Argentina

Vencedores e vencidos

A defesa perfeita de Valdés poderia dar outro destino ao título do Mundial Interclubes da FIFA. Naquele momento uma reação seria no mínimo improvável. O Estudiantes era uma equipe já exausta, que como deveria ser, foi quase sempre perfeita na marcação e criou oportunidades. Um adversário inferior tecnicamente, mas temível.

Foi com uma frieza semelhante à mostrada no Mineirão, há pouco mais de cinco meses, que o Estudiantes se apresentou em Abu Dhabi. Fidelidade ao 4-4-2 e toda bola e liderança de Juan Sebastián Verón, que chegou a dar palestras para jogadores e treinadores locais durante a sua estadia no país. La Brujita poderia ter feito história, igualar-se a seu pai, aumentar a condição de figura mítica, que já o envolve.

Após “abandonar” o torneio Apertura pelo título Mundial e perdê-lo, o Estudiantes foi recebido por 10 mil Pinchas no aeroporto que acompanharam o time a La Plata, onde era esperado por mais 20 mil. Luta reconhecida pela torcida e também o trabalho vitorioso de onze meses do time.

Alguns consideraram que o Estudiantes entregou, como um presente, a posse de bola ao Barça no segundo tempo, sem pensar que não havia mais pernas e nem um companheiro para Boselli no ataque.

Em 2010, com possíveis reforços, desejo de manter-se como equipe competitiva e com a ausência de rivais tradicionais na Taça Libertadores, o time tem boas chances de manter o bom aproveitamento deste ano. Provavelmente será o grande rival brasileiro.

Enfim Campeão

A espera durou 113 anos. Mas no último final de semana, 4.900 torcedores puderam acompanhar (in loco) seu pequeno clube de Lomas de Zamora, conquistar seu primeiro título. O Banfield saiu derrotado de la Bombonera, mas levantou a Taça do Apertura graças ao tropeço do Newell's Old Boys. Foi uma comemoração emocionante com cânticos, promessas, festas.

Uma derrota para o “pior Boca Juniors dos últimos dez anos”, havia quem mesmo na última rodada tivesse argumentos para contestar os 72% de aproveitamento do Taladro. Reação até natural, quando os cinco clubes mais populares do país passaram o segundo semestre de 2009 longe da briga pelo título e muitas vezes, mergulhados em crises.

Uruguaio, 29 anos, Santiago Silva é o nome do título. Rodou alguns clubes pelo mundo, pela Argentina, foi ridicularizado no Brasil quando (tentou) vestir a camisa do Corinthians em 2002, “El tanque” começou a se destacar no último Clausura, evoluiu ainda mais e nesta competição foi o artilheiro com 14 gols. Em momentos fundamentais, ao lado do compatriota Sebastián Fernández, impulsionou o time.

Já Falcioni, primeiro ex-goleiro argentino a conquistar um título como treinador, foi o destaque no banco de reservas. Enérgico, com um esquema de jogo bem definido, fez o laterais atacarem sempre e chegou ao primeiro título de sua carreira.

O Estrangeiro

Messi foi o primeiro jogador argentino a vencer o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA. Enfim, depois de tantos “alarmes falsos”, o país poderia dizer que enfim pode ver o verdadeiro sucessor de Diego Maradona.

Mas La Pulguita nunca será. O gol de peito contra o Estudiantes no Mundial de Abu Dhabi é mais um episódio da relação de amor e ódio, muito longe da idolatria, entre os argentinos e seu melhor jogador.

Até mesmo o gol heróico que deu o título à sua equipe gerou críticas a Messi. O “traidor”, o que joga pouco e não se entrega com a camisa de sua seleção, o rosalino que nunca brilhou na cancha do Rosario Central.

A nova “tática” proposta pela torcida é que não se deve mais criticar, maltratar Leo, ele deve ser “mimado” como é no Barcelona. Difícil, a não ser que acumule apresentações perfeitas na Copa do Mundo da Africa do Sul, ele será apenas o mais espanhol dos jogadores argentinos.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo