Argentina

Tevez amplia sua lenda no Boca com uma atuação monstruosa para calar o Monumental

Carlos Tevez será eternamente lembrado na história do Superclássico de Buenos Aires. O que ele jogou (e o que provocou) na semifinal da Copa Libertadores de 2004 sempre virá à memória dos torcedores do Boca Juniors. Neste domingo, porém, ele adicionou mais um episódio a sua trajetória contra os maiores rivais. Em pleno Monumental de Núñez, o camisa 10 silenciou a torcida do River Plate. Marcou dois gols, incluindo uma pintura, e comandou a virada por 4 a 2 dos xeneizes. Em um momento no qual vinha sendo criticado pela baixa produtividade, o atacante reafirma seu talento da maneira mais contundente.

O clássico já era especial antes mesmo de a bola rolar. A torcida do River ofereceu um recebimento belíssimo, com trapos, fogos e mosaico. Nada que intimidasse o Boca Juniors. Aos 14 minutos, os visitantes saíram em vantagem. Tevez deu a assistência e Walter Bou bateu no campo. Mas a reação millonaria saiu antes do intervalo. Driussi empatou em um chutaço de primeira, aos 32, e Alario virou sete minutos depois de cabeça.

Antes de Tevez se tornar personagem, contudo, quem esteve no centro das atenções foi outro craque veterano. Andrés D’Alessandro era o melhor em campo e o River Plate seguia dominando, quando Marcelo Gallardo resolveu substituir o meia aos 15 minutos do segundo tempo. O camisa 22 saiu às lágrimas, confirmando que este não é apenas o seu último Superclássico, mas também seu último jogo nesta passagem por Núñez. Emprestado, o maestro voltará ao Internacional em 2017.

Sem D’Ale, o River Plate pereceu. Viu Tevez se agigantar. O empate saiu apenas dois minutos depois da substituição, com o atacante aproveitando uma saída totalmente equivocada do goleiro Augusto Batalla. Já a virada se consumou aos 36, como obra de arte: de primeira, Carlitos mandou a bola no ângulo, sem qualquer chance para o arqueiro adversário. O Boca Juniors retomava a dianteira no placar. Nos últimos minutos, o camisa 10 botou a mão entre os dentes, pedindo para que seus companheiros não deixassem de morder. Deu tempo para mais. Nos acréscimos, Centurión partiu em velocidade e, após encobrir Batalla, completou de cabeça à meta vazia.

“Fiz uma grande partida e tirei um grande peso que tinha. É preciso aproveitar este momento, que a gente do Boca desfrute. Como disse no ano passado, tudo voltou à normalidade no clássico”, declarou Tevez, na saída de campo. Especula-se que este também seja o último Superclássico do camisa 10, com propostas do futebol chinês. O momento, entretanto, é de comemorar. A vitória ainda valeu temporariamente a liderança ao Boca no Campeonato Argentino, superando o Estudiantes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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