Argentina

“Tudo passa”(?)

Após aposentar a frase preferida (“Todo pasa”) e o anel, no qual a expressão estava gravada, o presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Humberto Grondona, 81 anos, afirmou, nesta terça-feira, que em 2015 pretende deixar o cargo na entidade para dar lugar “aos novos dirigentes”.

No mesmo dia, a revista France Football, parceira da Federação Internacional de Futebol (Fifa), publicou um dossiê de 20 páginas denunciando a compra de votos para a Copa do Mundo Qatar 2022, o “QatarGate”. Dentre os envolvidos, consta… Grondona. Entretanto, este não foi o único caso de denúncia, escândalo, corrupção que Don Julio se envolveu em mais de três décadas, mas sobreviveu a todas elas. Afinal, como já diria o próprio: “tudo passa”… “,menos Grondona”, completam os inimigos.

O mandatário chegou a AFA em 1979. Após a “suspeita” Copa do Mundo Argentina 1978, realizada pela ditadura (1976-1983), vulgo “Processo de Reorganização Nacional”, e conquistada pela Albiceleste, ele foi designado pelo almirante Alberto Lacoste para assumir a presidência da Associação, interinamente. Desde então, foram oito reeleições e em apenas uma delas teve opositor: o ex-árbitro Teodoro Nitti, em 1995, que conseguiu um voto contra 40.

Além disso, assumiu a vice-presidência da Fifa, em 1988, sendo responsável pela Comissão de Finanças da entidade máxima do futebol, desde a época do brasileiro João Havelange (1974-1998). No entanto, até chegar onde está ele fundou e presidiu o Arsenal de Sarandí, entre 1956 e 1976, e, posteriormente, presidiu o Independiente, entre 1977 e 1978, clube do qual é torcedor. Para alguns, um fator importante para revalidar seu poder, visto que ele conhece diversas nuances internas no meio futebolístico.

De 1946, ano do processo de “castelhanização” do nome da entidade portenha, até 1979, quando Grondona assumiu, passaram-se 33 anos e 20 presidentes. De lá para cá, foram 34 anos. Até o fim do mandato, em 2015, serão 36.

Neste mesmo tempo, a República Argentina já teve seis ditadores – Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Carlos Alberto Lacoste, Leopoldo Fortunato Galtieri, Alfredo Oscar Saint-Jean e Reynaldo Bignone -, nove presidentes – Raúl Alfonsín, Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e a atual Cristina Kirchner –, a Albiceleste teve nove selecionadores – César Menotti, Carlos Bilardo, Alfio Basile (duas vezes), Daniel Passarella, Marcelo Bielsa, José Pekerman, Diego Maradona, Sergio Batista e o atual Alejandro Sabella – e a AFA teve apenas um presidente, Julio Grondona.

Com o anúncio da possível despedida, vem o alívio. Mas ao perceber que a ideia é dar lugar “aos novos dirigentes”, como Daniel Passarella, Germán Lerche, Marcelo Tinelli ou Julio Comparada a aflição volta a se fazer presente. Ainda assim, que ele se vá… Afinal, “tudo passa”!

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