados partiram para a jugular do Tigres e forçaram o erro logo aos cinco minutos. Um passe errado de Egídio Arévalo Ríos deixou Andrés D’Alessandro pronto para fuzilar na entrada da área e abrir o placar. Já o segundo gol veio aos dez. Valdívia provou outra vez que vive Libertadores iluminada e, em um chute prensado, conseguiu encobrir o goleiro Nahuel Guzmán para marcar o seu quinto tento no torneio.

O Inter tinha posse de bola e se impunha no campo de ataque, jogando o Tigres contra a parede. O que os mexicanos precisavam era de calma. E com os colorados aos poucos deixando de forçar a saída de bola, começaram a tê-la a partir dos 20 minutos. Para, logo na primeira chegada ao ataque com mais contundência, diminuírem o prejuízo. A partir de uma cobrança de falta, Rafael Sóbis enfatizou a ótima fase ao cruzar na medida e Ayala cabecear para as redes. Um gol que causou desespero no Inter.

A partir de então, até parecia o time do Campeonato Brasileiro. Errava demais na saída de bola e via sua defesa com enormes buracos. Não fosse Alisson, o empate poderia ter saído antes do intervalo. Primeiro, o goleiro parou um chute no mano a mano de Rafael Sóbis. Depois, Gignac (de boa estreia pelo novo clube) aplicou uma linda caneta em Alan e finalizou para outra defesa do goleiro. Por mais que o Tigres não tivesse entrosamento, contava com talento. Arévalo Ríos escapava pelo meio, causando sérios problemas à defesa, com Gignac e Sóbis se movimentando bem. Além disso, os mexicanos reclamaram bastante de um lance com Aquino dentro da área que o árbitro não marcou pênalti.

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Somente no segundo tempo é que o Inter acertou melhor a marcação, ainda que tenha passado alguns sustos nos primeiros minutos. Rodrigo Dourado fez mais uma grande partida na cabeça de área, como vem sendo praxe nos últimos meses. Só que o caminho se clareou a partir dos 13, quando Ayala recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso. A partir de então, os felinos passaram a se expor menos e explorar raros contra-ataques. Enquanto isso, os colorados tinham volume de jogo e criavam. Valdívia, em especial, chamava o jogo para si. Mas nas oportunidades mais claras dos anfitriões, o goleiro Guzmán realizou duas grandes defesas em sequência.

O Internacional poderia ter saído com um resultado melhor, dada a vantagem numérica no segundo tempo. Assim como se safou de tomar o empate no final do primeiro. Aspectos de um jogo equilibrado, em que a leve superioridade dos brasileiros se converteu na vitória por 2 a 1. Apesar do gol tomado, não deixa de ser um bom placar para a equipe de Diego Aguirre, que precisa corrigir com urgência os problemas defensivos. O Tigres possui talento no ataque e, com o Estádio Universitário de Nuevo León lotado, vai colocar pressão. O gol em Porto Alegre serve para que a missão se torne ainda mais palpável.

Segue um confronto bastante indefinido para que se conheça o finalista da Libertadores. O Inter, ao menos, cumpriu sua parte. Não deixou que a baixa no Brasileirão o afetasse e venceu dentro de casa, como manda o protocolo. Os colorados terão apenas que segurar um empate no México. Não é difícil, ainda que a vantagem pudesse ser melhor.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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