Argentina

A maior virtude de Riquelme: o jeito como ele mantinha a bola intocável em seus pés

Um camisa 10 na essência da concepção. Poucos incorporaram tão bem a função de maestro em um campo de futebol quanto Juan Román Riquelme. O craque que não corre, pois faz os outros 10 companheiros correrem por ele quando a bola está em seus pés. Completo, da visão de jogo ao passe apurado, dos chutes colocados à perfeição nas cobranças de falta, do domínio ao drible. No entanto, em uma característica em especial Riquelme parece insuperável. Poucos quiseram tanto a bola imaculada em seus pés. Por isso mesmo, o meia a protegia de uma maneira impressionante. E quem entrava na dança eram os adversários.

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Um dos momentos mais célebres da carreira de Riquelme aconteceu em um Boca Juniors x River Plate, em plena Libertadores de 2000. O “caño a Yepes” se tornou uma marca na trajetória do camisa 10, não apenas pela ocasião. De costas, ele colocou a bola por entre as pernas do zagueiro colombiano. Mais do que um drible perfeito, ele atacou com a bola para mantê-la intocável. Assim, com dribles rápidos e muita inteligência em espaços claustrofóbicos, o craque apresentava sua grande virtude.

O vídeo abaixo pode ser um tanto quanto comprido, mas vale a pena. Mostra como Riquelme, mesmo diante de uma marcação cerrada, sabia como manter a redonda em seus pés. E nem precisava dar seus famosos passes para deixá-la distante dos adversários. Um movimento em torno do próprio eixo bastava para deixar os adversários desconcertados. No aniversário de 37 anos de Román, o primeiro desde a sua aposentadoria, fica a saudade que pesa por um daqueles que melhor já trataram a bola, e tiveram tantos ciúmes por ela.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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