Título e a volta de um mestre

O Tigre derrotou o Boca pela segunda vez no Apertura 2008. Porém, os ‘Xeneizes’ é que ficaram com o título. Faltou apenas um gol para o time de Victoria conquistar o torneio. Pensando em 2009, o Boca já está se arrumando: além de renovar o contrato com Carlos Ischia por mais um ano, o clube anunciou que terá a volta de Carlos Bianchi, cuja função será a de ‘manager’. Será um reencontro entre os dois Carlos, pois Ischia foi ajudante de campo de Bianchi no Vélez, no próprio Boca e na Roma-ITA.
Das 21 partidas que disputou no Apertura, considerando o triangular final, o Boca venceu 13, empatou três e perdeu cinco. O artilheiro da equipe foi o jovem atacante Viatri, de apenas 21 anos. Ele marcou oito gols. O principal momento do Boca na competição aconteceu entre a 10ª. e a 14ª. rodada. Nesse período, o time conseguiu cinco vitórias consecutivas. Curiosamente, todos estes triunfos tiveram a vantagem de apenas um gol.
Três jogadores do Boca terminam 2008 ‘de molho’. Palermo se recupera de uma cirurgia que sofreu em agosto, em conseqüência da ruptura do ligamento cruzado anterior e do ligamento colateral medial do joelho direito. Quem também teve dores de cabeça com o joelho direito foi o zagueiro Paletta, operado em novembro. No seu caso, também houve a ruptura do ligamento cruzado anterior. O último atleta do Boca a enfrentar uma cirurgia foi o goleiro García, titular na partida contra o Tigre e que foi substituído após o gol de Lázzaro. García foi operado na sexta-feira passada, devido a uma pubalgia.
Conquistando o Apertura, o Boca ficou com mais uma vaga na Libertadores 2009, pois já havia obtido uma, através do aproveitamento nos últimos três torneios nacionais. Então, a vaga que sobrou ficou nas mãos do Estudiantes, que teve um aproveitamento de 56,73%. Já o Tigre chegou muito perto: 55,56%. A equipe de La Plata irá enfrentar o Sporting Cristal na Pré-Libertadores.
Um Tigre nada tímido
Obviamente, o Boca é o time argentino mais comentado nos últimos dias. Mas não podemos ficar sem um espaço considerável para o Tigre. Trata-se de um fenômeno. Na temporada 2004/5, o Tigre foi campeão da terceira divisão, com os títulos do Apertura e do Clausura. Garantido na segunda divisão, o ‘Matador’ não permaneceu muito tempo ali, pois obteve o acesso para a elite na temporada 2006/7. O sucesso entre os grandes não demorou a aparecer. Logo na temporada seguinte, o Tigre foi vice-campeão do Apertura. E agora se tornou vice-campeão do torneio mais uma vez.
Diego Cagna é um dos grandes responsáveis pelos feitos alcançados pelo Tigre. Contratado pelo clube em dezembro de 2006, Cagna jamais havia treinado uma equipe de futebol. Em sua apresentação, deu uma declaração bem confiante e que acabaria se tornando realidade: “Temos equipe para subir e esse é o nosso objetivo”. O destino quis que ele tivesse êxito logo em sua primeira experiência nessa profissão.
Durante o Apertura, uma característica de Cagna ficou bastante conhecida: as camisetas que vestia. Todas elas tinham frases relacionadas ao futebol. Na estréia do triangular, por exemplo, a frase era a seguinte: “Que esta tarde custe o que custar”. Já no compromisso diante do Boca, Cagna exibiu estas palavras: “Para sempre, obrigado, Matador”.
O artilheiro do Tigre no último Apertura foi o meia Morel, com 13 gols. Morel, de 28 anos, ficou somente dois gols atrás do atacante Sand, do Lanús. O belo desempenho do atleta chamou a atenção de outros clubes e os dirigentes do Tigre já disseram que será muito difícil segurá-lo.



