América do Sul

Atos de indisciplina são dejà vu na seleção chilena desde 2007

O meio-campista Arturo Vidal se envolveu em um acidente nesta madrugada, no Chile, durante a sua folga. Ele acabou preso porque foi constatado que ele estava embriagado enquanto dirigia. O acidente felizmente não teve vítimas. O episódio levantou uma discussão sobre a questão dos jogadores serem responsáveis, especialmente durante uma competição. Vidal alega que não teve culpa pelo acidente. A discussão no Chile é se o jogador deve continuar como parte da seleção, que disputa a Copa América em casa. Isso, claro, se ele for liberado pela justiça. O episódio de indisciplina de um jogador na seleção chilena está longe de ser inédito no histórico recente da Roja. Aliás, pelo contrário. O histórico recente do time é de episódios seguidos de indisciplina, inclusive de Vidal.

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Em 2006, durante amistosos da seleção em Dublin, Mark González e Reinaldo Navia foram pegos pelo técnico Nelson Acosta com três mulheres na concentração. A desculpa dos jogadores foi que receberam as moças porque elas pediram autógrafos. Acabaram afastados da seleção.

Copa América de 2007, na Venezuela. Seis jogadores começam uma guerra de comida e passam a mexer com as mulheres que estavam em um restaurante. Eram Jorge Valdívia, Jorge Vargas, Pablo Contreras, Reinaldo Navia, Rodrigo Tello e Álvaro Ormeño, jogadores da seleção chilena, que se envolveram na confusão. Foi só um dos episódios de indisciplina da seleção do Chile.

Em novembro de 2011, Vidal, Gonzalo Jara, Jean Beausejour, Carlos Carmona e Jorge Valdívia chegaram atrasados à concentração da seleção em Juan Pinto Durán. Estavam embriagados, depois de participar do batismo do filho de Valdívia. Outros jogadores do elenco estavam convidados para a cerimônia, mas chegaram na hora na concentração. O treinador do Chile na época, Claudio Borghi, e a ANFP, a Federação Chilena, decidiram punir os jogadores com 20 partidas de suspensão. A punição foi reduzida depois.

No Mundial sub-20 daquele mesmo ano de 2011, jogadores chilenos também se envolveram em um episódio de indisciplina. Antes de viajar para o torneio, na concentração, Jaime Valdés, Rodrigo Millar e Joel Soto foram encontrados por policiais em uma sauna. Os jogadores deram a desculpa que viram uma luz roxa e acharam que algo de ruim estava acontecendo, então entraram na sauna.

Em outubro de 2013, Vidal ficou comemorando a classificação do Chile à Copa do Mundo de 2014 e acabou perdendo o voo de volta à Itália, onde se reapresentaria na Juventus. Foi multado pelo clube italiano. Em outubro de 2014, o jogador foi multado pelo clube por ter ido à uma casa noturna na noite anterior ao jogo contra a Roma, pela Serie A. A Juventus venceu por 3 a 2, no dia 5 de outubro, mas Vidal teria saído na sexta à noite até de madrugada de sábado e ficou no banco, jogando apenas 12 minutos da partida no segundo tempo.

Os chilenos estão ansiosos pela resolução do caso de Vidal. O técnico da seleção Jorge Sampaoli, saiu em defesa do jogador. “A medida é procurar ver como ele está e fazer com que ele saiba que para nós é um jogador muito importante. Ele cometeu um erro que não é tão determinante para cortá-lo”, afirmou Sampaoli. “Ele sempre teve um comportamento muito bom. Cometeu um erro. Há um monte de coisas a serem colocadas na balança”, disse.

O jogador deu uma coletiva de imprensa para se desculpar pelo incidente. “Ontem eu fui a um cassino, tomei duas doses, tive um acidente que todos sabem, coloquem em risco a vida da minha mulher e em risco a vida de muitas pessoas. Estou muito arrependido disso e quer agradecer às pessoas que me apoiaram todas estas agora que estive com a polícia”, declarou o meio-campista. “Quero me desculpar com meus companheiros, a comissão técnica, os dirigentes, todo um país. É difícil para mim falar, me resta pedir desculpas e demonstrar no campo que a oportunidade que me está sendo dada é por alguma coisa. Peço desculpas. Falhei com todos e vou tratar de dar o máximo para sermos campeões. Desculpas a todos”, declarou o chileno.

Independente da gravidade de cada um dos casos (seja esportivamente, seja na parte civil), os jogadores, técnico e dirigentes da seleção chilena precisam discutir a relação. Parece incrível como os casos se repetem com tamanha frequência. Talvez seja o caso de discutir dar mais liberdade aos jogadores para que eles não exagerem quando estiverem de folga ou mesmo tratarem disso. A questão é que parece que os chilenos se empolgam. Ninguém tem nada a ver com o que os jogadores fazem nas suas folgas, desde que isso não interfira no seu trabalho, que é treinar e jogar pela seleção. Está na hora de discutir essa relação.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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