Argentina

Vai ser legal a passagem de Pulga Rodríguez pelo Gimnasia, num negócio com a benção de Maradona

Maradona tentou levar Pulga Rodríguez para o Gimnasia quando era treinador e o camisa 10 fez questão de cumprir a vontade de seu ídolo

Pulga Rodríguez não é um grande craque, mas, dentro da realidade do Campeonato Argentino, o camisa 10 se sobressai. O atacante reúne uma qualidade técnica acima do comum e um grande poder de decisão. Mais do que isso, é um jogador que gosta de escrever boas histórias. É um dos maiores ídolos do Atlético Tucumán, levando os albicelestes da segunda divisão à Libertadores. Depois, ainda estrelou o Colón numa campanha fantástica para assegurar o primeiro título da história do clube. E se o adeus dos sabaleros estava claro após a Copa da Liga, nesta semana Pulga anunciou seu novo destino: vai defender as cores do Gimnasia de La Plata.

Ao longo de sua carreira, Pulga Rodríguez se dedicou a clubes de torcida muito apaixonada, mas não exatamente vencedores. Até passou pelo Newell’s Old Boys entre 2010 e 2011, mas não vingou, voltando depois ao Atlético Tucumán, seu time do coração. A chegada ao Gimnasia mantém essa trajetória. Apesar da enorme tradição, o Lobo sofre com o jejum de quase um século. Parece o ídolo perfeito para uma massa fanática, mas carente de grandes feitos. E, considerando seu histórico pelo Colón ou até pelo Atlético Tucumán, dá para imaginar que o camisa 10 poderá elevar a competitividade dos platenses. Mesmo aos 36 anos, ele ainda sobra por sua qualidade e pela facilidade em bater na bola.

O casamento de Pulga Rodríguez ganha mais contornos especiais por outro personagem: Maradona. Em sua apresentação, o camisa 10 revelou que assinou com o Lobo por causa da passagem de Diego como técnico em La Plata. Um dos primeiros pedidos de Maradona ao chegar no Gimnasia foi a contratação de Rodríguez, mas o negócio não se concretizou antes da morte da lenda. Pulguita, inclusive, já tinha sido treinado por Diego em outra ocasião: ele foi convocado para a seleção em 2009, quando ainda estava no Atlético Tucumán, para um amistoso com Gana. O ídolo de infância admirava o futebol do atacante há tempos.

“É um velho desejo que eu tinha quando Maradona estava no clube e agora tive a possibilidade, por mais que ele não esteja. Maradona chegou a me ligar, mas não deu certo naquele momento porque eu tinha contrato com o Colón. A morte de Diego foi um golpe duro. Não choro nunca, mas neste dia chorei. Creio que isso aconteceu com 90% dos argentinos, pelo menos os que gostam de futebol e sabem o que foi Diego”, revelou Pulga Rodríguez, em sua apresentação. “Prometo que vou me dedicar 100%, tratar de entregar o melhor de mim e tomara que as coisas saiam bem”.

Com a benção de Maradona, a história de Pulga Rodríguez no Gimnasia se torna ainda mais legal. A idade indica que o tempo do atacante está acabando, mas as atuações recentes no Colón mostram como ele pode continuar brilhando. Talvez não para encerrar o jejum do Lobo, mas ao menos para se tornar ídolo em mais um clube expressivo da Argentina.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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