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As novas regras (para inglês ver) da Libertadores 2013

A Conmebol anunciou o novo regulamento da Libertadores com pompas. E não era para menos. Alguns dos problemas recorrentes da competição pareciam solucionados. Estádios a menos de 100 km de distância de um aeroporto estariam excluídos, bem como aqueles que não tivessem iluminação artificial. Determinações que já deveriam ter sido instituídas há décadas, mas, de qualquer forma, um avanço.

Resta saber como será o cumprimento dessas regras pela Conmebol. A princípio, nenhum clube que está na fase de grupos será prejudicado. Esperar por boas condições sempre, porém, parece pedir demais aos dirigentes sul-americanos.

Os aeroportos existem – mesmo de última hora

Das 26 cidades que receberão jogos da Libertadores neste ano, apenas duas não contam com aeroportos registrados na aeronáutica. Casa do Huachipato, Talcahuano fica na região metropolitana de Concepción, a 15 km de um aeroporto internacional. Já o Deportivo Anzoátegui, eliminado na primeira fase, precisa recorrer à pista de Barcelona, a 10 km de Puerto La Cruz.

Além disso, levando em conta as últimas três edições da competição sul-americana, apenas um clube teria problemas com essa nova regra. Cidade do Boyacá Chicó, Tunja possui um aeroporto desativado, utilizado anteriormente para pequenos aviões e rotas esporádicas. Desta forma, a saída aérea utilizada pela população é o aeroporto de Bogotá, a 130 km de distância.

Neste ano, contudo, o San José só cumpriu os requisitos mínimos nos últimos dias. A cidade de Oruro só inaugurou o Aeroporto Evo Morales sexta-feira. Ainda assim, o local recebe apenas aviões de pequeno porte e não funciona durante a noite, atrapalhando o planejamento do Corinthians para o confronto da primeira fase.

Pensando em chegar à cidade boliviana apenas no dia do jogo, os alvinegros cogitam aterrissar em La Paz ou Cochabamba e seguirem de ônibus até o estádio. Ambas as viagens têm distâncias aproximadas de 200 km, em estadas localizadas no meio dos Andes e que nem sempre apresentam as melhores condições.

Levando em conta o exemplo de Oruro, é preciso esperar para saber se a Conmebol estabelecerá algum padrão para os aeroportos. É certo que, embora registradas pela aeronáutica, algumas pistas não atendem todas as necessidades. O regulamento ainda não foi divulgado, mas é difícil imaginar que existam grandes restrições.

Estádios menores que o obrigatório

Um dos motivos que colocam em xeque a rigidez da regra sobre os aeroportos é aquela que determina a capacidade dos estádios. Segundo o regulamento de 2012, apenas locais com capacidade superior a 20 mil espectadores podem receber partidas até as semifinais, enquanto são requeridos 40 mil lugares para a decisão.

Não foi o que aconteceu. Um dos exemplos da quebra da regra é a Vila Belmiro. Segundo o Cadastro Nacional de Estádios de Futebol, elaborado pela CBF, o estádio tem capacidade para 16.798 torcedores. Ainda assim, passou pela vista grossa dos dirigentes sul-americanos e recebeu cinco partidas do Santos. O mesmo aconteceu com o Pacaembu, palco do título do Corinthians, que suporta 37.730 espectadores segundo o CNEF.

E o jeitinho para burlar a regra não é apenas brasileiro. Nesta Libertadores, cinco estádios não atendem os requisitos mínimos para abrigar um jogo da fase de grupos e, mesmo assim, devem recebê-los: Dr. Nicolás Leoz (Libertad), Julio Alberto Grondona (Arsenal), Alberto Gallardo (Sporting Cristal), Tierra de Campeones (Iquique) e CAP (Huachipato). Coincidentemente, os dois primeiros têm os nomes do presidente da Conmebol e do presidente da Associação de Futebol da Argentina, patronos dos clubes.

Destes, o menor é o Estádio CAP, com capacidade para 10,5 mil torcedores. Mesmo assim, o Huachipato já vende os ingressos para os jogos da fase de grupos, inclusive o da partida contra o Grêmio. Em 2012, o Estádio Dr. Nicolás Leoz abrigou sete partidas, incluindo uma do Olimpia e uma do Nacional, mesmo podendo receber não mais que 12 mil pessoas.

Quanto à iluminação artificial, não haverá dores de cabeça. O único estádio que não possuía refletores solucionou o problema: o Jesús Bermúdez, casa do San José, concluiu a reforma das torres em 15 de janeiro, após um dos painéis de iluminação cair por conta de uma tempestade. Caso as obras não fossem terminadas, os jogos do clube ocorreriam em La Paz. Um motivo a menos para que Conmebol passe por cima do próprio regulamento e retroceda quanto às mudanças sinalizadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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