Argentina

Golpe no futebol: Argentina proíbe torcedor visitante

O futebol receberá um duríssimo golpe nesta quarta-feira. Segundo o Canchallena, maior site de esportes da Argentina, a Asociación del Fútbol Argentino (AFA) irá acatar uma medida pedida pelo Ministério da Segurança e todoso os jogos da primeira e da segunda divisão serão jogadas sem público visitante.Sim, é isso mesmo: a medida de segurança proposta pelo governo, que será acatada pela AFA, é proibir os torcedores visitante de estarem no estádio.

A proposta do governo veio depois dos incidentes na semana passada quando integrantes da barra brava do Boca Juniors se envolveram em um grave episódio de violência que culminou em duas mortes na região do estádio Novo Gasômetro, do San Lorenzo, antes do confronto entre as duas equipes. Foram mais de cem tiros disparados em confronto com a polícia, que deixaram 80 feridos. Apenas uma pessoa foi presa. Algumas pessoas pediram medidas do Estado diante desse episódio. Foi isso que fez o ministro Sergio Berni propor a medida restritiva à AFA, que irá acatar, dadas as excelentes relações que tem com o governo.

Aliás, a AFA tem excelentes relações com qualquer governo. Basta lembrar que o presidente, Julio Grondona, está no cargo desde 1979. Isso mesmo, impressionantes 34 anos, o que significa que a entidade tinha ótimas relações inclusive com o governo ditatorial argentino. Ou seja: não importa o governo, a AFA gosta mesmo é do poder. Tem um certo partido aqui no Brasil que tem comportamento parecido (alguém falou em PMDB?).

Segundo o Canchallena, a medida será adotada no primeiro fim de semana de agosto, quando será disputada a primeira rodada do Torneo Inicial. “É a proposta que enviamos à AFA, estamos preparando mais requerimentos para todos os clubes. Esta é uma medida conjuntural, mas iremos aprofundar”, explicou o ministro ao site argentino. Segundo o próprio ministro, há exceções, mas serão analisadas caso a caso.

Vale lembrar que há alguns dias, a presidente Cristina Kirchner deu ma curta declaração sobre a violência no futebol. “Cartão vermelho para os dirigentes esportivos que seguem protegendo os deliquentes”, se limitou a dizer Kirchner. Foi uma prévia. O governo dela irá referendar uma medida que é contra o futebol, não contra a violência. Um golpe terrível ao futebol, absolutamente lamentável. A medida é uma forma de dizer que as autoridades não são capazes de conter a enorme violência que envolve os barras bravas. Um problema enraizado e muito complicado, porque envolve os dirigentes dos clubes, mas também os políticos. E aí é que a coisa fica feia mesmo. É mais fácil proibir do que tratar. É como jogar um doente do abismo, como forma de se livrar da doença. É, antes de tudo, uma imbecilidade.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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