Argentina

Superclássico: o retorno

528 dias depois o Superclássico está de volta. Talvez por isso a emoção, que sempre é intensa, esteja ainda mais a flor da pele. River Plate e Boca Juniors não vivem bons momentos no Torneo Inicial, mas isso nunca fora motivo para diminuir a emoção do maior clássico do futebol argentino e, quiçá, da América Latina.

A última rodada desenhou um panorama muito desagradável às duas equipes. O futebol apresentado pelo Boca Juniors, ante o Estudiantes, no empate em zero a zero, e o silêncio de Julio César Falcioni perante aos insultos da torcida Xeneize mostrou um clima bastante tenso. Ademais, uma derrota Boquense no clássico pode deixar a classificação a Copa Libertadores da América ainda mais distante.

Do outro lado, o River Plate – que recebera uma singela homenagem do Quilmes: duas “gallinas” e uma derrota por 1 a 0-, segue oscilando bastante no campeonato e o técnico Matías Almeyda ainda está com a corda no pescoço. Essa partida também pode ser uma oportunidade para o atual técnico apagar, ou, ao menos, tentar mudar a emblemática imagem que deixou à época capitão Millionário, ao ser expulso e sair escoltado por policiais, enquanto beijava o escudo da equipe diante da torcida rival. Aquela partida, que por sinal foi a última, o Boca venceu por 2 a 1.

Com a ausência do último ídolo Xeneize, Juan Román Riquelme, e a mudança de posto do último ídolo de la Banda Roja, Almeyda, as atenções estão voltadas aos fracos desempenhos das equipes, sobretudo, dos treinadores. Contudo, por questões “políticas” é pouco provável que algum deles seja demitido com a derrota no domingo. Salvo uma derrota vexatória, claro. Nenhum dos clubes pretende deixar uma derrota para o rival ainda mais marcada do que ela já fica.

Quanto as armas das equipes, o jornalista do La Nación, Christian Leblebidjian, que também é técnico de futebol, apresentou-me algumas possibilidades, as quais ele acredita que pode definir a partida. Os Xeneizes poderiam complicar o rival apostando nas bolas paradas ou nos contra-ataques com o veloz atacante Lautaro Acosta, caso jogue. Enquanto o River pode surpreender o Boca com o jogo aéreo, um dos pontos fracos da equipe Boquense, ou com as assistências de Ponzio ou Aguirre, visto que ambos têm facilidade em deixar os atacantes no homem a homem.

Embora a partida ainda seja domingo, às 15h30, no Estádio Monumental de Núnez, as ruas bonaerenses já respiram o clima do Superclássico. As declarações já começam a apimentar a peleja, sobretudo, as do lado Millionário, com vitórias antecipadas. As torcidas, que são espetáculos a parte, já começaram a dar seus contributos desde a última fecha, com pressão extra de lado a lado. Agora, só nos resta aguardar para saber o que a partida nos reserva. “Dale!”

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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