Argentina

Virgem, santa e muita superstição

Na falta da prática, vai a teoria. Na falta de talento, vamos de crenças. Então, tome mais essa. A Argentina, como se sabe, repetimos aqui exaustivamente, não conquista um título profissional desde 93. Falta um time, sobra talento e também coisas com as quais se amparar para justificar. Pois bem, deixe seu sincretismo de lado e se fie na tal história: o país não ganha nada desde 93, algo que algumas pessoas ousam explicar a partir do sumiço no ano seguinte da santa que costumava acompanhar a equipe em suas viagens. A Virgem de Luján. Foi assim no bicampeonato mundial de 86 e no vice de 90.

Foi até que um famoso massagista da seleção, Galíndez, a perdeu no aeroporto antes da partida para os Estados Unidos em 94. Não precisamos relembrar os episódios daquela Copa, tampouco o que se passou com os argentinos depois dali. Novamente, há quem justifique a queda do time no futebol a partir do desaparecimento da santa. Não acredito, como muita gente também não – foi votado no Congresso uma proposta para que ela fosse retirada de lá, por exemplo.

Mas muita gente acredita, ainda assim. Acreditam até demais, diria. É o tipo de situação na qual se apegam para justificar um período de baixa. Caso da Argentina e caso eterno do Colón. O simpático time de Santa Fé nunca foi de fazer muita coisa na primeira divisão. Cumpria ali seu papel, ocupando o meio da tabela e atraindo mais os holofotes pelo faro de seu artilheiro, o veterano Esteban Fuertes.

Ele chegou à seleção de Maradona. Mas também quem não chegou, indaga a edição. Faz sentido, mas esse não é o ponto. O atacante ainda segue por lá, assim como o Colón com suas campanhas medianas. Ocupa o 7º lugar neste Torneio Apertura. Dificilmente, poderia sonhar com algo mais que isso, mas acharam um bonde expiatório para a situação. E nem procuraram encobrir o seu sumiço, como pode ter acontecido com a Virgem de Luján – palpite meu.

A grande polêmica nesses dias em Santa Fé diz respeito à ausência da Virgem de Nossa Senhora de Guadalupe, patrona da cidade, do estádio do Colón. Ela teria sido simplesmente destruída pelos jogadores. Isso mesmo. O motivo? Uma sequência de 31 jogos em que apenas nove vitórias foram obtidas como mandante. Os números não ajudam. De acordo com uma rádio local, o aproveitamento sob a tutela da imagem foi de apenas 52,6 % durante esse período – 78 partidas vencidas, 62 empates e 47 derrotas. Mais: nos três clássicos com o Unión, um empate, uma vitória e outra derrota.

No subconsciente de alguns jogadores, a Virgem estava ali como um amuleto. Não estava, replica o sacerdote de Santa Fé. Desde 2001 na área, ela nem poderia ocupar aquele espaço no estádio, de acordo com o estatuto do clube. Os jogadores, liderados por Ariel Garcé, apontado como líder da decisão de destruí-la, prometem restaurá-la. Deve durar algum tempo. Fiquemos de olho nos números, então.

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Equipe Trivela

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