Argentina

Um River de incertezas

O River Plate atualmente consegue reunir quase todos os atributos do time que foi rebaixado há duas temporadas. Atmosfera instável nas arquibancadas, problemas internos, presidente ausente e questionável, técnico deficiente e sem modelo de jogo e dúvidas pertinentes. É precoce afirmar que o destino será o trágico retorno a B Nacional, mas não pode-se descartá-lo, afinal, o clube está se esforçando para isso.

Para começar, o presidente Daniel Passarella está conseguindo a proeza de ir de ídolo a renegado em menos de três anos. Mas, convenhamos, por esforço próprio. Mas algo não mudou: a relação da sua imagem com o clube. Contudo, se outrora transparecia qualidade e vitória, hoje representa a perda de identidade.

Neste tempo, o Kaiser jogou fora suas palavras, mudou as ideias e não esteve próximo ao time nos momentos mais difíceis. Aliás, nos momentos críticos, vem a tona a pergunta: “onde está o presidente?” Ademais, transferir a culpa à imprensa, dizendo que há uma campanha contra si, não resolverá sua má gestão, tampouco os problemas da equipe, que não são poucos.

O clima no clube – já não tão – Millionário está tenso. A torcida pede sua cabeça e o retorno de Ramón Díaz para o lugar de Matías Almeyda, que, segundo as más línguas, é o técnico da equipe. Sou cético. Assim como JJ López, Pelado, guardada as devidas proporções, após mais de 50 partidas não conseguiu dar forma a equipe. O que lhe sobra de forças para seguir, lhe falta de condições para organizar o time. Embora tenha o mérito de ter sido “jogado aos leões” e ter alcançado o objetivo. Mas a Primera División é diferente. Seria Díaz a solução?

E apesar de a alta cúpula do clube de Núñez, que localiza-se em Belgrano, já não demonstrar confiança no atual projeto, Passarella, por ora, confirma Almeyda no cargo, o que não quer dizer muita coisa, diga-se. E esta semana tem sido vista como crucial para o destino do Pelado, que já ganhou alguns desfalques na equipe. Aliás, o plantel é o contrapeso desta situação, mas sem organização tornam-se pesos mortos.

O clube disputou oito partidas e, destas, venceu apenas duas. Além disso, não vence a cinco jogos e encontra-se na zona de descenso. Todavia, o resultado não é o maior dos problemas, trata-se apenas do reflexo da situação. Enquanto o River Plate não consegue encontrar as respostas básicas se perde nas variantes das perguntas e mostra que apesar do River Plate ter saído da B Nacional, parece que a B Nacional não saiu do River Plate. Aguardar.

“Que deselegante…”

“Seria bom atropelá-lo e fazê-lo sentir dor”, disse Ricardo Caruso Lombardi, técnico do San Lorenzo, a um jornalista, sem, no entanto, identificá-lo. A declaração, no mínimo, insana não pegou bem em Boedo. O presidente do Ciclón, Matías Lammens, emitiu nota oficial informando que “as declarações [do seu subordinado] foram desafortunadas e inoportunas”. Espero que ele não tenha carteira de motorista.

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